Os leigos em economia (quase todos, inclusive quem analisa economia) não entendem. Afinal, como decisões díspares sobre as taxas de juros nos Estados Unidos e no Brasil podem ser comemoradas com a mesma intensidade pelos investidores, e provocarem uma onda de otimismo no mercado?
Pois foi exatamente isto que aconteceu com a decisão do Fereral Reserve (Fed), o banco central norte-americano, que reduziu os juros em 0,5% (de 1,5% para 1%). No mesmo dia, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve a taxa Selic em 13,75%, reafirmando a cautela da política econômica do governo Lula. Os mercados reagiram bem – no Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo registrou forte alta e o dólar caiu pelo quarto dia consecutivo.
De um lado, a decisão do Fed animou a economia. Isto pelo fato de que até mesmo os austeros senhores do banco central dos Estados Unidos perceberam que é necessária uma resposta governamental à crise. Se no projeto de ajuda aos bancos a ação foi tímida, agora os movimentos são mais acelerados e ousados. É preciso que seja assim, para que a crise não suplante os esforços que estão sendo feitos.
E de outro lado, a decisão do Copom também animou a economia. Por mais que haja a necessidade de manter o País em crescimento, o BC sabe que movimentos radicais mais atrapalham que ajudam. O Brasil ainda é vulnerável a crises internacionais. E os investidores que agem por aqui esperam, acima de tudo, austeridade dos gestores econômicos. E isto não está faltando ao presidente do BC, Henrique Meirelles.
Cabe, claro, perguntar se precisamos ainda nos submeter aos interesses dos investidores, que às vezes se transformam em especuladores. Este é o principal problema de uma economia globalizada. As nossas ações precisam ser boas o suficiente para não prejudicarem o País, mas também precisam “parecer” boas para quem está de fora. Meirelles e o ministro da Fazenda Guido Mantega, então, precisam ser como a mulher de César para manter no rumo a política econômica brasileira.