O fisiologismo que tomou conta do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) está acabando com a maior legenda da história da política brasileira. O partido que nasceu na sombra do regime militar e que se comportou brilhantemente durante a retomada democrática transformou-se em um balaio de gatos, que reúne cidadãos de todos as espécies, prejudicando os homens públicos que ainda fazem parte do grupo.
É o caso de Jarbas Vasconcelos. O ex-governador de Pernambuco e agora senador deu uma forte entrevista à revista Veja, dizendo exatamente o que muitos analistas vêm dizendo há tempos – mas que soa diferente vindo de um dos principais nomes do PMDB. “Hoje, o PMDB é uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos”, afirmou.
E ele está coberto de razão. Tomemos como exemplo o Paraná. Por mais nomes importantes que o PMDB tenha no Estado, eles ficam em segundo ou terceiro plano ante a ascendência do governador Roberto Requião sobre o partido. Quem não diz “amém” aos planos e declarações estrambólicas do mandatário do Palácio das Araucárias está distante do comando da legenda e fica esquecido na hora das decisões mais importantes.
Foi o que aconteceu na semana que passou. Depois de um texto apócrifo minando as já parcas chances de composição entre o governador e o PSDB do prefeito Beto Richa, veio o secretário-geral do PMDB-PR, João Arruda, e complementou com uma declaração nada polida. “É mais fácil galinha criar dente do que o PMDB abrir mão da candidatura própria para apoiar o Beto Richa ou outro candidato do PSDB”, afirmou na edição de sábado de O Estado.
E o PMDB de Jarbas Vasconcelos, de Pedro Simon e de outros notáveis, aquele famoso “velho MDB de guerra”, está encostado na parede ante a sanha fisiologista dos caciques do partido. “Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção”, diz o senador pernambucano, na que foi a frase mais repercutida de sua entrevista. E se ele diz, é porque sabe o que acontece nas entranhas de seu partido.