Hélio Duque
?Pelas origens familiares, formação pessoal, experiência política, representais, exemplarmente, a mineiridade, o espírito da terra e do povo de Minas. Sois hoje para os mineiros um homem cujo passado, presente e futuro inspiram confiança e credibilidade ao povo montanhês. E na medida em que a credibilidade nos mineiros é importante para os brasileiros de outros estados, nestes tristes tempos de decepcionado espanto, levareis aos meios federais a útil mensagem de nossa advertência. A credibilidade e a confiança são as fontes da esperança. A hora que vivemos neste Brasil confuso, temeroso e descrente, é austera e grave, prenhe de angústias, incertezas e receios.?
Em 1983, Afonso Arinos de Mello Franco em magistral discurso, na Academia Mineira de Letras, saudava o novo acadêmico Tancredo Neves, já governador de Minas Gerais, com essas palavras, enaltecendo o mineirismo cultural e a mineirice política. Hoje, passado tanto tempo, o discurso para o avô serve como luva para o neto: Aécio Neves.
Convivi e tive amizade política e pessoal enriquecedora com o saudoso Tancredo Neves. Com ele aprendi e faço lema de vida este pensamento de Kant: ?Todas as coisas podem ser comparadas, podem ser trocadas e têm um preço. Aquelas que não podem ser comparadas e não podem ser trocadas, não têm preço, mas dignidade: o homem?. Dentre outros, um dos motivos que me levaram a não disputar o 4.º mandato de deputado federal foi a frustração da sua morte às vésperas da posse na Presidência da República. Após tantos anos de luta contra o autoritarismo, assumia a presidência um dos baluartes do autoritarismo: José Sarney.
Hoje, mais de duas décadas depois, o governador Aécio Neves administra, pela segunda vez, Minas Gerais e o faz com o talento e competência expressados em mais de 70% de apoio do seu povo. O estimado Aecinho, a quem conheci como secretário do avô, é o exemplo acabado de um político austero e consciente de um novo tempo brasileiro. Administrador de uma nova escola, onde o saneamento das finanças públicas e a prioridade nos investimentos na infra-estrutura estatal são metas inegociáveis, recolocou o seu estado em um padrão de seriedade e respeito ao dinheiro público exemplar. Credenciando Minas Gerais a ser um foco de atratividade nos investimentos privados internos e externos que transformou sua realidade econômica em autêntica locomotiva do desenvolvimento.
Não existe nenhum estado que represente tão bem a síntese nacional como Minas. Tancredo Neves tinha uma definição para essa realidade: ?Nós vivemos onde termina a riqueza do Sul e começa a pobreza do Norte?. É um verdadeiro mosaico brasileiro. A prosperidade do Triângulo e do sul de Minas tem a sua antítese no Vale do Jequitinhonha; a industrialização pioneira da Zona da Mata se integra à riqueza mineral da região central. Minas não é uma, são várias. Administrar com inegável êxito tão diferentes realidades é trabalho para estadista. O que Aécio Neves vem demonstrando ser.
A sua própria origem genética sintetiza a mineiridade. Pela origem materna, sua mãe é filha de Tancredo. Pelo lado paterno, seu avô era Simão da Cunha, um grande parlamentar na Constituinte de 1946 e de muitos mandatos na Câmara dos Deputados. O seu pai, Aécio Cunha, foi colega de parlamento e ativo homem público. A essa origem notável, Aécio Neves preparou-se como economista e grande vocação pública para ser o homem político que as terras das Gerais, orgulhosa, oferece para enfrentar os grandes desafios com que a sociedade brasileira se defrontará nos próximos anos.
O Brasil está vivendo um tempo de utopia invertida, onde a crise de valores remete a um verdadeiro apagão mental que amortece as consciências críticas em nome de um populismo assistencialista perenizador da miséria e da servidão humana. Não se constrói uma nação com multidões aclamadoras, mas buscando reduzir as desigualdades sociais, substituindo os discursos e gritarias inconseqüentes pelo desenvolvimento integrador. Fazendo da administração dos interesses públicos um exemplo de boa capacidade gerencial, onde o combate aos desperdícios e a guerra sem trégua contra a corrupção têm de ser permanentes.
Exatamente o que vem sendo feito na vitoriosa governança de Minas Gerais. Não se deve registrar essa realidade como elogio, mas compromisso elementar de todo homem público comprometido com a melhoria da qualidade de vida do seu povo. Não é virtude, é dever primário. São credenciais conquistadas pela visão consciente e de administrador público moderno de Aécio Neves. Oxalá para o futuro o folclore mineiro produziu esta quadrinha que haverá de ser muito popular no Brasil: ?Minha gente vou-me embora / Mineiro está me chamando / Mineiro tem esse jeito: / Chama a gente e vai andando?.
Hélio Duque é doutor em ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Foi deputado federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.