A distância dos aliados

Uma das declarações mais sensatas do senador Osmar Dias, do PDT, foi dada à rádio Banda B, na tarde de quarta-feira: “É preciso voltarmos a conversar olho no olho, como antigamente”, disse o político. Falava sobre o distanciamento entre os aliados de PDT, PSDB, PPS e DEM, que depois de duas campanhas bem-sucedidas (a quase vitória de 2006, com o próprio Osmar, e o triunfo retumbante de Beto Richa na eleição de Curitiba, em 2008) agora ameaça se dividir na eleição para o governo do Paraná no ano que vem.

Isto porque vários aliados estão seguindo por caminhos diferentes nos últimos tempos. De um lado, emissários do PT (principalmente o comando nacional, representado pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à presidência da República) conversam com o PDT. De outro, alguns tucanos articulam com dissidentes – e outros nem tanto – do PMDB do governador Roberto Requião.

Assim, ficam os dois lados fortes da aliança abrindo conversações com até então rivais políticos. E a situação gera declarações tensas, como a do vice-presidente estadual do PDT, Augustinho Zucchi, relatada na matéria da repórter Elizabete Castro na edição de ontem de O Estado: “Não há nada de estranho em que o senador converse politicamente com o PT, com os ministros. Nem com o Pessuti. Da mesma forma que não é estranho que o prefeito Beto Richa converse com o presidente Lula e o ministro Paulo Bernardo”.

Este é o resultado da distância dos aliados – até segunda ordem, eles continuam aliados. Permite que surjam elucubrações de ambos os lados, que elas virem notícias e que criem mais animosidades. O jogo da política permite isso, desde que os seus jogadores ajam desta maneira.

Uma aliança forte precisa ser cultivada. Necessita de conversas cara a cara, como disse o senador Osmar Dias. Precisa de ações mais ostensivas de ambos os lados, que reforcem o que já foi muito forte. A não ser que os dois lados não se interessem mais nesta união.

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