O livro Paulo Pimentel, Momentos Marcantes, escrito pelo jornalista Hugo Sant’ana e editado pela Travessa dos Editores, lançado ontem, não conta simplesmente a história do empresário e político Paulo Pimentel. É a importante remissão de um período do Paraná, de um momento de transformação e afirmação do Estado – e também das relações entre o poder e a população, em tempos em que a soberba e a grosseria não eram importantes para líderes políticos.
A história contada por Hugo Sant’ana, e protagonizada por Paulo Pimentel, tem como ápice o período em que o empresário ascende rapidamente no cenário político, com o brilho de uma gestão na Secretaria da Agricultura que o leva para o Palácio Iguaçu. Como governador, Pimentel aproveitou a recuperação econômica do Estado e do País para tocar obras, acelerar o processo de integração estadual e criar as bases do Paraná moderno – com suas regiões fortes e interligadas, tal como acontece hoje.
Isto, é bom recordar, aconteceu em meados dos anos 60. Ainda não tínhamos a capacidade técnica para realizar certas obras, mas mesmo assim o governo estadual arriscou e foi bem-sucedido na implantação da Telepar e na consolidação da Copel. Depois de sair do governo, retomando a atividade empresarial, Paulo Pimentel integrou novamente o Estado, desta vez como proprietário de uma rede de televisão que detinha a maior parcela da audiência e o maior alcance.
Neste momento, bem-sucedido como empresário e político, ele enfrentou seus piores adversários – os generais que controlavam o País, o então presidente Ernesto Geisel e o chefe da Casa Civil, Golbery do Couto e Silva. Em manobras ardilosas, tentaram esvaziar o grupo de comunicação de Pimentel, tirando a concessão da Rádio Iguaçu e agindo nos bastidores para a retirada da programação da Rede Globo.
Apesar da pressão, Paulo Pimentel continuou, e hoje é uma personalidade reconhecida e respeitada por sua independência e correção. Motivos mais que suficientes para que sua história fosse contada e virasse livro.