A queda dos pre

Uma redução expressiva nos preços dos alimentos. Foi o que se detectou na pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), apontando queda de 5,88% no mês de agosto, mudança significativa se compararmos com a alta de 7,35% em julho. É um índice que alivia muito as contas dos paranaenses, que estavam sofrendo com as seguidas altas da cesta básica.

É certo que a tendência de baixa, apontada pelos pesquisadores do Dieese mesmo em junho, tem a ver com o início da safra e como os produtores tiveram êxito este ano, seria natural a queda dos preços. Mas como a economia brasileira às vezes não trabalha na antiga lei da oferta e da procura, é sempre melhor esperar as reações do mercado. Mesmo que seja o mercado mais simples, a feira.

E é na feira que se registrou a deflação paranaense. Nos preços dos alimentos mais simples, os treze que compõem a cesta básica. O tomate, por exemplo, teve queda de 35% em seu valor. Convenhamos, cobrar R$ 3,60 pelo quilo do tomate era uma loucura. Agora, caiu para R$ 2,34, em media valor ainda irreal, mas que vai se aproximando do que deve ser cobrado.

O problema da “cadeia alimentar”, desde o produtor até o consumidor, é que apontar culpados é praticamente impossível. Como querer reclamar do agricultor, que é quem mais sofre? Ele tem as intempéries, as dificuldades, as pragas, os insumos, e ainda o imponderável a atrapalhá-lo. Os intermediários, que poderiam ser alvos de certa indignação, lidam com uma cada vez menor margem de lucro. E os vendedores, dos mais simples aos mais elaborados como os hipermercados também precisam de determinado lucro para manter seus negócios.

Permeando toda essa cadeia está um culpado em potencial: o imposto. A cascata de tarifas sai da terra junto com os alimentos, e é “deglutido” metaforicamente no nosso pão de cada dia. Se a queda dos preços é evidente, poderia ser ainda maior caso os governos percebessem que diminuir a carga tributária pode representar ganho de receita, pois preços menores significam mais compras, mais dinheiro correndo e, claro, crescimento da economia.

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