A vontade divina e a necessidade humana

Neste Dia do Médico, 18 de outubro, somos convidados a fazer uma pausa para refletir, reconhecer e homenagear esses profissionais pelo tanto de bem que realizam para as pessoas enfermas. Nesta oportunidade, queremos expressar de público nossa gratidão a todos os médicos, pelos serviços exemplares, disponibilidade em favor da saúde, da vida e do ensino. Queremos também homenagear a memória de tantos médicos abnegados que já nos deixaram. Nossas preces a todos que doaram e doam o melhor de si, quer como médicos quer como educadores, em benefício da formação e do restabelecimento da saúde.

Obrigado pelos dias de vida melhor que vocês proporcionam aos enfermos, acompanhantes e familiares. Deus quer vida em abundância. Estejam sempre de prontidão, para ouvir e atender chamados. Por experiência própria, é Deus, só Ele, que tem poderes para recuperar a saúde e ressuscitar. O médico, entretanto, pela sua sabedoria e atuação amorosa, pode ser elo e fazer a ligação entre a vontade divina e a necessidade humana. Quem valoriza os dons da vida e da saúde tem amor profundo pelo ser humano.

Quando cura o enfermo e ensina o aluno, o médico e o professor assumem papel e presença humana e divina. Nós podemos, sim, ser prolongamento do amor de Deus, quando damos respostas concretas à sociedade e amamos o próximo. É preciso reconhecer que para grande parte dos enfermos o hospital, o consultório e o posto de saúde são a única sala de aula. Daí a importância de agregar no processo de prevenção e recuperação também boa dose de aprendizagem e informações que podem ser aplicadas no dia-a-dia.

Atendimento integral à saúde não é só direito dos cidadãos, mas parte essencial da vida das pessoas, sem qualquer distinção. Embora o atendimento de qualidade seja prerrogativa universal, infelizmente, sabe-se que os resultados dos avanços científicos e das descobertas tecnológicas poucas vezes servem de forma equânime toda a população. Bom atendimento acrescido de inovação, modernidade, ensinamentos apropriados e desenvolvimento de pesquisas científicas são propriedades determinantes da qualidade médica e hospitalar. As ações dos profissionais e dos gestores da saúde têm valor maior quando previnem, recuperam e salvam vidas.

Graças ao agir com determinação e diligência dos médicos, como operários e operadores da saúde, os quatro hospitais que integram a Aliança Saúde PUCPR-Santa Casa de Misericórdia de Curitiba estão alcançando padrões elevados de credibilidade social, admiração da população e das autoridades públicas. Ao mesmo tempo, têm oferecido ambiente estimulante de trabalho e convivência cordial e produtiva. Quantos milhares de pessoas marginalizadas social e financeiramente, quantos mendigos, quantos enfermos teriam sido vítimas, se não tivessem acesso às Santas Casas, por exemplo? Quantos acadêmicos não teriam oportunidade de elevar o seu grau de aprendizagem e aprofundamento nas investigações que desenvolvem, se não encontrassem ensino teórico e prático de qualidade nestes hospitais? Eis, portanto, o grau de responsabilidade que os hospitais carregam para melhorar as condições de assistência da população enferma. Cada dia que passa, a população espera de nós, médicos, gestores, mantenedores e governantes, ações mais ágeis, eficazes e transformadoras.

Clemente Ivo Juliatto é reitor da PUCPR, provedor da Santa Casa de Curitiba e integrante da Academia Paranaense de Letras.

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