Clemente Ivo Juliatto

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Chegou a hora de educar as crianças e a juventude para novos consórcios, alianças e paradigmas de relações existenciais. Os meios de comunicação criam modelos e jeitos novos de vida para o homo comunicationalis, ou o homem em relação. A seu modo, divulgam e interpretam o mundo e o estar-no-mundo. A comunicação é parte intrínseca do funcionamento das organizações modernas. Infelizmente, do ponto de vista de educação, seu processo ainda é limitado e, em muitas situações, o foco é questionável.

Em face disso, a formação escolar integral precisa avançar mais para fazer frente às novas bases culturais da sociedade. Em geral, os cursos universitários dispõem de recursos de infra-estrutura e pessoal docente capaz de conciliar interesses específicos de formação profissional. Todavia, as unidades acadêmicas podem se fortalecer com o entusiasmo, motivação e ânimo por parte da direção, docentes e discentes.

Por sua vez, a mensagem televisiva educativa pode alcançar recantos preciosos a que os educadores, médicos e profissionais de outras especialidades não têm acesso. Em futuro relativamente próximo, a tendência é que a educomunicação, via rádio, televisão e internet, se torne um dos segmentos de mercado que oferecerá expansão de demanda de mão-de-obra. Portanto, investir na formação de jovens nos cursos universitários neste campo é atribuir-lhes responsabilidade para suas ações. Como resultado, estarão preparados para promover a paz e a justiça por meio da palavra, da verdade, da solidariedade e do amor. Jornalismo, Relações Públicas, Marketing Institucional e Publicidade e Propaganda, por exemplo, são instrumentos de comunicação que devem se situar no mesmo plano, de forma a permitir uma atuação integrada, ética, equilibrada e conseqüente da política dos meios de Comunicação Social.

Com essa linha bem definida, os diversos veículos de comunicação não só devem investir em novos ouvintes, espectadores e leitores, como precisam ter propósitos claros de restaurar valores essenciais por meio da atuação ética, competente, livre e formadora da cidadania. Assim, haverá maior democratização dos avanços científicos e aperfeiçoamento profissional, a par de propiciar novo impulso ao empreendedorismo, à solidariedade, ao voluntariado e à formação do senso crítico. Independente de classes sociais e econômicas e faixa etária, o telespectador será cada vez mais exigente, seletivo e crítico. Atualidade, confiabilidade, relevância social, cultural e educacional são ingredientes básicos da qualidade da programação televisiva.

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Por serem atividades complementares, educação e comunicação, da mesma forma que cultura e religião, não apresentam qualquer incompatibilidade; todas são de interesse público. Podem e devem andar de braços dados, como primas irmãs. Mais ainda, com fins comuns, educação e comunicação precisam funcionar de maneira integrada, visando prestar um serviço da mais alta relevância às pessoas, o que representa um ganho cultural para a sociedade contemporânea. Ao ser colocada no ar, uma emissora de rádio ou de televisão, por exemplo, pode propagar, imediatamente, a educação, a ciência e a cultura de forma simultânea.

Educação, comunicação e qualidade de vida não são paradigmas estáticos e desconexos, mas evoluem de acordo com os ciclos históricos, alterações sociais e desenvolvimento cultural. São construções da inteligência, da alma e do coração que caminham ao lado da sociedade e de suas instituições, como verdadeiros incentivos para se chegar à dignificação plena do ser humano.

Clemente Ivo Juliatto, reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras, é pós-doutor em Administração Universitária pela Harvard University, em Cambridge, Massachusetts, EUA.

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