Que semana para a Justiça paranaense. Em apenas cinco dias, ela julgou algumas vezes o mesmo caso o pedido de afastamento do conselheiro Maurício Requião do Tribunal de Contas do Estado (TCE), por impossibilidade de julgar. A legislação impede que conselheiros julguem contas de municípios em que seus parentes tenham recebido mais de 1% dos votos. A alegação do pedido aceita inicialmente pelo juiz Marcelo Teixeira Augusto está no fato de o irmão do conselheiro, o governador do Estado, ter obtido mais de 1% dos votos em todos os 399 municípios do Paraná na última eleição, em 2006. Assim, não haveria como Maurício julgar qualquer caso.

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Mas a decisão durou pouco. Ontem, o caso estava no Tribunal de Justiça, por conta de um agravo de instrumento. O juiz relator Xisto Pereira (substituindo o desembargador Salvatore Astuti) acatou a tese do “primeiro-irmão” e do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Nelson Justus (DEM), notificado por ter sido o comandante do processo eleitoral que levou Maurício para o TCE e reconduziu o jovem Requião para o tribunal, como se nada tivesse acontecido.

Rápido, não? Foi algo tão breve que deve ter surpreendido até mesmo os áulicos do mandatário do Palácio das Araucárias. Eles sabem, cada um a seu modo, que a Justiça tem tantos processos que algumas decisões demoram anos para serem tomadas. Quantas pessoas esperam por uma decisão, que pode mudar vidas para o bem ou para o mal? Será que elas seriam beneficiadas caso fossem irmãs do governador (por sinal, o jornalista Ricardo Boechat disse, na rádio BandNews, que gostaria de se chamar “Ricardo Requião” para garantir uma “boquinha” no governo do Paraná).

Enquanto isso, o governador festeja mais um triunfo de seu governo “democrático”. Um governo que segue sem aceitar a contestação ou a crítica, que parece existir apenas para facilitar a vida de quem o apóia e que não mede esforços e palavras para tentar destruir quem eles acreditam ser inimigos. E o povo do Paraná fica na mão.

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