Carlos Dorlass, professor

Quando se fala em delinquência, sofremos só em pensar no que esse termo representa. Muitas vezes, pensamos e repensamos em como pode uma criança, dócil e amável durante a infância, tornar-se um delinquente mais tarde. Nós não nos damos conta, mas somos os educadores, os maiores responsáveis pela delinquência existente.

Sabemos que o cérebro humano tem múltiplos sistemas de neurônios-espelho, que têm a função de captar e compreender não apenas as ações dos outros, mas suas intenções, o significado social dos comportamentos, assim como suas emoções.

Então, os comportamentos das crianças refletem tudo aquilo que elas observam no mundo, portanto devemos cuidar para que sejamos modelos éticos e coerentes, pois nossas ações e reações passam-lhes mensagens que, queiramos ou não, influenciam a formação do caráter das nossas crianças e adolescentes. Ignorar e/ou negligenciar tal responsabilidade poderá acarretar consequências sociais irreversíveis.

Por vezes presenciamos alguma criança praticando bullying, passando por situações humilhantes, sejam apelidos pejorativos, ameaças, agressões morais ou físicas por parte dos colegas de classe e justificamos tratar-se apenas de uma simples “brincadeira” da idade e que não causará transtorno algum ou imediatamente imputamos à instituição a responsabilidade em gerenciar aquele fato.

Mas se investigarmos, cuidadosamente, o que ocorre no contexto social e familiar da criança que pratica o bullying, com certeza perceberemos que ela está refletindo o modelo de conduta aprendido na convivência com os adultos que praticam agressões físicas, verbais, realizam ameaças, e vivem num mundo de desrespeito cuja regra principal para eles é “bateu, levou” (lei da vantagem sempre).

E, se desejamos que as nossas crianças tornem-se pessoas de valor, preocupadas em respeitar o outro, devemos agir de forma responsável, dando limites, ensinando-lhes a tolerar frustrações, a ter disciplina, a serem persistentes, a tomarem decisões com responsabilidade e bom senso, a pensarem no coletivo, nos sentimentos dos outros e no bem comum.

Portanto, combater o bullying também é responsabilidade dos educadores, formais – professores e dos pais. Muito mais que achar culpados na escola dos filhos, devemos olhar para eles, saber o que estão fazendo, conhecer as pessoas com quem conversam e com quais amigos andam, além, evidentemente, de cuidar com nossas ações, que valem muito mais do que qualquer discurso ou palavras. Dessa forma, de nada teremos que nos arrepender mais tarde.