A indiscrição da sociedade

Vivemos em um período completamente diferente. A história se escreve na internet, nos blogs, nas conversas de computador, nos sites de relacionamento e nas mensagens de celular. Vivemos uma era de informação plena, de acesso universal e de livre escolha. Cada um lê, vê ou ouve o que achar melhor, sem se preocupar com horário ou censura. E, assim, ficamos à mercê da decisão da maioria -ou mesmo da minoria ruidosa.

Na semana que passou, percebemos o interesse do público pela indiscrição. Os grandes portais da internet brasileira repercutiram com intensidade o caso de uma jovem, recém-eliminada do programa Big Brother Brasil, da TV Globo, que teve um vídeo de sexo divulgado na internet. O assunto foi o mais comentado e procurado pelo público, gerando uma série de “suítes” (as matérias que repercutem um assunto inicial). Foram ouvidos psicólogos, produtores de vídeos eróticos, ex-participantes do programa e até o ex-noivo da participante, que é jogador de futebol e mora em Portugal.

Primeiro, a mídia e o público queriam saber se era a moça protagonizando o vídeo. Com a confirmação, queriam saber quem estava com ela. Descoberto o ex-noivo, aí foi a vez de todo mundo ser perguntado sobre o assunto. E, assim, a internet (e alguns programas de TV e jornais) teve produto para toda a semana.

A pergunta é aquela de sempre: a mídia explorou o caso porque o público queria saber ou o público queria saber porque a mídia explorou o caso? As duas coisas. Certamente havia demanda para os portais abrirem grande espaço para o caso da ex-participante do Big Brother. A medição de audiência é rápida – os sites acompanham a visualização das páginas e rapidamente podem descobrir o que está atraindo o público. Ninguém faz e refaz matérias sobre o mesmo fato se ninguém quiser saber.

Mas o público está cada vez mais interessado nas indiscrições alheias. É como se o império da fofoca tivesse se instalado no Brasil. Isto é bom? Certamente não. Mas é o jogo, e mídia e público estão interessados em jogá-lo.

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