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Só há motivos para lamentar. Não houve nada de positivo na reintegração de posse do terreno invadido em setembro no bairro Campo Comprido, em Curitiba. A repórter Cíntia Vegas e o fotógrafo Cíciro Back, de O Estado, registraram o conflito entre os invasores e a Polícia Militar, que terminou com feridos – entre eles, mulheres, crianças e jornalistas que cobriam o que não era para ser um confronto.

Houve ações e reações, ambas desmedidas, descabidas. A polícia se apresentou não para uma desocupação, mas para uma batalha campal (que acabou acontecendo). Os líderes da ocupação passaram dos limites ao colocar crianças e mulheres como “escudos” de uma barricada humana. O resultado foi um triste retrato brasileiro da luta pela moradia.

Acima de qualquer discussão, é impossível realizar uma reforma que dê casa a todos que necessitam. A concentração de renda amplia a cada ano o número de pessoas sem teto, cidadãos que ficam à margem da sociedade. Como não entram nos programas oficiais, acabam se transformando em um grupo que luta com as armas que têm para manter suas famílias – dão a própria vida pelos seus. Quando encontram espaços livres nas cidades, ocupam mesmo.

E como não fazer? Já imaginou não ter onde morar. Há situação mais desesperadora? Ver sua esposa, ou seu marido, ver seus filhos ao relento, já pensou? Como resistir ao saber que eles passam pela mais terrível das necessidades? Definir razão neste caso é muito complicado.

Mas nada justifica a ação agressiva. Humanamente, reconhecemos a necessidade de moradia plena, mas não é possível ocupar qualquer lugar. E quando a Justiça ordena a reintegração, é obrigação cumprir – por mais que, repetindo, entenda-se a situação dos sem-teto.

E se não é permitida a ação agressiva de um lado, muito menos é do outro. A Polícia Militar não pode agir como agiu na última quinta-feira, em Curitiba. Cria maior animosidade com um movimento que tem suas razões. E coloca-se frontalmente contra os direitos humanos. A reintegração do Campo Comprido coloca na nossa cara o velho ditado: violência gera violência. Ditado que vem com a força de um soco.

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