Dicas para se falar e escrever bem o português

Albino de Brito Freire e Leopoldo Scherner (in memoriam)

 

Educar não é cortar as asas:

é orientar para o vôo.”
                          Autor desconhecido

1. a) Tráfego é transporte; trânsito.
    b) Tráfico é comércio; negócio.
    Narcotráfico é o comércio ilícito de drogas.

2. a) Desnudar = pôr nu, despir.
    b) Desmentir = desfazer a mentira.
    Observe que, no primeiro caso, o prefixo “des-” tem sentido positivo. Já no segundo, o prefixo “des-” tem sentido negativo.

3.  a) Faz três dias que não vejo você.
      b) Há três dias que não vejo você.
      Ambas as formas são corretas. Jamais diga: “Fazem três di-as…”

4. a) Mesinha = mesa pequena.
    b) Mezinha = remédio (do português arcaico).
    Mesinha (com “s”) vem do latim “mensa” (> mesa). Mezinha (com “z”) vem do latim “medicina”. É sabido que o “c”, antes de “e” e do “i”,    na evolução do latim para o português, transforma-se em “z”. Assim, temos: medicina > meizinha > mezinha.

5. “Se você vir meu irmão, diga-lhe que preciso falar com ele.”  
    Lembre-se que o futuro do subjuntivo do verbo “ver” é “vir” (quando eu “vir”…) e não “ver” (quando eu “ver”…). A propósito, não diga: “… que preciso falar consigo”. Se bem que, em Portu-gal, usa-se esta última forma.

6. A profetisa profetiza.
    Observe o uso do “s” e do “z”. Os substantivos femininos de-rivados de masculinos escrevem-se com “s”: poeta, poetisa; duque, duquesa. O sufixo “-izar” é escrito com “z”: americano, americanizar; humano, humanizar.
Atenção!  “A Baroneza” (com “z”), nome de um bar, justifica-se por uma espécie de licença publicitária.
 
7. a) Palestrar = fazer palestra
    b) Palestrear = o mesmo que palestrar.
    c) Palestrita  =  (isso mesmo, sem “s” depois do “i”) frequentador de palestras.
    d) Palestrante = que faz palestra.
    e) Palestrador = o mesmo que palestrante.

8. Medicamentos anódinos são aqueles que mitigam ou fazem cessar a dor.

9. “A boda de Ciccarelli foi um fiasco.”
     Algum problema aí? Sim, porque “bodas” só se usa no plural: “bo-das”, com a concordância, naturalmente, no plural, ou seja: “As bo-das de Ciccarelli foram um fiasco”.

10.  “Ele é um superatleta hipersensível.”
        Não há problema algum. Tudo certo.

11. “Vossa Excelência, o motorista.”
       Vimos no jornal esse título de um artigo. Está errado. “Vossa Excelência” é pronome de tratamento que só se usa em relação à pessoa com quem se fala. Para a pessoa de quem se fala usa-se o pronome “Sua Excelência”. Logo, teria de ser: “Sua Excelência, o motorista.”

12. a) Destilar veneno = deixar cair o veneno, gota a gota.
      b) Instilar veneno = introduzir o veneno, gota a gota.

13. a) Os avós (de avó) = avô e avó.
      b) Os pais (de pai) = pai e mãe.
Observe que, no primeiro caso, toma-se por base o feminino. Já no segundo, o masculino. Talvez a psicologia explique…
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Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é formado em Letras Neolatinas e membro da Academia Paranaense de Letras.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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Abro a janela e me deparo com o espetáculo da manhã que comigo acorda.”
Adélia Maria Woellner

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1. Paraná vem do tupi: pará = mar + nã (ou anã) = semelhante. Logo, Paraná = semelhante ao mar.

2. Arrepiar caminho = voltar atrás. Não tenha medo de usar esta expressão idiomática (voltar atrás), por suposto pleonasmo, que significa arrepender-se, desistir.

3. a) À flor da pele.
b) À flor da água. A expressão “à flor de” significa “à superfície de”.

4. Curitiba, 1.º de janeiro de 2011.
Essa, a forma correta. Ninguém diz ou escreve “um (ou 1 ou 01) de janeiro”.

5. Dinheiro vem do latim denariu[m], moeda de prata que equivalia a dez asses (unidade monetária dos romanos) de cobre. 

6. a) Precisão e necessidade
b) Delapidar e dilapidar Todas essas formas estão dicionarizadas, o que significa que não se pode dizer que esta ou aquela esteja errada.

