Houve, há algum tempo, uma instituição católica com uma única central de informação, e funcionava perfeitamente bem. Essa central era o secretário irmão Luiz Albano, e a instituição, a Faculdade Católica de Filosofia, Ciências e Letras, anexa ao Colégio Santa Maria. Ficava ali na Rua Quinze, 1060, em frente de onde, mais tarde, viria a ser construído o Teatro Guaíra, no centro de Curitiba.
Foi ali que teve início a carreira de muitos jovens e entusiasmados professores, orgulhosos de pertencer a uma instituição educacional católica e marista, incentivados pelo trabalho dinâmico de irmão Albano. Com sua memória prodigiosa, era ele quem conhecia os alunos, sabia seus nomes. O mesmo acontecia em relação aos professores. Por admiração, e como recompensa pelo tratamento que recebiam, alunos e professores eram admiradores incondicionais do professor Albano. Ele era modelo, paradigma, como se diz hoje.
Pessoalmente, aprendi muito com irmão Albano. Aprendi a continuar a ser comedido em tudo, trabalhando sempre com profissionalismo, mas com espírito empreendedor. E talvez aqui o termo tenha mais de um sentido.
Inclusive amava o que eu fazia. Ensinava com amor, e ainda não conhecia Paulo Freire.
A Faculdade Católica de Filosofia, Ciências e Letras expandiu-se, assumiu as feições de Universidade Católica do Paraná – UCP. Mudou-se para o Prado Velho, construiu blocos, o primeiro foi o amarelo -Centro de Teologia e Ciências Humanas. Este com o futuro Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia, o azul, e depois, o verde – Centro de Ciências Biológicas e da Saúde constituíam, acrescidos de novos cursos, o que havia sido o núcleo central da antiga faculdade: Filosofia, Letras, Matemática e História Natural.
Então irmão Albano era o vice-reitor acadêmico. Não se dizia, então, pró-reitor, como hoje. Houve um tempo memorável, em que a UCP foi administrada por um reitor, Osvaldo Arns (leigo, mas de família de frade, irmãs, cardeal), vice-reitor administrativo Paulo Wodonos (irmão Paulo), vice-reitor acadêmico, José Cordún (irmão Albano) e vice-reitor comunitário Egídio Luiz Setti (irmão Egídio). Todos falecidos.
Não era ainda a Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR, que recebeu o título da Sacra Congregação do Vaticano, em 1985. Mas, com certeza, os méritos do trabalho realizado, justificativa da honra pontifícia recebida, se deve em grande parte ao trabalho honrado, sério e dedicado de irmão Albano. Foi um dos principais dirigentes da história e do desenvolvimento da universidade.
Irmão Luiz Albano, também conhecido por algumas pessoas pelo seu nome civil de José Cordún, faleceu na última terça-feira à noite, 27 de fevereiro. O corpo está sepultado no Cemitério Água Verde. Completaria 91 anos no próximo dia 1.º de abril. Pelo que fez na área da educação, o Paraná e o Brasil devem muito ao religioso marista. A PUCPR, ex-alunos, alunos, professores, funcionários, irmãos maristas e todos os amigos invocam a Deus que retribua em bênção, descanso e felicidade eterna pelo seu zelo educacional, ensinamentos e santidade.
Irmão Albano soube cumprir seus compromissos com a universidade, com a comunidade acadêmica, com a sociedade de um modo geral. De todos nós foi o mestre, por todos nós foi e será sempre querido. Agora, está com Deus, na companhia de São Marcelino Champagnat e abençoado pela madrinha dos maristas, a Virgem Maria. Aqui, na terra, ficam as preces e as recordações enternecidas. Descanse em paz, porque a terra será leve a um verdadeiro e eterno educador.
Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.