A ação da sociedade

A semana que passou foi marcada por uma tristeza que virou revolta e acabou se transformando em uma intensa mobilização. A morte trágica de Gilmar Rafael Souza Yared, 26 anos, e Murilo de Almeida, 20 anos, em um acidente que envolveu o deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho (PSB), ficou às portas da impunidade, mas a reação das famílias dos jovens que perderam a vida e da mídia, além de uma série de fatos que complicaram a situação do político, provocaram uma reviravolta no caso e a possibilidade de ele se tornar um marco na luta pela Justiça no Brasil.

Quem não se lembra da forma como o acidente foi descoberto? Eram dois carros, que aparentemente estariam em um racha, acabaram se chocando, dois morreram e outro foi para o hospital com múltiplas fraturas. Os nomes? Ninguém sabia.

Aos poucos a história foi tomando o verdadeiro corpo. Gilmar e Murilo estavam em uma rua transversal quando fizeram a curva e seguiam seu caminho. Mas foram abalroados pelo Passat alemão do deputado, que vinha em altíssima velocidade. Os meninos não tiveram nem chance de reagir. O estrago foi brutal, a situação dos corpos era desesperadora. Enquanto isso, o deputado, enfim reconhecido, estava recolhido à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico, em Curitiba, e, segundo as informações oficiais, corria risco de morte.

Mas nem esta história correspondia à verdade. Sim, pois o deputado não estava tão mal quanto se divulgava. Foi transferido para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde milagrosamente melhorou, saiu do coma e deixou a UTI. A ausência do exame de sangue gerou constrangimento para os órgãos de segurança. Mas as testemunhas foram claras ao apontar que o deputado Carli Filho estava dirigindo embriagado, informação semelhante à do Corpo de Bombeiros.

O quadro fechou a semana com a ameaça de cassação do político, com o aumento nas provas que o incriminam. E com o surgimento de uma sofrida voz por justiça, a de Cristiane Yared, mãe de Gilmar e protagonista de uma campanha que tem o apoio da opinião pública. Apesar da dor, o Paraná termina a semana melhor do que começou.

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