O número crescente de divórcios promove o aparecimento de uma parcela expressiva de mulheres que assumem um lugar, nem sempre confortável, que é o de madrasta – a segunda mulher do pai.

No entanto, diferentemente das tradicionais “madrastas”, esposas de homens viúvos, que assumiam a educação dos filhos da primeira união de seu marido, as esposas das uniões pós-divorcio, hoje também chamadas dessa forma, ficam muitas vezes em uma posição delicada quando tem que compartilhar finais de semana ou mesmo períodos mais longos de convívio com as crianças e adolescentes, que tem suas mães vivas e, via de regra, são educados por elas.

Hoje, é comum vermos essas jovens esposas, aceitarem com cumplicidade e amorosidade o convívio com os filhos do marido e não se tem mais a idéia arcaica e tão difundida de que madrasta é alguém cruel, como nas historias infantis.

Atualmente, as segundas mães, estão mais para irmãs mais velhas ou tias, que conhecem seu lugar e o ocupam com a devida segurança que lhes confere um comportamento à altura da responsabilidade e do desafio. Afinal, trata-se de crianças que vieram antes delas na vida de seus maridos e que ocupam um lugar diferenciado no coração desses homens: um lugar especial, inconfundível, incomparável, mas que não abala o sentimento e nem a relação do novo casal, caso seja trabalhado de modo adulto e sensato.

É de se esperar que as crianças, por mais bem educadas e carinhosas que sejam, sintam ciúmes dessa mulher que está na vida de seu pai como sua mãe esteve um dia, pois, raramente, encontraremos quem não gostaria de ver seus pais unidos e felizes.

Algumas cenas de ciúmes “explícitos” e ocasiões repletas de pequenas e ferinas passagens, podem realmente tirar do sério quem tenta conquistar e conviver com essas crianças, mas uma dose de compreensão e de empatia pode ajudar muito.

Assim, cuidado com as respostas às provocações infantis. Entrar nesse jogo pode trazer problemas em curto e médio prazo. Interferir nos princípios educacionais que a mãe biológica impõe também não é muito inteligente. As normas devem ser estabelecidas de comum acordo com o marido, mas críticas são totalmente dispensáveis.

Decisões importantes sobre a educação da criança cabem aos pais biológicos e a posição de segunda esposa não confere, automaticamente, direito às opiniões ou aconselhamentos.

Aliás, a maior parte dos problemas e condutas a serem adotadas não deve ser tratada ou resolvida com a criança, mas sim, combinadas e decididas antecipadamente com o pai. Da mesma forma, é a ele que cabe definir o papel e o grau de interferência da segunda esposa na educação de seus filhos.

Uma conversa franca nesse sentido deve acontecer antes que as crianças comecem a conviver com a madrasta. Isso apenas trará benefícios para o desenvolvimento infantil, segurança nas relações do casal e uma afetividade promotora de situações e momentos felizes para todos.