Ontem, a cidade de Foz do Iguaçu, tão pródiga em recursos naturais, recebeu tucanos de várias plumagens. Desde os mais simples até os mais importantes, como os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, e também o prefeito de Curitiba, Beto Richa. Todos na Tríplice Fronteira para o Seminário Agricultura e Agronegócio no Brasil, promovido pelo diretório nacional do PSDB. O encontro serviu para mostrar a força do partido, e para literalmente “ocupar espaço” no interior do País.

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Sim, porque apesar de todo o potencial turístico de Foz, ela é uma cidade do interior. E polo agroindustrial do Paraná, cidade principal de uma região (oeste do Paraná) que tem o agronegócio como principal veículo de desenvolvimento. Interessante que o seminário aconteceu exatamente na semana em que outros dois partidos quiseram levantar a bandeira dos agricultores – o PMDB, através do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e o DEM, através da senadora Kátia Abreu (TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA).

E o PSDB, que sempre teve dificuldades em penetrar nos grotões, está acertando a estratégia, não somente para se posicionar claramente na crise que envolve o agronegócio e os defensores do meio ambiente, como ter uma postura mais agressiva no interior do País. Fortes nas capitais, os tucanos precisam de apoio nos estados para chegar mais longe em uma campanha tão ampla como a das eleições do ano que vem – pois não terão nenhuma carta na manga nesta disputa, como foi o Plano Real nas duas vitórias presidenciais de Fernando Henrique Cardoso.

Daí a reunião do PSDB, que poderia ser muito bem em Brasília, vai parar em Foz do Iguaçu, inclusive com as presenças dos presidentes nacionais do PPS, Roberto Freire, e do DEM, Rodrigo Maia. E os líderes do partido (nacionais e estaduais), também precisando ocupar espaço no jogo sucessório, foram correndo para lá. Aécio Neves e José Serra, que vivem hoje interessante disputa de bastidores, chegaram juntos para reforçar a unidade do partido – que se dissolve no momento em que se discute quem será o candidato à presidência.

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Eles ainda precisam acertar todos os ponteiros. Hoje, os governadores de Minas e de São Paulo estão mais afinados que nas campanhas de 2002 e 2006, e o próprio Aécio admite que a vez, de novo, é de Serra. Daí o fato de encontrá-los juntos com mais assiduidade. Mesmo assim, o tucano mineiro, bem ao seu estilo, mantém suas esperanças, sabendo que ainda há muito tempo até a eleição. O tucano paulista, em contrapartida, joga rápido porque precisa polarizar logo o duelo com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

E por aqui? A disputa é aberta, e o repórter Roger Pereira contou na edição de ontem de O Estado: “O presidente estadual do PSDB, deputado Valdir Rossoni, disse que a presença de Beto Richa como o único prefeito entre os governadores, senadores e deputados palestrantes não está relacionada à pré-candidatura ao governo. ‘Ele estará lá pelo prestígio que tem, que conquistou na prefeitura e, principalmente, nas últimas eleições’, afirmou Rossoni”.

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O deputado disse sem dizer, confirmou negando. Ele, aliado de primeira hora do prefeito de Curitiba, garantiu que não há preferência a Richa, mas sim “prestígio conquistado na prefeitura e nas últimas eleições”. Portanto, por ser o político do PSDB mais importante do Estado, na visão do presidente estadual do partido. Mas, também interessado, o senador Alvaro Dias também foi a Foz do Iguaçu, para manter viva a chama de sua pré-candidatura. O prefeito e o senador farão, logo, o mesmo jogo que Aécio e Serra ora fazem. Espera-se que, tal como no duelo nacional, mantendo a unidade tucana.