Os dias e as pesquisas passam e nada muda a eleição municipal em Curitiba. Os números do instituto Vox Populi confirmam tudo que foi apresentado nos últimos dois meses. A menos de dez dias do pleito (que é no dia 5 de outubro), o atual prefeito, Beto Richa (PSDB), que tenta a reeleição, tem 56 pontos percentuais de vantagem para sua única rival consistente, Gleisi Hoffmann (PT) – no momento, os números apontam 71% a 15% para Beto. É quase inimaginável uma reviravolta, apesar de as eleições só se decidirem na hora.

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Vários resultados surpreendentes já foram vistos em eleições brasileiras. Mas todos, sem exceção, aconteceram depois de pelo menos duas semanas de reversões de tendências. A virada mais emblemática é a eleição para a Prefeitura de São Paulo, em 1988, quando Paulo Maluf (do então PDS) era líder com sobras e viu seu triunfo virar pó após uma corrente de voto útil contra ele se endereçar para Luíza Erundina (então no PT), que virou espetacularmente e venceu.

Mas, se as pesquisas não captaram esta alteração (só havia Ibope e Gallup àquela época), percebia-se nitidamente nas ruas a mobilização pró-Erundina. Setores do PMDB e do recém-criado PSDB, já sem chances de vencer, começaram a pregar o voto anti-Maluf. A Igreja Católica, através das Comunidades Eclesiais de Base, entrou para valer na campanha apoiando a então petista. E a sensação de virada era clara às vésperas da eleição.

Hoje, não se vê isso em Curitiba – o que poderia dar alguma esperança para Gleisi Hoffmann. É certo que ela não precisa virar a eleição agora, mas necessita de um triunfo que já seria consagrador, o de levar o pleito para o segundo turno. Mas ela não conseguiu galvanizar as oposições e os indecisos para apostar no voto útil. Além disso, não se vê força para fazer isso.

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Melhor para Beto Richa, que teve um setembro “perfeito” – apoio explícito dos governadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e a transformação em estrela nacional nas reportagens de O Globo e Veja. Ele só espera que outubro continue assim.