7. a) Ele se mudou para Curitiba a fim de estudar (com a intenção de, para).
b) Pedro é primo afim de Paulo (isto é, não por meio do sangue, mas por causa do casamento do tio ou da tia).
Observe que a palavra afim significa qualidade de parentesco resultante de casamento na família do cônjuge ou de outro parente.

8. 1Mico = macaco;  2mico = vexame.
a) pagar o mico = pagar o pato; sofrer vexame;
b) destripar o mico = vomitar;
c) estar no mico = estar no fim; estar no toco;
d) pegar o mico = embriagar-se, ficar bêbado.

9. a) Sentar-se à mesa.
b) Sentar-se na mesa (sobre a mesa). Observe a diferença de sentido.

10. a) Ele ri à toa.
b) Ela não é mulher à toa. O primeiro é advérbio. Já o segundo é adjetivo. Observe que, depois do acordo ortográfico, nenhuma das duas tem mais hífen.

11. a) Subscrever – subscrito
b) Subentender ­ subentendido (não subtender e subtendido). Observe a grafia correta dos vocábulos.

12. Sofrível = suportável, razoável. Na fronteira entre o bom e o mau. Atenção! Muita gente usa ­ erroneamente ­ essa palavra com o sentido de “insuportável”, “horrível”.

13. b) Óptico = relativo à visão.
c) Ótico   = relativo à audição. É assim que se lê no (VOLP) Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, depois do último acordo ortográfico. Antes disso, “óptico” só podia referir-se à visão, mas “ótico” podia referir-se tanto à audição como à visão. Atualmente, não se sabe como justificar a presença de “óticas”, que tratam apenas da venda de óculos, que nada têm a ver com ouvidosà 

14. “Essas leis que estão vigindo são muito frouxas.” O certo é. vigendo… O verbo é viger.
 
Gratos a todos pela colaboração.
Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras.

Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“Quantas coisas adiadas para o dia seguinte não deveriam ter sido feitas na véspera?”
João Manuel Simões

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1. Plural majestático ­ O orador assim dirá, referindo-se à própria convicção: “Excelência! Somos totalmente contrário a essa proposição!” Observe que o adjetivo (contrário) concorda (por silepse) com a pessoa a que se refere: “Como sois caridosa, ó senhora!”

2. Sub-secretário ou subsecretário? O correto é subsecretário (sem hífen). Regra: Usa-se hífen nos vocábulos formados pelo sufixo sub, quando seguido de elemento começado por r- ou b-: sub-raça, sub-reino, sub-base, sub-braquial.

3. Repare: a) A jovem que (pronome) se julgava atraente… b) Ele disse que (conjunção) se levantaria cedo. Como se vê, a palavrinha que, quando pronome ou conjunção, atrai o pronome oblíquo. Mas, nós vamos lembrar a vocês algo de suma importância, que até pessoas de certo nível cultural desconhecem: essa atração, como de resto todas as demais, só se  exerce quando se encontra próxima do pronome oblíquo. Caso contrário, o ouvido do escritor é que vai ditar a colocação pronominal.

4. Ouvimos e vimos: “Obrigado por suas presenças!” Em português, diversamente do latim, usamos o “plural distributivo”: “Obrigado por sua presença!” (Significa: Obrigado pela presença de vocês!). Não se deve dizer: “Determinem-se as identidades dos mortos”. Mas: “… a identidade dos mortos”.  Também não diga: “Todos estão com os narizes pintados.” Mas: “… com o nariz pintado.” Diga também: – Comemora-se o falecimento dos dois santos (não os falecimentos). –  Pleiteamos a beatificação deles (não as beatificações).  Consulte nosso bom e velho Napoleão.

5. a) Estender se escreve com “s”. b)  Extensão se escreve com “x”.

6. a) Dispender não existe. Só existem dispêndio e dispendioso  (em latim, dispendium). b) Despender é gastar e vem do latim dependere (com “e”, sem o “s” e proparoxítona).

7. a) Parente = indica identidade de sangue. b) Aparentado = não indica tal vínculo.

