Ontem, o deputado estadual Antonio Belinati (PP) jogou sua última ficha na mesa. Sexta-feira, foi divulgada no Diário da Justiça a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que cassou a candidatura dele à prefeitura de Londrina – vencedor nas urnas, ele perdeu no “tapetão” e agora vê os deputados federais Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT) se prepararem para a campanha do novo segundo turno, marcado para o dia 29 de março.
A cartada de Belinati é um recurso que será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A última instância da Justiça brasileira vai entrar em uma história que já toma sete meses, que paralisou a segunda maior cidade do Estado e coloca o Paraná em suspense, pois a prefeitura de Londrina é, proporcionalmente, o terceiro cargo mais importante na nossa política.
E pode ser ainda pior. A ida de Belinati ao STF pode gerar uma tremenda confusão institucional – maior do que já se vive na cidade, desde o dia 1.º de janeiro com prefeito interino. Como contou o repórter Roger Pereira, na edição de sábado de O Estado: “É praticamente impossível que o Supremo julgue o recurso de Belinati antes da eleição suplementar marcada para o dia 29 de março. (…) Se o Supremo devolver as condições de elegibilidade a Belinati, a eleição de 29 de março perde o efeito e o pepista assume a prefeitura. A situação complicaria ainda mais porque os dois candidatos do novo segundo turno são deputados federais e o vencedor da eleição terá de renunciar a seu mandato na Câmara para assumir o município, correndo o risco de ficar sem nenhum dos dois cargos”.
O que, portanto, é a última chance de Antonio Belinati, é a possibilidade de uma confusão interminável em Londrina. Confiante em sua tentativa, o deputado estadual está se mantendo distante do novo segundo turno, mas torce discretamente por Barbosa Neto – que sonha em tê-lo ao seu lado nos palanques. Mas Belinati não pensa nisso, e se aferra à hoje tênue possibilidade de reverter no Supremo a decisão do TSE. E como tudo é possível, ele tem todo direito em acreditar em uma reviravolta.