A loucura de Ch

Hugo Chávez estava calmo. Mudara de atitude, começara a agir como verdadeiro estadista e estava sendo elogiado por isso. Até a noite de quinta-feira. De uma hora para outra, ele deu nova guinada em direção ao populismo – que, ao mesmo tempo, faz com que ele se distancie da democracia. Expulsar o embaixador dos Estados Unidos na Venezuela, simplesmente, sem uma prova concreta de que há movimentos golpistas na América do Sul, é um ato de quase insanidade.

Chávez tomou esta atitude em solidariedade ao seu companheiro Evo Morales, presidente da Bolívia, que fez a mesma coisa na quarta-feira. O incrível da história é que o presidente venezuelano, momentos antes de anunciar a expulsão do embaixador, tinha conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se colocara à disposição para participar de uma solução negociada na crise boliviana -que se agrava a cada dia. Logo depois, furibundo, mudou tudo e colocou gasolina no incêndio do continente. A ação “bolivariana” aumentou a instabilidade sul-americana e deixou os líderes dos principais países (Brasil, Argentina, Chile e Colômbia) de prontidão. Não se sabe o destino da crise na Bolívia após as atitudes atrapalhadas de Hugo Chávez e Evo Morales. O dirigente da Venezuela piorou a situação afirmando que está pronto para ajudar Morales em uma possível guerra civil. “Se derrubarem ou matarem Evo, os golpistas da Bolívia sabem que me dariam luz verde para apoiar qualquer movimento armado”, disse o presidente em mais um momento de euforia.

Azar da América do Sul. Parece claro que alguns líderes do continente não estão preparados para a oposição democrática. O que acontece na Bolívia supera isso, é uma escancarada tentativa de golpe, mas que tem que ser cuidada pelos bolivianos. Se outros países forem tomar parte, é para buscar uma solução negociada, que evite o derramamento de sangue e proteja as instituições e a população. Qualquer outra ação só prejudica o povo local. Chávez, em seu momento de loucura, reacendeu o pavio da “guerra ao imperialismo” – e em momento, para variar, inoportuno.

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