8. “Eles não quiseram assistir à cirurgia das xipófagas.” Errado! O certo é xifópagas.

9. “Os alunos preencheram vários ítens.” O probleminha está em itens, que não tem acento gráfico. Nem item.

10. Continuamos ouvindo na televisão: a) “As milhares de pessoas que lotavam a esplanadaà” b) “As milhões de ofertas de emprego ficaram sem respostaà” Ora, milhar e milhão têm o gênero masculino. Logo, deve-se dizer: Os milhares de pessoas; Os milhões de ofertasà

11. “Zimbória Corte Estadual…” Vejam que pérola, encontrada em um trabalho jurídico! Essa eu não conhecia. Fui ao dicionário e não encontrei esse adjetivo. O que existe é zimbório, substantivo. Significa abóbada, cúpula, domo. Penso que o douto jurista queria um sinônimo extravagante de “a mais alta”, “insigne”. Deve ser o mesmo escriba que costuma referir-se à… “Mais alta Corte Araucariana”… para designar também o Tribunal de Justiça do Paraná.
 
12. a) Voluptuoso = lascivo, libidinoso. b) Iglu = casa de esquimó.

13. “Derramou-lhe a sopa quente güela abaixo.”  O correto é “…goela…”  (não güela ou guela, já que o trema caiu!).
 
Gratos a todos pela colaboração.
Por hoje, é só.
Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras.

Leopoldo Scherner
é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

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“Definitivamente, o ateu vive à toa.”

João Manuel Simões

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1. Em que pese a: apesar de 
a) Pese se pronuncia pêse.
b) Não pode faltar a preposição a.
Exemplos:
I. Conservou-se fiel, em que pese aos maus tratos recebidos.
II. Conservou-se fiel, apesar dos maus tratos recebidos.

2. Vencimentos: geralmente usada no plural, significa salário. Exemplo: Quais são seus vencimentos mensais? São de novecentos reais.

3. a) Dilação  significa dilatação, prorrogação.
b) Delação  é ato de delatar, denunciar.

4. Salteador: ladrão de estrada.

5. a) Tronco de árvore
b) Pé de couve
c) Cabeça de cebola
d) Dente de alho
e) Cabelo de milho

Observe esses antropomorfismos: atribuição à divindade ou à natureza de atributos humanos.

6. Mercancia: mercadoria; ato de mercadejar. Pronuncie corretamente: “mercancía”.

7. Escorpião. Você sabia que ele é da família dos aracnídeos, tal como as aranhas e os ácaros?

8. Somali: natural da Somália (África oriental).

9. a) Ignomínia = infâmia, grande desonra. b) Surto = aparecimento repentino; ambição.

10. “Ela sofre de um mau incurável.” O que há de errado é a palavra “mau” (adjetivo), que deveria ser “mal” (substantivo).

11. “Ele está triste e, porisso, não veio hoje.” O que há de errado é “porisso”, que se escreve separadamente: por isso.

12. Subsídio ­ Como se pronuncia? Subssídio ou subzídio?   Resposta: da primeira forma, como se fosse “ss” ou “c” (subcídio).

13. Utensílio ­ Como se pronuncia? Utencílio ou utenzílio?  Resposta: da primeira forma, como se fosse “ss” ou “c” (utencílio).

Por que, então, na palavra “trânsito” não se pronuncia como “ss” ou “c” (trâncito) ­ já que a sequência -ns- é idêntica? Não se sabe. A evolução fonética nem sempre obedece a um raciocínio lógico. Lembre-se de piscina e aquário…

14. Por diversas vezes, o vereador confundiu gestão com gestação. Ridículo, não? Ora, gestão é o ato de gerir. Gestação é o tempo de desenvolvimento do embrião no útero da mãe.

15. Ouvimos e vimos na televisão: “Esse é um dos melhores “caráters” que eu conheço…” Ora, o plural de caráter é caracteres. Aliás, diga-se de passagem, esse plural (caracteres) aplica-se também para a palavra caractere, que significa letra do alfabeto, sinal gravado etc.

16. Continuamos a ouvir também na televisão:  “Ele interviu…” Sua Excelência não sabe que o verbo intervir se conjuga como o verbo vir: ele intervém; ele intervirá; ele interveio etc.
 
