Andréa Cristina Prieto

continua após a publicidade

A matemática é vista na escola como uma matéria difícil, que apenas poucos privilegiados conseguem aprender. Muitos alunos se queixam dizendo que não entendem ou não gostam da disciplina. Infelizmente, a matemática é trabalhada de forma descontextualizada, sem quase nenhuma relação com o que os alunos usam no seu dia a dia.

Uma das formas de resgatar o gosto pela matemática é a utilização dos jogos, que precisam ser vistos com mais seriedade pela escola. O uso dos jogos não deve se restringir apenas ao horário do recreio. Deve fazer parte da prática pedagógica diária adotada pelo professor.

Um bom jogo é o dominó, conhecido por inúmeros povos e apreciado por pessoas de todas as idades. Por que não resgatar essa brincadeira, meio esquecida, em sala de aula? Jogar dominó é divertido e desenvolve muitas habilidades entre as crianças. Outro jogo bacana é o sudoku, que também pode ser praticado em sala de aula. É um quebra-cabeça lógico que não exige nenhum conhecimento prévio. Não precisa nem mesmo fazer contas. Só usar o raciocínio.

Segundo o médico, psicólogo e filósofo francês Henri Wallon (1872-1962), é impossível conhecer ou educar uma criança sem saber por que e como ela brinca. Ele mostrou que, além da cabeça, as crianças levam para a sala de aula também corpo e emoções. É através dos jogos que a criança compreende a função da regra. Percebe que ela só pode jogar depois da jogada do outro, compreende que ?regras? são ?combinadas? para determinar as ações dos jogadores. E assim vai construindo atitudes sociais e morais, aprendendo a controlar seu comportamento e entendendo que não se pode ganhar sempre.

continua após a publicidade

Todo jogo deve ter regras claras para alcançar os objetivos demandados e também para que o jogador possa delinear suas estratégias de ação. As estratégias, a tomada de decisão, a análise dos erros, a capacidade de lidar com perdas e ganhos, a oportunidade de repensar uma jogada em função do outro jogador e outros momentos das partidas são princípios fundamentais para o desenvolvimento do raciocínio e das estruturas cognitivas do aluno.

O jogo motiva e desafia, pois provoca um conflito interno. O aluno precisa encontrar uma solução para o seu problema: vencer! Através do jogo, a criança aprende a lidar com suas frustrações, constrói e reconstrói sua realidade.

continua após a publicidade

A criança vê o jogo como uma brincadeira e por isso se liberta das pressões, criando um clima para experimentação, descobertas e assim passa a aprender os conceitos apresentados de forma lúdica. O lúdico deve estar presente em todo o processo de aprendizagem na Educação Básica.

Quem disse que números e medidas não podem estar inseridos num processo desafiador, em que o aluno seja levado a exercitar seu raciocínio de maneira criativa, através da interação com o outro, da verbalização de idéias, criando hipóteses e estratégias, refletindo e socializando suas descobertas?

O jogo, com certeza, cumpre esse papel.

Andréa Cristina Prieto, consultora pedagógica em matemática na Futurekids do Brasil, é pós-graduada em psicopedagogia e direito educacional.