Ivan Schmidt
Muitos tinham esperança na realização do segundo turno nas eleições para o governo estadual e trabalharam arduamente nesse sentido. A grata surpresa que tiveram no início da noite de domingo foi constatar a extraordinária votação obtida pelo senador Osmar Dias (PDT), cabeça de chapa da coligação Paraná da Verdade. Uma reação espetacular somente apontada pelas pesquisas do Ibope e Datafolha nos dias que antecederam a eleição, confirmada pela boca de urna e sedimentada em quase 39% dos votos válidos, à medida que pipocavam os boletins parciais do Tribunal Regional Eleitoral.
Uma escalada lenta e calculada passo a passo, com o trabalho objetivo da equipe determinada a construir um desfecho memorável, sob os auspícios de pequeno leque de apoiadores que as nuanças da política estadual e as imposições da legislação fizeram possível, deu ao senador Osmar Dias a oportunidade de disputar o segundo turno.
O grande trunfo resguardado até o momento das comemorações, pela diferença mínima entre ele e Requião, foi o anúncio do apoio do prefeito Beto Richa num dia, e no seguinte, a vinda também ansiada de Rubens Bueno. Ambos abrem a perspectiva realista do desembarque na campanha de Osmar da parte mais expressiva do PSDB, sintonizada com Beto, Euclides Scalco e Valdir Rossoni, e do PPS, que referendou o novo direcionamento com apenas um voto contrário e três pela neutralidade.
Se houve dificuldade no âmbito parlamentar e poucos deputados federais ou estaduais tiveram condições de entrar na campanha do primeiro turno, os primeiros dias da semana foram marcados por autêntica romaria ao bunker da Rua Itupava. O afastamento dos empecilhos postos pela verticalização das coligações foi superposto por uma vaga de apoios que alarmou até os mais próximos auxiliares do senador.
O intenso trabalho realizado pelos poucos deputados não amarrados pela legislação eleitoral, e é preciso destacar o esforço feito pelos federais Ricardo Barros e Dilceu Sperafico, e em igual valor os estaduais Augustinho Zucchi, Luiz Carlos Martins, Barbosa Neto e Valdir Rossoni. Dentre os prefeitos engajados na campanha, cuja contribuição minimizou o efeito midiático da lista de apoios a Roberto Requião, estiveram Sílvio Barros (Maringá), Paulo McDonald (Foz do Iguaçu), José Baka Filho (Paranaguá), Roberto Viganó (Pato Branco) e Vanderlei Crestani (Chopinzinho), entre os muitos que excederiam este espaço. Eles foram elos importantes do esforço geral, acompanhado a distância com discrição e eficiência por Luiz Sorvos, prefeito de Nova Olímpia e presidente da Associação dos Municípios do Paraná.
No segundo turno, o arco de apoios ao senador Osmar Dias se amplia em grande medida pela relevância política das decisões de Beto Richa e Rubens Bueno, imprimindo à campanha um torque a ser dimensionado já nas iminentes pesquisas de intenção de voto. No domingo à noite, o deputado federal Abelardo Lupion, presidente da executiva estadual do PFL, comunicara ao senador a opção do partido em marchar a seu lado, inaugurando o largo espectro de achegas traduzido no sem-número de deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores (a maioria da Câmara Municipal de Curitiba), e mais o reforço considerável dos candidatos não eleitos pelas coligações.
O desembarque maciço de novos cooperadores na campanha elevou a temperatura do motor, a princípio, num nível que punha em risco a capacidade de controlar idiossincrasias e administrar sutilezas. Os primeiros momentos foram de entusiasmo incontido, perfeitamente lógico para o clima que se seguiu à magnífica votação de Osmar, que aos poucos foi exercitando a capacidade de liderar. A seu lado, com a sobriedade de um mestre zen, dono da fleumática virtude de observar e aconselhar com acurácia, o ex-ministro Euclides Scalco foi, sobretudo, uma presença alentadora.
Ivan Schmidt é jornalista.