Gratos a todos pela colaboração.
Por hoje, é só.
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Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras.

Leopoldo Scherner é membro daAcademia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

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“A verdadeira sabedoria é não parecer sábio.”

Ésquilo, filósofo grego.

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1. “Agora, estou falando consigo.” Em Portugal, é correto dizer assim. No Brasil, porém, devemos dizer: “Agora, estou falando com você ou com o senhor”.

2. “Ponto e vírgula”. Não se esqueça de que é um substantivo masculino composto e perdeu o hífen. Ex.: “Ponto e vírgula é o único sinal gráfico que ela não sabe usar”. Para evitar ambiguidade, deve-se formular a frase de outro modo, quando a intenção é dizer queà “o ponto e a vírgula são os únicos sinais gráficos que ela não sabe usar”.

3. a) Líquido (e “liqüido”).
b) Liquidar (e “liqüidar”).

Todas essas formas são corretas, com pronúncia ou não do “u”. Mas, atenção! Não leva o trema, em nenhuma das formas.

4. a) Ama-lo
b) Amá-lo
Saiba distinguir: Ama-lo (sem acento) = amas + lo;  Amá-lo (com acento) = amar + lo. A primeira forma (ama-lo), embora seja da língua culta, não é muito eufônica, sendo geralmente substituída por “tu o amas”.
 
5. “Lá em casa, somos em dois irmãos.” Está certo? Não. Diga, simplesmente: “Lá em casa, somos dois irmãos.”

6. a) Mau funcionamento ou mal funcionamento? O certo é mau funcionamento. b)  Funcionar mal ou funcionar mau? O certo é funcionar mal.

7. OXIMORO (oksimôro, paroxítona) ­ é a figura de sintaxe que consiste em reunir palavras aparentemente contraditórias. Ex.: Bondade cruel. Responder com o silêncio. Silêncio eloquente. É bom lembrar que o VOLP registra apenas as formas oximoro (ô) e oximóron. Não registra a forma “oxímoro” (proparoxítona), como se encontra em alguns dicionários.

8. “Até hoje se discute sobre a data precisa da descoberta do Brasil”. O correto é “… do descobrimento…”

9. Ouvimos na televisão: “O PT não “róba” e não deixa robar.” O certo é: “rouba”, “roubar”, “está roubando”!

10. Pronuncie distinguir, não pronuncie “distingüir”.

11. Ouvimos o deputado dizer: “Os documentos que disponho…”. O correto é: Os documentos de que disponho. É preciso distinguir: Dispor alguma coisa e dispor de alguma coisa. Exemplos:

a) Ele dispôs as coisas muito bem.
b) As coisas que ele dispôs…
c) Ele dispõe de bons argumentos.
d) Os bons argumentos de que ele dispõe…

12. Lemos em depósito de lixo: Resíduos reciclável.  O certo é: Resíduos recicláveis. A concordância, nesse caso, é de rigor.

13. Lemos também em depósito de lixo: Frascos de água destiladas. O correto é: Frascos de água destilada.

14. Lemos ainda: “Sacos azul”. O correto é: Sacos azuis.

15. Observar a diferença:

a) Pedro falou de Maria. (Falou mal de Maria.)
b) Pedro falou em Maria. (Falou sobre Maria.)

16. a) Cabala ­ misticismo judeu com base na  Bíblia.
b) Loução (feminino: louçã) ­ elegante, gracioso.

17. ANCARA é a capital da República da Turquia. Quem nasce lá é ancarense.

18. Má-formação ou malformação? Ambas as formas são corretas.

Gratos a todos pela colaboração.

Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras.

Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

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“O homem começa a morrer na idade em que perde o entusiasmo e no instante em que desiste de aprender.”
Balzac

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1. “Dois carros bateram na Rua XV.” É assim que a gente lê e escuta no rádio e na TV. O correto é: “Dois carros se bateram…” ou “Dois carros se chocaram…”

2. a) Arcabuz = espécie de bacamarte.
b) Dossiê = (do francês “dossier”) = conjunto de documentos que revelam a vida de um ou mais indivíduos.

3. “Nomeia seus bastante procuradores.” Errado. “Bastante” é adjetivo, nesse caso, e deve, assim, concordar com o substantivo a que se refere (procuradores). Logo, deve-se dizer: “Nomeia seus bastantes procuradores.”

