Como se não estivesse acontecendo nada no Paraná. Na reunião semanal do secretariado – e de todos que são obrigados a ir ao Canal da Música, o governador Roberto Requião manifestou seu desagrado com a política econômica do governo federal, sem no entanto fazer críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E anunciou a intenção de promover em Curitiba um seminário mundial para debater a crise financeira que assola o planeta.

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Para o mandatário do Palácio das Araucárias, é impensável reduzir custos do orçamento da União para evitar rombos oficiais durante a tormenta econômica. Chegou a falar em “cortar na carne”, situação que abomina. E, assim, deu nova estocada nos ministros da área econômica – incluindo o paranaense Paulo Bernardo, responsável pela pasta do Planejamento. Ele não admite a ortodoxia do trabalho capitaneado por Guido Mantega e Henrique Meirelles. Este, por sinal, não é aceito pelo governador, faça o que fizer.

A idéia que ele tem da economia é retrógrada. É favorável à ação estatal direta para movimentar o dinheiro e, portanto, não gosta do predomínio da iniciativa privada. Mas são pensamentos tão afastados da realidade que nem mesmo no Paraná, governado por ele, são utilizados. Só faltava isso, convenhamos – encampar empresas em nome do “povo”.

O que o governador precisa lembrar é que os tempos são outros. Hoje, é cada vez mais importante que o Estado seja menor em vários setores para que se dedique ao que realmente interessa – educação, saúde, segurança pública. Um governo que consiga administrar estes três pilares com qualidade não precisa “tomar conta” de todo o resto – se for possível tudo bem; se não for, que se encaminhe
a quem pode fazer melhor na iniciativa privada.

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E a crise exige, sim, esforços do governo federal. Apesar de serem tímidas até o momento, as atitudes da equipe econômica de Lula são corretas. E espera-se que continue assim. Afinal, eles sabem o que estão fazendo, o que é bem diferente do que acontece por aqui.