Poucas pessoas foram tão atacadas neste 2008 quanto o desembargador federal Edgard Lippmann Júnior, do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4). Em nome do respeito às instituições, ele lutou para que a TV Educativa não se transformasse em palanque para os ataques baratos do governador do Estado. Foi por isso que conseguiu fazer valer a ação civil pública que impedia o mandatário do Palácio das Araucárias de destilar seu ódio nos intervalos e na Escola de Governo.

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E é a mesma atitude ética e de responsabilidade que fez o desembargador Lippmann julgar-se suspeito para seguir com o caso. Mas como assim? Pode-se perguntar. Simples: o magistrado decidiu processar o governador por danos morais (mesma coisa que faz contra o presidente do PMDB de Curitiba, Doático Santos). E como passa a ter uma causa pessoal, abdica da causa pública e determina a “redistribuição dos recursos em tramitação na Corte” ou, melhor, repassou a ação para outro desembargador.

Faz certo Edgard Lippmann Júnior. Já que não tem mais a tranqüilidade para julgar o ato apenas nos termos da lei, abre mão disso e permite que o caso prossiga sem sobressaltos. Caso continuasse à frente da ação, suas respostas (certas ou não) seriam questionadas por todos os envolvidos, criando um impasse que prejudicaria, principalmente, quem trabalha na TV Educativa.

Sim, pois são eles os principais afetados. É certo que uma emissora de TV vinculada a um governo trabalha com a “linha editorial” daqueles que a comandam. Mas de forma alguma os profissionais podem se tornar reféns de atitudes iracundas, que remetem aos tempos de exceção. Daí a definição de TV pública, que apresenta os feitos oficiais (o que é totalmente) e promove a discussão dos assuntos que interessam à sociedade.

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E Lippmann também dá uma aula de responsabilidade. Ao contrário dos que usam seus cargos para tirar vantagens e eliminar supostos “inimigos”, o desembargador se mostra por inteiro nesta decisão, bem diferente do governador. Que todos sigam este exemplo.