Agora é PMDB

O Brasil vive hoje sua maior crise política desde o processo que resultou no afastamento de Fernando Collor de Mello da Presidência da República. Eleitos sob a promessa da esperança, o governo Lula e o PT se enredaram em um dos mais graves escândalos de nossa história, que choca o País e abala profundamente as instituições democráticas, em especial os partidos políticos e o parlamento. Diante desse quadro sombrio, o PMDB – partido construído na luta pelas liberdades democráticas contra o arbítrio da ditadura militar – tem diante de si um desafio e ao mesmo tempo a oportunidade histórica de retomar o papel de protagonista dos destinos da nação brasileira.

PT e PSDB – partidos que dominaram o cenário eleitoral na última década – estão irremediavelmente contaminados pelas suspeitas de montagem de um esquema de financiamento ilegal de campanhas. Os mais importantes caciques dessas duas legendas estão entre os principais envolvidos nas denúncias, e dificilmente terão autoridade moral para liderar qualquer tipo de pacto político e social que possa ajudar o País a sair dessa crise. O mesmo acontece com legendas acessórias como PTB, PP, PL e outras que formaram a base do governo Lula, que, como sabemos hoje, foi montada sob o amparo da troca de favores, do fisiologismo e do clientelismo.

Dentro desse cenário, o PMDB é hoje o único dos grandes partidos brasileiros com representatividade e força capaz de liderar uma mobilização nacional para tirar o País da crise e iniciar um processo profundo de reformas capazes de devolver à população a esperança perdida pela decepção com o atual governo. Para isso, é preciso resgatar – sem saudosismo, mas como instrumento de recuperação de auto-estima e superação – os princípios que nortearam a atuação na época do surgimento do Movimento Democrático Brasileiro, à luz de homens como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Franco Montoro, Teotônio Vilela, Mário Covas e José Richa, entre tantos outros, que foram capazes de enfrentar a ditadura para devolver ao País a capacidade de sonhar e transformar à realidade de acordo com nossa própria consciência. Princípios que nortearam também a atuação de inúmeros heróis anônimos espalhados por todo o País e que se expuseram a sacrifícios pessoais, inclusive com risco de vida e de perda da liberdade, para sustentar o sonho de ver no Brasil novamente a predominância dos valores democráticos.

Só que desta vez, ao invés da anistia ampla, fim do AI-5, eleição direta, fim dos tribunais de exceção, volta do habeas corpus, e liberdade de imprensa, as bandeiras que teremos que empunhar são as do combate inequívoco à corrupção e à malversação do dinheiro público, e da defesa intransigente da moralização dos costumes políticos como forma de resgatar a crença da população na democracia.

Não há dúvida, e as urnas de 2004 mostraram isso, de que o PMDB continua sendo o partido com a maior capilaridade e organicidade em nossa sociedade. Entretanto, falta um programa, uma vontade política de definir qual o País que queremos e qual a proposta que ofereceremos aos brasileiros. E um partido da grandeza do PMDB tem a obrigação de ter um projeto de poder ou ficará a reboque dos projetos políticos dos outros, o que pode ser fatal, como bem demonstra a crise que os aliados do PT vivem hoje. No Brasil da era Lula, o medo de enfrentar um modelo econômico perverso, que nas últimas décadas produziu a pior crise social de nossa história, com empobrecimento, desemprego e generalização da violência urbana, venceu a esperança de construir um projeto próprio para se entregar a um fatalismo econômico e, o que é pior, à montagem de uma estrutura de corrupção de proporções inéditas.

O PMDB tem a capacidade de oferecer ao Brasil uma saída. Precisamos de um novo projeto nacional digno desse nome, capaz de entusiasmar as forças vivas da nação. Um projeto de desenvolvimento nacionalista para combater as políticas liberais e mostrar à população a verdadeira cara do Brasil. Que invista em obras infra-estruturais de vulto, capazes de gerar empregos, renda, poupança, e aumento do consumo.

Temos exemplos na atuação dos próprios governos estaduais e ministros do PMDB de como essa virada pode se dar. No Paraná, o governo Requião inverteu a lógica do mercado, recuperando a capacidade do Estado de governar pensando no interesse público. Gerou-se um novo ciclo virtuoso na economia, trocando impostos por empregos, e livrando-se 140 mil micros e pequenas empresas de uma carga tributária injusta e desnecessária. O resultado foi mais de 200 mil empregos formais novos em dois anos, ou 700 mil postos de trabalho, além de 100 mil novas empresas abertas no Estado.

Esse mesmo modelo de intervenção política séria, que coloca o interesse público em primeiro lugar, e a capacidade de superação de nosso povo como arma de avanço, pode ser adotado em todo o Brasil, no rumo da formulação de um projeto nacional desenvolvimentista novo. Que inclua as reformas sempre prometidas e eternamente adiadas, rumo a um sistema tributário mais simples, justo e desburocratizado capaz de incentivar o empreendedorismo e o combate à informalidade através da desoneração das atividades produtivas. É indispensável também uma profunda reforma política, com o fim das legendas de aluguel, o combate ao fisiologismo e a criação de instrumentos para a punição rigorosa dos que se utilizam de funções públicas para benefício privado.

Um projeto de País que tenha base no pleno emprego, no incentivo à iniciativa, que premie o esforço, recupere a esperança abalada pela incompetência, a inoperância e a corrupção. Que deixe para trás a política do medo, do entreguismo e da subserviência. Que sirva à inclusão social para resgatar e abrir o caminho para que o Brasil recupere sua auto-estima e cumpra o destino de grande nação, onde a medida de todas as coisas seja a dignidade e a justiça para todos. Agora é a hora. Agora é PMDB.

Max Rosenmann é deputado federal (PMDB-PR).

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