“A insistência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que o governador Roberto Requião (PMDB) aceite uma composição com o PDT no Paraná está ajudando a fortalecer a pré-candidatura do vice-governador Orlando Pessuti (PMDB) às eleições do próximo ano para o governo estadual. Irredutível, por enquanto, na sua decisão de rejeitar qualquer acordo que o faça dividir o palanque com o senador Osmar Dias (PDT), o candidato predileto de Lula ao Palácio Iguaçu, Requião está assumindo a pré-candidatura de Pessuti para a sua sucessão.”

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Assim começa a matéria da repórter Elizabete Castro, destaque da editoria de Política na edição de ontem de O Estado. Pressionado por todos os lados, o governador do Paraná acabou se voltando ao próprio partido e dá declarações públicas por onde passa apoiando Orlando Pessuti.

É importante lembrar que é mais que justo o interesse do vice-governador em ser candidato. Pessuti tem em currículo um grande trabalho prestado ao Paraná, que não é de hoje, é desde os tempos em que começou a militância política. Chegou ao auge da carreira, e pode sim postular o cargo de governador do Estado em 2010. É tão preparado para a função quanto os outros principais pré-candidatos – o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB) e os senadores Alvaro Dias (PSDB) e Osmar Dias (PDT).

A única coisa em que Orlando Pessuti não pode se fiar é na palavra e no apoio tão ostensivo do governador do Estado. O único interesse de Roberto Requião é garantir sua vitória no ano que vem, sendo eleito senador da República (se fosse possível imaginar outro interesse, seria o de eleger o sobrinho João Arruda deputado federal). Para isso, ele moverá céu e terra, e não pensará em ninguém, e nem mesmo no “velho MDB de guerra” para atingir seu objetivo. O “sonho de consumo” seria uma aliança com o PSDB, tendo Alvaro Dias como cabeça de chapa.

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Se for preciso, ele vai apoiar sim a candidatura de Osmar Dias, que ele tanto critica. Basta que a pressão do PT, e principalmente do presidente Lula, continue. E, então, Orlando Pessuti será abandonado sem perdão e sem pena. Daí o recado de muitos amigos do vice-governador: não acredite muito na palavra de Requião.