Clemente Ivo Juliatto
As instituições de ensino superior concentram o pensamento avançado e são as fiéis depositárias da grande herança cultural e do saber acumulado pela humanidade. As primeiras universidades nasceram à sombra das catedrais. Eram todas universidades católicas. Algumas delas beiram quase um milênio de existência, como as de Bolonha, Paris e Oxford. Nota-se, assim, o papel secular desempenhado pela igreja na educação, na cultura e na promoção dos valores humanos. A igreja acredita que é preciso educar integralmente todas as pessoas, como afirma a Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae. Esse documento abre o seu primeiro parágrafo referindo-se à universidade católica como ?nascida do coração da igreja?.
Essencialmente, a universidade é uma comunidade de mestres e discípulos irmanados na busca da verdade e da sabedoria. A todos os professores e aos estudantes de nível superior, dirijo-me com especial carinho e lhes faço um apelo: Estejam conscientes de que vocês, e principalmente vocês, fazem a diferença na universidade. Cada um realizando aquilo que lhe é próprio, mas todos perseguindo os mesmos propósitos.
Há dois mil anos, Cícero perguntava a seus pares se existia algo melhor a fazer em favor da República do que educar a juventude. O historiador inglês Herbert George Wells, após analisar a evolução da nossa civilização, dava razão a Cícero, ao concluir: ?A história humana torna-se cada vez mais uma corrida entre a educação e a catástrofe?. Outro expoente das letras e do pensamento, já nosso contemporâneo, o imortal escritor Jorge Luis Borges, refletindo sobre a mesma pergunta, ensaiou uma resposta: ?Não sei se a educação pode salvar-nos, mas não conheço nada melhor?. Pelas suas palavras, parece que ainda paira um resquício de dúvida que é desfeita com a voz abalizada da Unesco, que arremata: ?A educação é, sem dúvida, o maior investimento que uma nação possa fazer por ela mesma e por seus cidadãos?. É por ter absoluta certeza da resposta que a PUCPR abriu três novos campi: Londrina, em 2002; Toledo, em 2003; Maringá, em 2004.
A democratização do conhecimento, a educação integral, a investigação científica e a solidariedade são, reconhecidamente, as poderosas molas propulsoras que impulsionam a evolução da sociedade e, por isso, são os seus bens mais preciosos. O conhecimento é, precisamente, a matéria-prima com que opera a universidade. A função da academia é a de guardá-lo, sistematizá-lo, expandi-lo e disseminá-lo. Em época de verdadeira explosão de novos conhecimentos e informações, como é a que atravessamos, cresce ainda mais a importância social das instituições educacionais. Por isso, a abertura desses campi universitários representa novos canteiros, onde são cultivados os pensamentos, e novos jardins, onde florescem os conhecimentos.
O cultivo do conhecimento, o trabalho intelectual, o ensino, a aprendizagem e as outras atividades acadêmicas e educativas devem ser tratados com o rigor científico e o padrão de qualidade que a dignidade e a grandeza da missão exigem. As entidades educacionais têm um compromisso explícito com a qualidade, a inovação e a sintonia social. Esse compromisso é assumido com a clientela e com a comunidade a que serve. O objetivo da educação não é só o conhecimento de fatos e a formação profissional, mas a aquisição de valores. Por isso, pode-se dizer que a qualidade de uma escola é medida muito mais pelo padrão de alunos que dela saem do que pelo perfil de alunos que nela ingressam.
Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.