Transcende a esfera futebolística a crise que o Clube Atlético Paranaense enfrenta. Um dos times mais populares do Estado, e talvez o que mais cresceu no País nos últimos quinze anos, o Furacão encara um momento sem precedentes em sua história recente. É um período de indigência técnica, carência tática (tanto que o técnico Roberto Fernandes foi demitido) e descaminho administrativo, por conta das falhas de organização e planejamento de seus dirigentes.
Nunca se viu, neste Atlético remodelado e “imponente”, uma equipe tão desinteressada como na derrota para o Botafogo, neste domingo. Foi uma atuação trágica, que irritou a torcida e até mesmo seus dirigentes, que geralmente não reagem com as derrotas. Por isso, o homem-forte do clube, Mário Celso Petraglia, foi falar com os jornalistas (o que ele não gosta de fazer) e admitiu que haveria mudanças – que começaram com a demissão do treinador.
Mas o problema do Atlético é maior, e não está apenas no campo, embora seu reflexo seja direto na péssima colocação no campeonato brasileiro (atualmente, após dezessete rodadas, é o 17.º colocado, na zona de rebaixamento para a segunda divisão). A falta de comprometimento do clube com os resultados no campo é notória. Atualmente, parece interessar mais ao Furacão o lucro com negociações de jogadores do que os títulos que o time possa conquistar.
Sabe-se, evidentemente, que hoje o futebol é um negócio, e que é fundamental gerar riqueza. Mas, mesmo assim, é importante o rendimento técnico, fator importante para que aumente a receita de venda de ingressos, de publicidade estática e nas camisas e do marketing esportivo. No Atlético, pelo que se nota, o jogo é o que menos importa – vale mais o que se obtém para os cofres.
E é por isso que transcende a crise robro-negra. É uma situação que se apresenta tão econômica quanto futebolística. E se os dirigentes não perceberem que é necessário vencer para crescer, a cotação do Furacão no “mercado da bola” pode cair bruscamente. Aí, não há dinheiro que salve – até mesmo para a mercantilista receita atleticana.