A imprevisão boliviana

A Petrobras acabou encontrando na imprevisão dos movimentos do governo da Bolívia, em relação às reservas nacionais de hidrocarbonetos, uma espécie de ponto vulnerável do seu intrincado universo negocial. Depois de cerca de dez anos investindo em território boliviano, a petrolífera brasileira foi surpreendida pelas medidas do governo Evo Morales quanto à nacionalização da propriedade das riquezas minerais, e das refinarias estrangeiras instaladas no país.

A mais recente ameaça consistia na ocupação militar das instalações da Petrobras no departamento de Santa Cruz de la Sierra, caso a estatal não assinasse o termo de concordância emitido por La Paz, no encerramento do prazo estipulado, reconhecendo a soberania boliviana sobre as reservas minerais de seu subsolo.

Para evitar a repetição dos abusivos fatos recentes, a Petrobras aceitou os termos propostos, no entanto, sem abrir mão de pleitear o recebimento de justa indenização por suas instalações, além de seguir negociando também a melhor solução no arbitramento dos preços do gás natural comprado da Bolívia.

Executivos da estatal brasileira tinham consciência da provável evolução da crise desde o decreto de nacionalização das reservas anunciado em maio passado, de certa maneira, pequena derrapada no seu esforço de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias no estrangeiro.

O anúncio do governo boliviano foi feito às vésperas da Offshore Technology Conference (OTC/2006), maior evento mundial do setor petrolífero, durante o qual a Petrobras foi homenageada por sua brilhante atuação internacional.

O presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, tem repetido que a empresa não perderá absolutamente um centavo de seus investimentos na Bolívia, porque a própria Constituição do país vizinho prevê a justa indenização dos bens pertencentes a investidores de além-fronteiras, indicando a disposição de levar o problema aos tribunais internacionais.

A fim de equilibrar a oferta e a demanda de gás natural na matriz energética brasileira, face às hipotéticas surpresas de La Paz, a estatal está investindo no Golfo do México, na costa oeste da África e encetando parcerias estratégicas com a Venezuela.

Gastos acintosos

Chegam a ser acintosos, diante da penúria dos milhões de brasileiros que sobrevivem às custas do Bolsa Família, programa assistencial reputado pelos analistas políticos como fator número um para a reeleição do presidente Lula, os gastos de campanha declarados pelos deputados federais listados entre os mensaleiros.

Eles conseguiram arrecadar verdadeiras fortunas para garantir a reeleição, e o exemplo mais gritante foi dado pelo deputado Sandro Mabel (PL-GO), que gastou R$ 1.788.812 para obter mais um mandato na Câmara. A seguir, aparece o deputado paulista João Paulo Cunha (PT), cujas contas de campanha fecharam em R$ 1.594.209.

Cunha foi parar na lista dos mensaleiros ao pegar a merreca de R$ 50 mil do valerioduto, deslize que quase lhe valeu a cassação e a perda dos direitos políticos por dez anos. Mas está de volta, na companhia bela dos companheiros petistas de São Paulo, José Mentor (R$ 914.000) e José Genoino (R$ 742.661), além do baiano Paulo Rocha, à época líder do governo constrangido a renunciar para não ser cassado, cujo gasto na campanha atual foi modesto se comparado com os Midas de seu próprio partido: R$ 594.172.

Fulo da vida deve estar o Professor Luizinho (PT-SP), também de triste memória, que gastou a fábula de R$ 848.560, sem merecer, todavia, o crédito dos eleitores. Os eleitores dos demais vivem em outra galáxia, ou não viram nada condenável na atuação dos respectivos parlamentares?

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