A visita do ministro

Em passagem por Curitiba, o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, o paranaense Paulo Bernardo, teve que responder sobre dois temas áridos: crise econômica e sucessão estadual. No momento, nenhum dos assuntos é muito interessante para Bernardo, já que o vendaval da economia mundial assusta o governo federal e o seu partido, o PT, está em uma encruzilhada após a fraca participação nas eleições municipais do Paraná.

Quanto à crise, Paulo Bernardo não foge da cartilha oficial. Nas matérias da repórter Joyce Carvalho, nas páginas deste O Estado, o ministro deixa muito claro que sua visão é a visão externada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva – a de que a crise não chegou, e se chegar não será tão forte quanto se comenta. Mas é certo que tanto o ministro Paulo Bernardo quanto o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sabem que é preciso contar as ações oficiais porque 2009 promete ser um ano tenso. Daí a confirmação de ontem que haverá cortes no orçamento – mas, claro, nada que afete o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nem os projetos sociais do governo.

A situação para a eleição de 2010 é também complicada. Os petistas apostavam muito em Gleisi Hoffmann, esposa do ministro, no pleito em Curitiba. Ela ficou na posição que a maioria imaginava, a segunda colocação, mas a léguas de distância do vencedor Beto Richa (PSDB). Gleisi saiu da eleição menor do que entrou -antes era a personagem que surpreendera a política paranaense ao quase vencer o experiente senador Alvaro Dias (PSDB) em 2006; agora é a candidata que disputou duas campanhas e perdeu ambas.

Assim, o PT ficou sem um nome forte para disputar o governo do Estado. Sabe que não pode se aliar com o PMDB, pois a ligação foi prejudicial. Especula um acordo com o PDT, lançando o senador Osmar Dias para o governo, mas este não pretende se afastar da aliança que reelegeu o tucano Beto Richa em Curitiba. Poderá caber a Paulo Bernardo a responsabilidade de ser o candidato petista – e aí a gestão da crise econômica pode se misturar profundamente com a sucessão estadual.

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