4. “A atuação da seleção deixou muito à desejar.” O problema está no acento grave indevido no “a”, antes do infinitivo. O certo é: … a desejar, a temer,
a partir (sem acento grave!).

5. “Bílis” ou “bile”? Ambas as formas são corretas. Diz-se também “fel”, na linguagem popular.

6. “Sentença vergastada”. Muitos juristas usam essa expressão para designar “sentença recorrida”. Não tem sentido. “Vergastar” significa açoitar com vara verde (flexível)… A sentença estaria sendo “açoitada com vara verde”… A propósito, é bom não esquecer que a Justiça é instrumento de pacificação social. Assim, não é de bom tom usar termos bélicos para referir-se a institutos e procedimentos jurídicos, como: guerrear, hostilizar, vergastar, contender, conflitar, etc. Se a moda pega, vamos transformar o Tribunal em um campo de batalha, talvez na “Magna Praça de Duelos e Outros Combates”…

7. Modus agendi (= modo de agir) é uma forma estereotipada, usada normalmente no singular. O plural seria modi agendi, mas soa esquisito. Se for preciso usar o plural, faça-o em bom português: “os diversos modos de agir”. Temos também a forma latina modus operandi, com o mesmo sentido, ou quase.

8. Pseudofalências. Ouvimos na TV: pseudas falências… Ora, pseudo é um prefixo e, portanto, inalterável. E usa-se hífen somente quando o vocábulo a que se liga iniciar pela vogal “o”, ou por “h”. Ex.: pseudo-occipital, pseudo-homem. Sem hífen: pseudobispo, pseudofobia, pseudorrainha, pseudossatélite.

9. Higidez e rigidez. Não confundir: higidez é qualidade de hígido (sadio); rigidez é qualidade de rígido (rijo, duro).

10. a) Indigitado = apontado, indicado.
b) Avaro = (pronuncie “aváro”) = avarento, o popular “unha de fome”.

11. “O bandido possue uma cobertura em São Paulo.”
O certo é “possui” (com “i”).

12. “Ele namora com uma loira, faz dois anos.” O verbo namorar é transitivo direto: namorar alguém. Mas, apesar da resistência dos puristas, alguns escritores entendem que a forma “namorar com” é moldada em “casar com” e “noivar com” e, por isso, legítima. De qualquer modo, desaconselhamos o uso dessa última regência fora do âmbito coloquial.

Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

“Para alguns, as Academias são como as uvas da famosa fábula de La Fontaine: estão verdes.”
João Manuel Simões

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1. A palavra mês vem do latim mense[m]. Vê-se que desapareceu o “n”. Também da palavra mense[m] resultaram: mensal, mensalidade, mensalão… Vê-se que, nesses últimos casos, não desapareceu o “n”. Não vá pensar, pois, que mesada vem de mesa…

2. Perto e por perto. Observe a diferença entre essas duas expressões. Ele está sempre perto dela. Ele está sempre por perto dela.

3. Motu proprio – de motu proprio. Ambas as expressões latinas significam “por sua própria vontade”, “por sua própria iniciativa”. A palavra “proprio”, aí, não leva acento gráfico, por ser latim. Os dicionários, inclusive o VOLP, registram a forma aportuguesada “moto-próprio” (com hífen e acento agudo em “próprio”). Não confundir com “moto-contínuo” (com hífen), sinônimo de “moto-perpétuo”, que significa “movimento que, após iniciado, continua indefinidamente” (Física). Observação: Não confundir “moto-contínuo” (com hífen) com “ato contínuo” (sem hífen), expressão que significa “logo após”, “imediatamente”.

4. a) Vem ser feliz comigo!
b) Venha ser feliz comigo!
Ambas as formas são corretas. No primeiro caso, estamos usando a segunda pessoa do singular (tu) e, no segundo caso, a terceira pessoa (você).

5. a) João está enamorado por Maria.
b) João é o namorado de Maria.
Observe que há uma ligeira diferença entre uma palavra e a outra. E, também, que ambas são ligadas a “amor”.

6. a) Gueto = antigo bairro das populações judaicas da diáspora.
b) Odisséia = poema de Homero que narra as aventuras de Ulisses.

