Com um comunicado contundente, a Rede Globo de Televisão anunciou a decisão de não promover debates entre os candidatos à prefeitura de São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Curitiba. O motivo? A impossibilidade de realizar encontros com mais de seis candidatos, condição expressa da emissora para fazer o debate no tempo que tem – e sem ultrapassar a 0h de amanhã, quando inicia a proibição de propaganda política. A Globo tentou acordos com os candidatos nanicos e não conseguiu. O resultado foi o cancelamento dos debates, e o retorno de A Grande Família e Casos e Acasos à programação de hoje em grande parte da rede.
Em Curitiba, a não realização do debate é o golpe fatal nas pretensões da oposição ao prefeito Beto Richa (PSDB), que tenta a reeleição e é o favoritíssimo nas pesquisas de intenção de voto. Participar de um encontro na emissora de maior audiência seria a tentativa derradeira de Gleisi Hoffman (PT), a segunda colocada, em embolar o pleito e levar a decisão para um improvável (para não dizer impossível) segundo turno.
Possivelmente, animada pela pesquisa do Datafolha, que a colocou com 20% (contra 68% de Beto), a petista iria com tudo para cima do prefeito no debate, contando com a ajuda (implícita ou explícita) dos outros candidatos de oposição, Carlos Moreira (PMDB), Fábio Camargo (PTB) e Maurício Furtado (PV) – Ricardo Gomyde (PCdoB) não conta, pois está mais perto do atual prefeito nesta campanha que muitos tucanos, democratas ou socialistas. Seria uma chance de ouro para Gleisi. Seria.
Mas não tem debate na Globo, tem sim A Grande Família, que apesar do nome não é uma biografia dos parentes do governador do Estado. Beto Richa, mais uma vez, leva vantagem sem precisar fazer esforço, e dá mais um passo rumo à vitória no primeiro turno. Enquanto isto, seus adversários, com pouco tempo para “atacar”, tentam salvar o que se encaminha para ser uma derrota estrondosa – no caso do atual prefeito, uma vitória consagradora.