A Copa em Curitiba

Hoje, por volta das 15h30, no horário de Brasília, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) vai anunciar as doze cidades brasileiras que receberão os jogos da Copa do Mundo de 2014 (pela segunda vez, o maior evento esportivo do mundo será realizado no Brasil). Será em um grande evento em Nassau, nas Bahamas. E, se nada de diferente acontecer, Curitiba terá a honra de receber partidas internacionais. É uma grande vitória para o Estado. E, particularmente, para dois políticos: o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), e o vice-governador do Paraná, Orlando Pessuti (PMDB).

São dezessete cidades – Rio Branco, Manaus, Belém, Salvador, Recife, Natal, Fortaleza, Goiânia, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre – lutando pela escolha, que será da Fifa, mas com o dedo do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira.

Curitiba entra hoje como favorita nesta disputa. O projeto feito pelo comitê local foi um dos melhores, pelo que se pôde descobrir da avaliação dos emissários da Fifa. A cidade, com seu clima europeu, turismo crescente e grandes espaços públicos, ganhou pontos com a comissão de vistoria que veio ao Paraná no início de 2009. Temos um estádio, o Joaquim Américo, de posse do Atlético, que é o mais moderno do País, o que está mais adaptado às normas internacionais, e que provavelmente será o primeiro a ficar pronto para a Copa de 2014.

Mesmo assim, correu-se sério risco de a Copa não passar por Curitiba. A matéria do repórter Cristian Toledo, no caderno de Esportes da edição de hoje de O Estado, relembra o que quase tirou o Paraná da competição: “Até a metade do ano passado, Florianópolis era a favorita para receber os jogos da Copa. Nem tanto por projetos ou interesses políticos, e sim pela total falta de diálogo entre o governo do Paraná e a CBF – e de ambos com a então diretoria do Atlético. A divulgação da possibilidade da não vinda da Copa para o Paraná agitou o cenário político e econômico, e rapidamente foi formado um amplo comitê, hoje intitulado Comitê Executivo do Paraná à Copa do Mundo de 2014”.

Éramos, até certo ponto, reféns do estilo belicoso do governador Roberto Requião (PMDB) e do então homem forte do Atlético, Mário Celso Petraglia. E o convívio deles com Ricardo Teixeira era (e é) muito ruim. Se dependêssemos deles, talvez hoje estivéssemos lamentando a quase certa ausência de Curitiba de um evento deste porte – apesar de, podemos esperar, algumas vozes tentarem apontar hoje Requião e Petraglia como “heróis” da vinda da Copa para o Paraná.

O mérito maior será, na verdade, de Beto Richa e Orlando Pessuti. Eles se despiram dos interesses políticos pessoais (ambos devem lutar pelo governo do Paraná no ano que vem) em nome de uma causa comum, que beneficiará todos os paranaenses. São incontáveis os benefícios práticos da realização da Copa de 2014 em Curitiba. Cientes disso, o prefeito de Curitiba e o vice-governador montaram um comitê, partiram para as negociações e conseguiram, usando termos do futebol, “virar o jogo” a favor da capital do Estado.

É por isso (e também pela excelência do projeto curitibano) que chegamos ao dia de hoje como uma das cidades favoritas para a realização da Copa do Mundo. E com chances de não só recebermos a primeira fase, mas também partidas das oitavas-de-final e das quartas-de-final. Foi a feliz união entre políticos, empresários e técnicos – e com a decisiva participação da mídia e da sociedade civil. E, assim, é uma vitória de todos os paranaenses, que merece ser comemorada a partir do momento em que o nome de Curitiba for proferido na cidade de Nassau.

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