A atenção aos juros

Em um período de crise, as principais ações da macroeconomia são ditadas pelos governos. Por mais que a iniciativa privada tenha a liberdade para agir em um sistema capitalista, na hora em que o calo aperta todo mundo apela para o poder central. E não é simplesmente um pedido de “esmola” – são esperadas ações que movimentem a economia, mantenham os níveis de consumo e não criem pressões inflacionárias.

Uma das ações mais esperadas pelos empresários brasileiros é a queda da taxa básica de juros. Para alguns, a Selic é a “besta-fera” da economia brasileira, a trava que impede o crescimento e a manutenção do consumo. Mas há quem diga que uma redução drástica representaria um risco desnecessário da volta da inflação.

No momento da crise, entretanto, a taxa de juros vira um elemento psicológico -reduzi-la mostra interesse do governo em ver a economia vigorosa (mesmo que não ajude em nada); aumentá-la ou mantê-la no mesmo nível significa uma atitude conservadora e pessimista do poder central. Por isso a pressão é tão grande, dentro e fora dos palácios de Brasília.

E se até a agência de notícias oficial do governo federal fala em redução dos juros, é que há uma expectativa grande para que isso aconteça. Na última quarta-feira, a Agência Brasil enviou um despacho com a seguinte informação: “A projeção para a taxa básica de juros, a Selic, ao final deste ano caiu de 10,5% para 10,38%. Para 2010, a expectativa foi ajustada de 10,5% para 10,25%. (…) Os analistas esperam pelos cortes de juros por conta do desaquecimento da economia neste ano, um efeito da crise financeira internacional, e pela expectativa de que a inflação permanecerá sob controle, ou seja, dentro da meta do governo”.

E é bom lembrar que esta projeção é feita pelo Banco Central – justamente o órgão governamental que mais combate a redução dos juros. Mesmo assim, não há como negar a esperança de analistas e empresários. E também de toda a sociedade, que está sequiosa de boas notícias na economia – e não a cantilena preocupante de demissões e reduções de custos.

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