A semana foi marcada por conversas entre políticos, juristas e jornalistas. Estava em discussão a queda da Lei de Imprensa, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os temas que entravam de roldão na história estava a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo – a sessão da última quarta-feira foi suspensa, e só será retomada no dia 15. Houve gritaria por todos os lados.
De um lado, estavam as entidades de classe do jornalismo.
No Paraná, aconteceram mobilizações nas principais cidades, posicionamento claro do Sindicato dos Jornalistas e reação forte dos estudantes, todos a favor da manutenção da tal obrigatoriedade. De outro, ficaram jornalistas conceituados (e outros nem tanto) e especialistas em direito, defendendo o livre exercício do jornalismo.
É muito fácil ser radical nesta discussão do diploma. O mais simples é arrolar um sem-número de grandes jornalistas que não passaram pelas faculdades – Alberto Dines, Armando Nogueira, Paulo Henrique Amorim, Janio de Freitas, Villas Boas-Corrêa e tantos outros. Mas também é fácil dizer quantas gerações de bons profissionais saíram dos bancos das universidades. Os repórteres, apresentadores e editores de jornais, rádios e televisões são todos profissionais “diplomados”.
A verdade sobre o caso é que não há preceito que confirme que um jornalista formado na faculdade será bom, e nem o contrário. O que não se pode esquecer é que, minimamente, há uma formação comum para todos os profissionais da área. Com qualidade ou não, os cursos dão aos jovens os preceitos básicos da profissão, e principalmente as normas éticas que regulam o jornalismo.
Em primeira análise, os jornalistas formados levam vantagem justamente por isso. Mas quem exerce a profissão com responsabilidade não é necessário diploma. Daí, a discussão tão ácida sobre a famosa “obrigatoriedade” fica em segundo plano quando há temas mais importantes, como o risco de restrição à liberdade do exercício da profissão. Discutir a imprensa é um meio de chegar à melhor forma de trabalhar com liberdade e responsabilidade.