A escola particular e os resultados do Enem

Os resultados do Enem, divulgados no mês passado, pela primeira vez foram separados por região, cidade, escola particular e pública. Das dez melhores escolas de Curitiba, sete são particulares, e no resultado médio no Brasil, elas obtiveram a nota 55,72 contra 40,25 da escola pública.

E os resultados são pouco ou nada animadores. E então por que aparecem nos primeiros lugares escolas públicas federais? Vejamos: As escolas técnicas federais são, na verdade, universidades com ensino médio e têm em sua grande maioria alunos oriundos da escola particular, ou seja, são alunos que aprenderam a estudar, são disciplinados e passaram por uma peneira de até 30 x 1 para entrar nessas escolas. São alunos nota 10, e da escola particular, em sua maioria.

O Cefet-PR, agora UTFPR, que ficou em primeiro lugar na rede pública em Curitiba, trabalhou com um orçamento de R$ 100 milhões em 2005, sendo que gastou 90% com pessoal, para atender cerca de 15 mil alunos, a um custo de R$ 6.700,00/aluno-ano, ou seja R$ 555,00 por mês, portanto, bem maior que as mensalidades médias das escolas particulares classificadas entre as 10 melhores, com um agravante: as escolas particulares pagam impostos federais e municipais sobre os valores cobrados, como IR, Cofins, IPTU, ISS, etc.

Fica evidente, então, a maior eficiência da iniciativa privada, tanto no que diz respeito à qualidade do ensino oferecido, como na gestão dos recursos arrecadados por meio das mensalidades, pois além de praticar preços mais adequados do que as escolas públicas, ainda contribui para a arrecadação de impostos.

Ao analisarmos os resultados com um pouco mais de critério, podemos observar que a educação básica no Brasil deixa muito a desejar.

Os resultados são ruins e, destaque-se, a grande maioria, quase 90% dos estudantes da educação básica, está nas escolas públicas.

A considerar tudo o que temos discutido em termos de educação, sua necessidade e, principalmente, a propaganda oficial em torno das reformas e projetos, a conclusão que podemos tirar é de que estamos errando de foco. Fala-se muito em reforma, investimento, treinamento, mas o que precisamos é definir urgentemente os papéis da escola, da família, e do aluno na educação. E qual seria esse papel?

Precisamos determinar que o Estado deve investir a maioria ou a totalidade dos recursos na educação básica. De uma coisa eu tenho certeza: de nada adianta mais recursos, se não investirmos em gestão, na definição do foco, do papel e da busca constante do resgate do tão falado tripé na educação: família, escola e aluno. A escola particular tem projetos pedagógicos bem definidos, forte envolvimento das famílias.

E aí estão os resultados na educação básica: a escola particular demonstra firmeza e preparo, com resultados pra lá de animadores. Os governantes precisam considerar essa experiência e os resultados da escola particular para aprender, integrar os projetos, mas, principalmente, não tentar reinventar a roda.

É preciso considerar as distorções de qualquer resultado obtido por meio de prova escrita, pois se trata de um corte, de um momento específico, que não deve ser considerado como verdade absoluta, pois o resultado de uma prova demonstra apenas o que foi questionado. A forma do questionamento, no entanto, depende de interpretação de quem escreveu a prova, e definitivamente, de quem leu e o que leu e entendeu.

Mas é inquestionável que o Enem é uma avaliação oficial e demonstra um fenômeno, o de como está o aprendizado dos nossos jovens no instante final para o ingresso no ensino superior. Demonstra fundamentalmente como foi desenvolvida a educação básica no nosso País, estado e cidade.

É importante também o fato de ser divulgado por região, por escola, o que cria o que chamamos de ranking. Acredito que forçará uma ação mais dirigida dos governantes no sentido de melhorar a qualidade, pois faz muito mal politicamente aparecer nos últimos lugares.

Ademar Pereira é vice-presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe-PR).

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