Rodrigo Rocha Loures

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Com um território equivalente a pouco menos da metade do Paraná e uma população cerca de cinco vezes superior, a Coréia do Sul é atualmente a 12.ª maior economia do mundo. O pulo do tigre exigiu valentia e muita inteligência para mudar uma história de dificuldades e divisão. Em 1962, a Coréia do Sul, ainda com as cicatrizes da trágica guerra que dividiu a península em dois países, deu início à implantação de seu primeiro Plano Qüinqüenal de Desenvolvimento Econômico. Na época, o Produto Interno Bruto equivalia a US$ 2,3 bilhões, o que dava um PIB per capita de apenas US$ 82,00.

Pouco mais de quatro décadas se passaram, a Coréia do Sul foi duramente atingida pela crise asiática e, ainda assim, alçou sua produção anual a US$ 925 bilhões, uma vez e meia acima do PIB brasileiro. O PIB per capita atingiu os US$ 19 mil, enquanto que o do Brasil ainda gravita em torno dos US$ 3 mil.

O que provocou essa revolução? Três fatores se destacam em qualquer análise que se faça do desenvolvimento econômico sul-coreano: altas taxas de poupança, elevados níveis de investimento e grande empenho na educação, com ênfase nas áreas de Ciência e Tecnologia. São mundialmente conhecidos o alto nível da educação oferecida pelas escolas coreanas; o empenho das próprias famílias em proporcionar a seus filhos as melhores oportunidades; e o zelo com que os jovens se dedicam aos estudos.

Recente pesquisa independente realizada entre as empresas de capital estrangeiro instaladas na Coréia do Sul – todas subsidiárias das 500 principais corporações citadas pela revista norte-americana Fortune – evidenciou que, em 70% delas, a produtividade da mão-de-obra sul-coreana foi cerca de 400% superior à média mundial, no ano de 2002. É também graças à combinação desses três fatores que a Coréia do Sul possui hoje um bom número de marcas globais próprias, indiscutível indicador de excelência mundial.

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Por outro lado, grandes investimentos na indústria siderúrgica e metal-mecânica deram-lhe a base para tornar-se a primeira do mundo em construção naval e a sexta na produção de veículos. Mas é na indústria eletrônica, principalmente nos setores de Tecnologia da Informação e de Comunicações, que a Coréia do Sul tem colhido seus maiores sucessos.

O país ativou em 1999 um plano para o desenvolvimento de tecnologias avançadas em Biotecnologia, Tecnologia da Informação, Energia Nuclear e Tecnologia Ambiental para se tornar nos próximos 25 anos um dos sete líderes mundiais na área de tecnologia. Os resultados desses esforços impactam claramente nas exportações: dos cerca de US$ 254 bilhões exportados em 2004, US$ 74,3 bilhões – quase 30% do total – referem-se a produtos ligados à tecnologia da informação.

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Apesar de a Coréia do Sul ser o terceiro maior parceiro comercial do Brasil no Extremo Oriente, nossas exportações em 2004 chegaram a apenas modestos 0,63% do total de importações do país oriental. Os produtos agrícolas, com destaque para o milho, a soja e o álcool, lideraram a pauta de exportações para aquele país, com presença marcante do Paraná nesse processo.

Não podemos nos satisfazer com tão pouco. Existem ainda enormes fatias desse mercado a serem conquistadas. Só no setor de alimentos a Coréia do Sul importa anualmente mais de US$ 10 bilhões, dos mais diversos países.

Para marcar presença precisamos oferecer produtos adequados às exigências dos coreanos, conhecer seus agentes comerciais e suas características específicas. Há peculiaridades a serem respeitadas. Como exemplo, podemos dizer que a cadeira que o Brasil exporta para a Alemanha tem dimensões diferentes do produto que deve ser comercializado no mercado asiático. A negociação com os asiáticos, de maneira geral, também é diferente, demora mais até chegar ao estágio de contrato e vendas. Entendendo isso, o brasileiro precisa estar atento para formular planos, definir metas e ter a persistência necessária para alcançar os objetivos pré-estabelecidos.

Em seu papel, a Federação das Indústrias do Paraná está realizando contatos com instituições e empresas sul-coreanas para que possamos iniciar um relacionamento mais intenso e produtivo com esse importante parceiro do Extremo Oriente. A Fiep está organizando reuniões preparatórias para o acompanhamento da missão que o governo federal organizará no final deste mês para a Coréia do Sul e Japão. Assim, vamos continuar intensificando ações para expandir nossa participação na Ásia e apoiar iniciativas que estimulem o relacionamento comercial com outros países do Oriente e também do Ocidente.

Rodrigo da Rocha Loures é presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná.