A semana que passou marcou a irritação de um dos mais importantes e famosos blogueiros da imprensa brasileira. O jornalista esportivo Juca Kfouri expôs sua raiva e sua decepção com os comentários dos internautas – e, ao mesmo tempo, reforçou sua liberdade de opinião. Era a discussão sobre a briga no estádio do Morumbi, em São Paulo, após o jogo entre São Paulo e Corinthians, sobre a qual manifestou sua opinião.
As reações foram as mais disparatadas, quase todas beirando a ignorância. Duas foram citadas pelo jornalista. A primeira: “Juca Kfouri, você é um afinão (sic) e frouxo. Tá (sic) com medinho da força do São Paulo?”. A segunda: “Juca, que decepção! Tá (sic) com medo da Fiel?”.
Hoje, a internet é a mídia mais democrática. É a que permite o comentário instantâneo, é a que possibilita a construção pública da informação, é a que mais cresce. Mas, ao mesmo tempo, os preconceitos e os “fundamentalismos” estão inundando os sites de notícias e os blogs. Não se pode ser simplesmente contra ou a favor, há que ter atitude desesperada para proteger seus interesses.
É assim no site Paraná-Online, do Grupo Paulo Pimentel. É assim nos portais Terra, UOL e Globo.com. Também é em blogs como os de Juca Kfouri, Ricardo Noblat, Paulo Henrique Amorim, Mino Carta (que até abandonou a internet). E também nos locais, como no do colunista de O Estado Fábio Campana e mesmo dos torcedores Kleber Assunção, Leandro Requena e Sérgio Bello, que fazem o programa Tribuna no Futebol, da Rede Independência de Comunicação (RIC).
É só ler. Se o internauta é do PT, não só defende o partido como destrata a oposição ao governo Lula, principalmente PSDB e DEM. Se é correligionário do governador Roberto Requião, desanca sempre que possível as atitudes do prefeito de Curitiba, Beto Richa. Se torce para o Atlético, quer ver o pior de Coritiba e Paraná Clube.
Intolerância que não tem fim. E que chega às raias da loucura, com pessoas ameaçando outras de morte através de declarações desaforadas. A tensão da internet, aos poucos, está tomando as ruas. E isto é tremendamente perigoso.