Aos poucos, o Brasil está conhecendo novos métodos de gestão da administração pública. Um exemplo é o anunciado ontem pela prefeitura de Curitiba, que a partir de agora define metas de execução para cada secretaria – e cada secretário teve que assinar e assumir suas responsabilidades em uma cerimônia pública. É o chamado “choque de gestão”, que acelera processos administrativos e permite que uma cidade (ou um estado, ou mesmo o País) seja conduzida como uma empresa.
A história que agora passa pela capital do Estado começa com empresários de tremendo sucesso no Brasil e no exterior. Preocupados com a burocracia, a inoperância e o excesso de taxações do poder público, alguns “benfeitores” ofereceram os serviços de seus consultores para políticos e técnicos. Entre aceitar e não aceitar, passou um tempo.
Ao assumir o governo de Minas Gerais em 2003, Aécio Neves (PSDB) chamou para ajudá-lo o consultor Vicente Falconi, um dos responsáveis “ocultos” pelo êxito da AmBev – hoje uma potência que incorporou a belga Interbrew e a norte-americana Anheuser-Busch. Deu certo. Minas passou a reduzir custos, arrecadar mais e, por consequência, investir mais em obras. Isso em um estado que vinha de uma moratória proclamada em rede nacional pelo ex-presidente e então governador Aécio Neves.
O trabalho de Falconi surtiu efeito, e outros políticos passaram a buscar seus conselhos – e também de outros consultores. O resultado disso é o surgimento de mais estados recuperados financeiramente, e com objetivos definidos e atingidos.
Curitiba entra nesta vanguarda administrativa na iniciativa do prefeito Beto Richa. Caberá aos secretários e técnicos o controle das contas públicas e, principalmente, das obras. As torneiras não estão mais abertas, agora precisam ser fechadas e não podem ter mais goteiras. Quem não cumprir as metas será cobrado e pode até perder o cargo, como acontece nas grandes empresas.
É assim que se administra o dinheiro público, que não é dos políticos, e sim de todos nós, que pagamos impostos.