Ivan Schmidt

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Ainda resta um bom tempo para o término do mandato do governador Roberto Requião, mas como não poderia deixar de ocorrer, dada a disposição com que o próprio governador vai formulando sua agenda futura, o processo de sucessão está definitivamente lançado.

Além dos notórios candidatos que trabalham pela viabilização de suas propostas no cenário dos partidos de oposição, um secretário estadual apadrinhou o nome do vice-governador Orlando Pessuti como legítimo detentor do direito a candidatar-se ao lugar de Requião, caso este se decida por outra postulação.

Requião é um dos nomes disponíveis do PMDB para ser candidato a presidente da República (embora seu cacife nacional não seja tão amplo como alguns imaginam). Numa hipótese mais remota ainda, poderia optar por mais um mandato de senador, sobretudo se houver indícios veementes de que a possibilidade de reeleição corre o risco de abortar.

Somente diante dessa realidade é que o PMDB estaria liberado para pensar em outro candidato ao governo e, dessa forma, enfrentar o beneficiário duma provável aliança PSDB-PDT-PFL e quem mais seja habilitado pelos paradigmas da respectiva frente. Avaliada a situação nesse momento, o candidato será o senador Osmar Dias.

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Uma das complicações naturais da hipótese é a presença marcante – mais uma vez – do senador Alvaro Dias no cenário político, dada a referência de sua atuação nos trabalhos da CPMI dos Correios, como um dos mais competentes e articulados elos da corrente investigatória que desnuda, a cada dia, a escandalosa cadeia de operações ilícitas que findou por colocar o governo e sua base política num emaranhado difícil de sair.

Obviamente, esse é um encargo que a frente oposicionista deverá resolver com cuidado, vez que qualquer ruptura da construção partidária em perspectiva deverá constituir-se prova da incapacidade de comando e, mais sintomático, que decisões extemporâneas e/ou personalistas continuarão atropelando o processo. A oportunidade é das mais propícias para a retomada do Palácio Iguaçu, de modo que o raciocínio lógico contempla a tese da aglutinação de forças em torno da solução ungida pelo chamado consenso das bases, hoje, em clara sintonia com a candidatura de Osmar.

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A condução do processo, pela banda do tucanato paranaense, está a cargo de Euclides Scalco, Beto Richa, Hermas Brandão e Valdir Rossoni, ao que parece avalistas duma chapa encabeçada por Osmar Dias e Gustavo Fruet. O prefeito Beto Richa, segundo informações da imprensa, prefere esperar um pouco mais para expor em definitivo o seu pensamento, argumentando que o próprio PSDB possui nomes à altura de figurar na chapa indicada para a disputa do governo.

O quadro em montagem reserva espaços para o PT e o PPS, ficando de fora PTB, PL e PP, por força da exacerbada exposição advinda do escândalo da apropriação de recursos financeiros do valerioduto, agravante que vai dificultar, sobremaneira, a aceitação dessas legendas na formação das coligações partidárias do pleito de 2006. O PT, também enxovalhado no patrimônio da ética, moeda sempre oferecida para demonstrar seu diferencial qualitativo, talvez se arrisque a participar com a candidatura do senador Flávio Arns, verdadeiro azarão de 2002, cuja disponibilidade de disputar o governo em nome do partido no próximo ano não o retira da vida pública porque terá, ainda, a metade do mandato a cumprir.

Rubens Bueno vai de novo para a estrada em busca de mandato eletivo, calcado nas últimas campanhas bem-sucedidas com base na proposta do voto limpo, item que o eleitor deverá priorizar, como jamais o fez, na próxima vez que desembolsar o título e rumar para a seção eleitoral.

Apesar da dificuldade econômica, Requião está fazendo um governo positivo no campo das pequenas obras. O governador tira bom proveito da tese amplamente aceita há vinte anos que ?ser pequeno é ser bonito?. Seu programa de recuperação de rodovias estaduais é exemplo alardeado em prosa e verso, posto que impedido por circunstâncias superiores a seu nível de competência, de submeter ao talante de sua vontade as tarifas do pedágio. Está também na iminência de perder a briga com os exportadores de soja transgênica, aos quais vetou o Porto de Paranaguá em aberta desobediência à Lei de Biossegurança. Ainda assim, tem a seu favor o apoio entusiasta da massa eleitoral dos médios e pequenos municípios.

É o nome mais forte que o PMDB tem para a sucessão e, sabidamente, osso duro de roer na disputa pelo voto. As últimas campanhas mostram isso e antecipam o renhido combate para o qual o Paraná se prepara com vívido interesse.

Ivan Schmidt é jornalista.