Hora de dormir e de acordar. Despertar mais cedo para trabalhar. Acostumar com horário de verão. Viajar para outros países e se adaptar ao fuso horário. Todos temos relógios que se ajustam aos ciclos ambientais. O que são estes relógios, onde estão, como interagem com o organismo e com o meio são as perguntas que a cronobiologia tenta explicar.

A sincronização do organismo aos ciclos ambientais funciona exatamente como o ajuste de um relógio ao horário local de uma cidade. Quando viajamos para outra região em que existe diferença de fuso horário, mecanismos são desencadeados para gerar uma adaptação do corpo à nova situação enfrentada. O mais curioso é que o ritmo biológico é gerado pelo organismo com um período diferente de 24 horas.

Pessoas vespertinas apresentam um rendimento melhor durante à noite. Trabalham, estudam e ficam até altas horas acordadas sem nenhum problema. Já as pessoas matutinas têm facilidade para acordar cedo e apresentam um ótimo desempenho pela manhã. Em contrapartida, esse ajuste torna-se um esforço sobrenatural para alguns vespertinos quando tratamos do horário de verão.

A dificuldade de acordar cedo para eles já é natural, e aumenta quando chega o novo horário. Como adaptação, novos e sensíveis ajustes diários ocorrem em seus ciclos circadianos a cada dia. Isso significa que temos que “dar corda” diariamente em nossos relógios naturais.

Várias situações podem modificar o funcionamento desses “relógios”. Estresse, alimentação, medicamentos e doenças são relevantes, porém nada é considerado mais influente que a alternância de claro e escuro como principal sincronizador dos ritmos biológicos.

A simples presença ou ausência de luz ativa os relógios biológicos localizados no hipotálamo. Essas informações que trafegam pelo sistema nervoso a partir da retina são responsáveis pelo ajuste do chamado sistema de temporização, e caminham por vias independentes daquelas envolvidas na formação de imagens.

Tal região no cérebro reconhece se é dia ou noite e é capaz de sinalizar para todas as células essa informação. Isso ocorre de maneira curiosa, já que a luminosidade é captada por determinados nervos localizados nos olhos, e conduzida até o hipotálamo. Lá, o estímulo luminoso é convertido em informação hormonal que irá ativar uma segunda glândula situada na base do encéfalo, conhecida por pineal.

Pessoas que trabalham durante a noite encurtam o período de liberação da melatonina, que também é considerado um antioxidante natural. Dessa forma, supõe-se que quanto menor o tempo de secreção da melatonina, menor sua atividade antioxidante e maior a ação dos radicais livres que levam ao envelhecimento precoce. O velho ditado diz que quem dorme mais vive menos. Não encontra sustentação, nesse caso.