Hoje, Roberto Carlos comemora oficialmente seus cinquenta anos de carreira em um show no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, com público estimado em sessenta mil pessoas. O cantor e compositor atinge um ponto especial na carreira com outro número expressivo são, pelo menos, 34 anos como o artista mais popular do País. Não há paralelo a ser traçado em nenhuma outra nação com uma indústria cultural tão grande.
O segredo de Roberto é ser a voz do Brasil. Ninguém consegue traduzir o “brasileiro comum”, o homem cordial definido por Darcy Ribeiro. Acima de tudo, somos dolentes, românticos e derramados. Temos uma tristeza na alma. E é justamente isto que o “Rei” traduz em suas canções, e é por isso que temos canções dele no inconsciente.
Não seria loucura falar que ele é fundamental na compreensão do Brasil contemporâneo. Como explicar o que vivemos nos últimos 50 anos sem falar em Quero Que Vá Tudo Pro Inferno, As Curvas da Estrada de Santos, Jesus Cristo, Detalhes, Amigo e Emoções? Mesmo assim, há quem não consiga admitir a importância dele como artista e como protagonista da mais radical mudança de costumes da nossa juventude.
Desde quando apareceu, como ícone da Jovem Guarda, até hoje, Roberto Carlos convive com diversas acusações – de ser alienado politicamente, de não cantar a realidade, de não ter uma voz límpida, de não ter bom repertório, de ser um compositor repetitivo, de ser brega e cafona. Ele passou por todas, até porque tem hoje a respeitabilidade da maioria dos colegas. Principalmente daqueles que foram considerados “contrapontos”, como Rita Lee, Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil (e os que já partiram, como Tom Jobim e Elis Regina).
Passar por tantas críticas – que ainda persistem, pois para alguns renegar sua música é mostrar “independência” e “rebeldia” – e pelos dramas pessoais já faria de Roberto Carlos uma pessoa elogiável. Hoje, no entanto, se percebe a grandeza da obra dele e do parceiro Erasmo Carlos como uma das mais importantes da história da música brasileira.