Administração democrática

Feliz é o administrador público que procura formar a sua equipe de governo com colaboradores que sabem com talento e competência enfrentar as circunstâncias do tempo. Fazendo do ato de governar a permanente busca da construção de instituições públicas transparentes. Assegurando base sólida para o atendimento às demandas impostas pela sociedade. Que se refletirá em satisfação e aprovação. Igualmente buscando corrigir e atacar de frente as demandas não atendidas e que geram insatisfação na comunidade. Evitando o bate-boca menor, não aceitando penetrar no terreno estéril do confronto que não emociona, senão as mentalidades adeptas do autoritarismo primário e inconseqüente.

Não se administra a estrutura pública com arrogância e infundindo medo à equipe de colaboradores. Esse é o perfil das administrações nefastas, onde prevalecem o despreparo, a incompetência e a subserviência. Onde o princípio lógico da autoridade é substituído pelo autoritarismo psicótico de personagens inseguros e desqualificados. O exercício da autoridade democrática é princípio inegociável no exercício da atividade pública ou mesmo privada. Ou até nas relações familiares. O diálogo, muitas vezes nem sempre cordial, deve ser travado com civilidade e respeito. A necessidade de substituir auxiliares deve se processar sem traumas ou rancores odiosos.

Para que isso aconteça, o administrador público não pode ser omisso com quem transige ou mostra inadequação no atendimento às demandas da sociedade. O homem público investido, pelo voto, na missão de governar não pode esquecer que tem um patrão: o povo que o escolheu. E tem prazo limitado para a execução das suas propostas aprovadas no processo eleitoral.

No Paraná, com simplicidade e firmeza, o prefeito de Curitiba, o engenheiro Beto Richa, vem mostrando como é importante um administrador público que sabe formar equipe de governo. Dotado de herança genética de formação democrática oriunda do saudoso José Richa, o filho se mostra herdeiro à sua altura. Exercendo mandato à frente da metrópole curitibana apoiado e reconhecido por 78% da sua população, segundo pesquisas. Essa expressiva aprovação é decorrente da ação empreendedora e presente no cotidiano da sua gente executada pela sua equipe de governo.

Longe da unanimidade, que é indesejada, a oposição à sua administração, ante a disputa eleitoral do próximo ano, deve ser vigilante e responsável. É da essência da democracia. Contudo, não pode ser leviana e despreparada. Recentemente um dos porta-vozes da oposição de ocasião afirmava que em Curitiba prevalece a falta de infra-estrutura em todos os níveis. Certamente confundiu Curitiba com Bagdá, onde a infra-estrutura está arrasada pela guerra.

A administração do prefeito Beto Richa carrega algumas simbologias. Uma delas é fruto do planejamento urbano nascido há várias décadas pelo pioneiro trabalho do arquiteto francês Agache e que teve adequações inovadoras em diferentes gestões. Entre as nove principais regiões metropolitanas brasileiras (e conheço todas) a situação da área curitibana é aquela que tem melhor base estrutural. Uma outra, é a qualidade média dos servidores municipais, dotados de indiscutível formação profissional de servir à comunidade com enorme dedicação.

Herdeiro dessa realidade, o prefeito com sabedoria agregou à sua equipe vocações públicas imbuídas de modernidade e espartana dedicação, objetivando servir ao bem comum. Para atender e cumprir um programa de governo exitoso é fundamental ter as finanças públicas equilibradas. E com criatividade e competência buscar recursos, em organismos nacionais e internacionais, para os investimentos que resultarão na melhoria de qualidade de vida para os habitantes. Sabiamente o prefeito, ao entregar a secretaria de finanças ao economista Luiz Eduardo Sebastiani, agregou talento, seriedade e competência. Qualquer administração começa a desmoronar quando tem as suas finanças desequilibradas, passando a colecionar déficits recorrentes. É uma área que não admite improvisações ou vontades prevalentes.

Economista moderno e criativo, Luiz Eduardo Sebastiani, atualizado com o seu tempo, vem se revelando um administrador público que haverá de agregar a sua inteligência em outras esferas para o bem do Paraná, em futuro próximo. Mérito do prefeito Beto Richa ao convocá-lo para a sua equipe. Ainda recentemente, a Prefeitura curitibana, em concorrência pública, recebeu mais de 140 milhões de reais do Banco Santander-Banespa pela venda de direitos, por prazo determinado, de as contas municipais serem alocadas naquela instituição financeira. Para se ter uma idéia da dimensão dessa transação, a conta do município de São Paulo na mesma instituição teve o valor de 500 milhões de reais. Indiscutivelmente, a Prefeitura de Curitiba foi mais competente. São recursos extra-orçamentários que serão revertidos em investimentos públicos.

É o retrato sem retoque de uma administração democrática.

Hélio Duque é doutor em ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Foi deputado federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.

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