O vizinho Estado de Santa Catarina, que há décadas tem aproveitado da melhor maneira possível os atrativos turísticos disponíveis em seu território, sobretudo na região litorânea, recebeu a visita da mais alta autoridade da chamada indústria sem chaminés. Trata-se de Jean-Claude Baumgarten, presidente do Conselho Mundial de Viagens e Turismo, cuja sigla em inglês é WTTC. O executivo veio a convite da maior rede de comunicação social da região Sul, para falar aos empresários mais destacados do setor num painel realizado em Florianópolis.
A indústria do turismo é considerada uma das mais produtivas da economia planetária, tendo em vista o extraordinário número de 240 milhões de empregos gerados em toda a cadeia de transportes, recepção, atendimento e entretenimento, além de várias outras atividades afins. Baumgarten revelou que o turismo é responsável por 10% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, carreados às economias locais e regionais pelos 900 milhões de viajantes anuais que deabulam pelo mundo em busca de novos conhecimentos e emoções, obviamente além das viagens de negócios.
Um dado oportuno confirmado pelo presidente da WTTC é que 80% dos serviços de turismo são fornecidos por pequenas e médias empresas, realidade que desmistifica o errôneo conceito alimentado por muitos sobre a necessidade de ostentar um grande porte a fim de prestar bom atendimento aos clientes. O percentual de grandes empresas voltadas para o setor de turismo é de apenas 20%, dando ainda mais significado à estimativa da entidade mundial de 1,8 bilhão de pessoas viajando anualmente pelo mundo, dentro de dez anos. Essa é também a comprovação eloqüente da preferência por serviços, roteiros elaborados e atrativos de efetiva qualidade, independente do porte de quem os fornece.
De forma eficiente, o presidente da WTTC tranqüilizou os empresários do ramo turístico com uma mensagem otimista, frisando que a expansão calculada para o mesmo tem uma abundante reserva de oportunidades para os já engajados à atividade e os novos empreendedores por ela atraídos.
Todavia, Baumgarten abordou uma faceta bem conhecida: a responsabilidade dos governos no papel de indutores do processo de crescimento econômico. Os governantes das esferas federal, estadual e municipal, em primeiro lugar devem ser convencidos da importância do turismo para otimizar a captação de recursos para o desenvolvimento regional, trabalhando em conjunto com a iniciativa privada para a fixação de marcos que ofereçam segurança aos investimentos privados.
Mesmo com a vocação natural de milhares de turistas em organizar seus próprios roteiros e definir os sítios turísticos de seu interesse particular, não se pode descartar o valor da integração entre o gestor público e o empresariado no tocante à divulgação do potencial turístico disponível. Nesse aspecto, é forçoso admitir que o Estado do Paraná realizou muito mais pelo turismo que no momento atual. Não fosse a atuação isolada de alguns empresários, o turismo estaria entregue à própria sorte, recebendo visitantes cada vez mais ocasionais. Há alguns anos, as formidáveis Cataratas do Iguaçu figuravam entre os maiores pólos brasileiros de atração turística, mas aos poucos a ausência de uma política integrada mostrou-se altamente prejudicial à consagração definitiva daquele extraordinário centro turístico, que ainda assim continua a atrair viajantes de diferentes nacionalidades.
Nos últimos anos, a sociedade lamenta as pouquíssimas oportunidades em que foi cientificada da existência da secretaria estadual de Turismo, se é que a mesma já não foi extinta. O tradicional tesouro geológico de Vila Velha resiste pelo entusiasmo de poucos idealistas, assim como a fertilidade histórica do Caminho das Tropas e a beleza de nosso pequeno litoral. Temos história, natureza exuberante, gastronomia de primeira e hospitalidade. Falta-nos ação coordenada sob a liderança proficiente do governo.