“Sabonete contaminado em hospitais de Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Hospital de Foz do Iguaçu, na região oeste do Estado, com risco de ter o centro cirúrgico fechado. E, alardeado pelo governo do Estado na sua recente inauguração, o Hospital Regional do Litoral, em Paranaguá, patina no atendimento. Essas são apenas algumas das últimas situações que se proliferam pelo Paraná, noticiadas nas últimas semanas.”

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A principal matéria da edição de domingo de O Estado, assinada pela repórter Luciana Cristo, retrata uma triste verdade da saúde pública no Paraná. Casos inacreditáveis que abundam nos hospitais, postos de saúde e casas particulares que deveriam cuidar de nossos doentes, mas que na verdade apenas os deixam mais perto do fim. É como se nossa saúde, no final das contas, estivesse doente.

O caso do sabonete contaminado em Ponta Grossa beira o ridículo. Principalmente porque não foi uma situação fortuita, e sim uma descoberta de irregularidade no Hospital Municipal, no Hospital da Criança e em três Centros de Atenção à Saúde (CAS). Imaginar que justamente o elemento fundamental da assepsia em uma casa de saúde está infectado por bactérias é pensar em algo que só imaginávamos acontecer nas novelas da televisão. Mas aconteceu, e foi perto de todos nós, paranaenses.

E os problemas poderiam ser minorados com soluções simples. A principal delas é a fiscalização dos hospitais. Sim, pois apenas o acompanhamento regular das casas de saúde evitaria situações insólitas como a de Ponta Grossa. E aí, aqui no Estado, a responsabilidade é do governo estadual – que também falha, ao não dar padrão de atendimento aos pacientes que estão indo ao hospital de Paranaguá.

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Não cuidar da saúde é um erro crasso da autoridade pública. Se patinamos (usando o termo da repórter) no saneamento básico, no combate à poluição e na segurança pública, teríamos que tentar corrigir todos os erros acertando nossas contas com a saúde. Mas falhamos também. E criamos um perigoso círculo, que acaba afligindo principalmente os mais necessitados, verdadeiras vítimas da falta de responsabilidade de quem governa.