A palavra do sacerdote

O arcebispo de Curitiba, dom Moacyr José Vitti, concedeu alentada entrevista à edição de domingo de O Estado. Falou, entre outros assuntos, da Campanha da Fraternidade de 2009, que tem como tema Fraternidade e Segurança Pública, e o título “A paz é fruto da justiça”. Nada mais atual, ainda mais depois das cenas trágicas dos últimos meses no Brasil – especialmente no Paraná.

A semana que passou foi marcada pela indignação da sociedade pelo bárbaro crime ocorrido no litoral, e pela lembrança de três meses da morte da menina Rachel, encontrada em uma mala nas dependências da rodoferroviária de Curitiba.

Dom Moacyr sabe das preocupações da população. Tem os resultados de uma pesquisa feita pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que apontou a segurança (ou a falta dela) e o desemprego como os temas de maior preocupação para os brasileiros. Por isso ele toma à frente a campanha, aqui no Paraná, e inicia mais uma tentativa de mobilização.

Como dom Moacyr Vitty disse na entrevista de domingo: “Com a campanha, queremos conscientizar as nossas autoridades e o povo. Todos devem cooperar para a melhoria dessa situação”. Se a Igreja Católica, ciente de sua responsabilidade no Brasil (afinal, somos um país eminentemente católico, apesar do avanço das igrejas pentecostais), toma a iniciativa, não será somente ela a virar o jogo da violência.

Caberá a todos os sacerdotes disseminar o tema da Campanha da Fraternidade. Mas caberá a todos, católicos ou não, recebermos e entendermos o recado. “Só o fato de a igreja organizar essa campanha já é uma grande contribuição para a sociedade. Nas celebrações, nas paróquias, nas comunidades, as pessoas podem dar sua contribuição para evitar a violência proveniente das drogas, da bebida, da miséria, da fome, da falta de educação, do abandono da saúde”, diz, com razão, dom Moacyr Vitti.

Nenhuma mobilização será eficaz se nós, as vítimas da violência desenfreada, não tomarmos uma atitude a nosso próprio favor. A Igreja Católica está nos dando a chance de assumir nossa responsabilidade nesta história.

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