A semana está agitada no que comumente se chama de “mundo artístico”. Tudo por conta do lobby feito por artistas, empresários e produtores, que conseguiu a aprovação de um substitutivo que prevê uma cota de 40% de meio-ingresso nos espetáculos de teatro e circo, shows musicais, eventos educativos e esportivos. A decisão da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal foi comemorada como a “libertação” da cultura brasileira, que estaria aprisionada pelo derramamento de carteiras estudantis falsas.

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Nesta história, há duas verdades que se chocam. Uma delas, corretamente alegada pelos artistas, é a falta de acompanhamento das autoridades quanto à distribuição de carteiras de estudantes. Qualquer pessoa, com certa facilidade, consegue uma “carteirinha” – até escolas de inglês estão distribuindo. Além das falsas, que prejudicam ainda mais quem realmente estuda e não tem o dinheiro suficiente para comprar ingressos para shows e peças de teatro.

Mas há outra, que não foi explorada – pela simples razão de não interessar aos produtores e, em última análise, aos artistas. É o preço dos ingressos, que está proibitivo. Ano passado, Chico Buarque esteve em Curitiba, e a produção determinou o preço do ingresso: R$ 340,00. Semana passada, o cantor canadense Michael Bublé fez dois shows em São Paulo. O ingresso custou R$ 1.000,00. Segundo os produtores, o preço aumentou para conter o avanço do meio-ingresso. Agora fica a pergunta: será que, com a determinação da cota de 40%, haverá redução nos valores?

A criação da cota era um fato consumado. Nos eventos esportivos, como jogos de futebol, já há uma definição específica para venda de meio-ingresso para estudantes e maiores de 60 anos (alguns clubes cobram meia-entrada das mulheres). E, convenhamos, apesar da gritaria – justa – das entidades estudantis, destinar 40% de uma carga de ingressos para as “carteirinhas” é bem razoável. No teatro Positivo, em Curitiba, por exemplo, seriam 960 dos 2.400 ingressos disponíveis. Espaço suficiente para estudantes “consumirem” cultura.

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