O ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), titular da Integração Nacional, bem que tentou tornar-se uma figura importante no governo Luiz Inácio Lula da Silva, de olhos postos no controle político de seu estado natal após o vácuo deixado pelo falecimento do vice-rei Antonio Carlos Magalhães, que aparentemente não deixou entre seus descendentes um sucessor à altura da mística construída em torno de seu nome.
Com a eleição de Jacques Wagner (PT) para o governo estadual, Geddel viu-se na contingência de atrelar o PMDB baiano ao esquema petista, esperando que os avanços contemplados na programação de seu ministério saíssem do papel e lhe garantissem o respaldo necessário para colocar-se como opção natural ao governo da Bahia em 2010, ou ainda numa hipótese mais gratificante a de ser o candidato a vice-presidente na chapa liderada pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Geddel contava com o significativo rol de obras previstas para o setor de infraestrutura, que por sua vez ocupam marcante proporcionalidade nas intenções gerais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das duas mais importantes bandeiras eleitorais do governo para eleger o sucessor de Lula (a outra deverá ser a exploração do petróleo da camada pré-sal). Contudo, o balanço das realizações efetivas do PAC na área de governo que atende pela pomposa denominação de Integração Nacional, resultou no indizível constrangimento da apresentação de resultados situados abaixo da linha do sofrível.
O desempenho leniente do Ministério da Integração Nacional foi constatado, inclusive, no projeto de transposição das águas do Rio São Francisco, sobretudo no que diz respeito às obras complementares de revitalização do referido curso fluvial. Três turnos de trabalho estão executando o projeto de transposição das águas, visando permitir ao governo federal a inauguração, antes do final de 2010, de pelo menos uma parte do programa. O risco, no entanto, será entregar à população de vários estados nordestinos uma obra seriamente comprometida pela ausência dos projetos de recuperação ambiental das bacias hidrográficas do São Francisco e do Parnaíba, ambas previstas na mesma rubrica orçamentária do PAC.
Segundo o Siafi (sistema eletrônico de acompanhamento orçamentário), dos R$ 442,7 milhões previstos esse ano pelo governo Lula para os dois projetos de recuperação ambiental, entre janeiro e maio foram empenhados apenas R$ 71 milhões. Isso equivale a dizer que o compromisso de liberação real do dinheiro previsto para os referidos projetos não superou 17% do investimento divulgado no começo do ano. Outro dado decepcionante é que no mesmo período o governo pagou às empresas contratadas a insignificante quantia de R$ 1 milhão.
A leitura do último relatório referente ao andamento do Programa de Aceleração do Crescimento denota as dificuldades que o governo vem enfrentando para transformar em realidade o ambicioso conjunto de obras. Do item específico de recuperação e controle de processos erosivos, enfocando obras de proteção de encostas e recomposição de matas ciliares, constam 151 projetos, dos quais apenas 26 estão em fase de acabamento ou já foram concluídos. Das 20 ações previstas para coleta, tratamento e destinação final de resíduos sólidos, 17 se encontram em estágio preparatório e, literalmente, se enroscam cada vez mais na imensa teia burocrática governamental.
Pior para o governo Lula, que havia tomado a iniciativa de propor o aumento dos investimentos na revitalização das respectivas bacias hidrográficas como uma espécie de anteparo às pesadas críticas a ele dirigidas por inúmeros cientistas e movimentos ambientalistas, em face da transposição das águas do Rio São Francisco. O ministro Geddel Vieira Lima, diante do cenário adverso, declarou que tudo vai mudar no segundo semestre, como se tivesse o dom de desentravar o carro mediante memorandos, resoluções e portarias. As populações ribeirinhas, assoladas pela poluição, já cansaram de esperar.