7. Vai e vem ou vaivém.
Ambas as formas são corretas. Observe que o plural de vaivém é vaivéns. A primeira não tem hífen.

8. “Ele foi internado com fortes dores toráxicas.” Não. O certo é “… torácicas”.

9. A forma correta do verbo é poir (com “o”) ou puir (com “u”)? O correto é puir:
“O tecido está puído”.

10. Nepotismo vem da palavra latina nepos, otis, que significa neto; sobrinho. Logo, nepotismo, etimologicamente, significa a prática de nomear, para determinado cargo, um neto ou sobrinho. E, por extensão, um parente qualquer.

11. a) “A cerimônia foi comemorativa da instalação da Comarca.”
b) “Apreciei a cerimônia em comemoração da instalação da Comarca.”
Não diga: “comemorativo a… alguma coisa”, mas “comemorativo de… alguma coisa”.

12. Solteiro vem do latim solitariu[m]. Compreende-se que, apesar da origem da palavra, não se quer dizer que a pessoa solteira esteja sempre solitária. São as incongruências da evolução fonética. Lembre-se do que aconteceu com piscina e aquário…

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“Seja passado o passado. Tome-se outra vereda, e pronto.” Miguel de Cervantes
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1. Você já se conscientizou de que a palavra texto vem de textu[m], que significa tecido?
Portanto, quem produz um texto executa um entrelaçamento de palavras como quem tece um tecido, um tapete etc.
2. Você conhece a palavra grassar? Grassar significa alastrar-se, espalhar-se, propagar-se. Exemplo: “Grassavam (na região) os mais desencontrados boatos”. (Celso Luft)
3. a) Deficit (sem acento gráfico) = o que falta.
Faz o plural “deficits”. Pronuncie “déficit” e “déficits”.
b) Superavit (também sem acento gráfico, por ser latim) = o que sobeja, excedente.
Faz o plural “superavits”. Pronuncie “superávits”.
Alguns dicionários registram também a forma aportuguesada “superávit” (com acento gráfico).
Em Portugal, usa-se a forma aportuguesada “défice” (comacento e adaptação Caldas Aulete). Napoleão Mendes de Almeida critica essa forma adotada pelos irmãos lusos.
Por sua vez, o Aurélio acentua “déficit” e “superávit”. Mas, é só ele. O curioso desses termos é que são oriundos de formas verbais do latim. Veja: Deficit é 3.ª pessoa do singular do indicativo presente do verbo
deficere, significando, literalmente, “falta (isso ou aquilo)”. Superavit é 3.ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo, significando, ao pé da letra, “excedeu”, “sobrou”.
4. Você sabe o que é alevino?
Assim é denominado o filhote de peixe.
5. “O aluno daquele colégio, ele hoje faltou às aulas.” Ouvese, com frequência, esse descabido pleonasmo. Diga simplesmente, e de maneira correta: “O aluno daquele colégio hoje faltou às aulas”.
6. a) aluguel: pl. aluguéis
b) aluguer: pl. alugueres Ambas as formas são corretas.
7. Hall de entrada, hol (ról) de entrada ou hol (ól) de entrada? A forma aportuguesada é esta última, ou seja, escreve-se “hol”, mas não se pronuncia o “h”.
Em todo caso, temos o correspondente vernáculo “saguão” ou “salão”.
8. a) Efeméride = calendário, agenda, diário.
b) Alcateia (sem acento gráfico) = coletivo de lobos.
9. O plural de “curto-circuito” é “curtos-circuitos”.
10. O plural de “pronto-socorro” é “prontos-socorros” (“socórros”, aberto).
11. a) Hangar = galpão localizado em aeroportos.
b) Ode = poema lírico.
12. “O livro se encontra lá encima.” Errado!
O certo é: “O livro se encontra lá em cima.”
13. “Ela respondeu corretamente a pergunta do examinador.” Faltou o acento grave no “à”!
14. Emprego do hífen: pão-deleite; copo-de-leite. São espécies botânicas, já que o nome do alimento não tem hífen. Exemplos: tomei café com pão de leite. À noite, tome um copo de leite.

Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras; Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“Você é tão forte quanto se sente. Seja o que for, o que desejar fazer ou ser, lance fora seus temores e suas indecisões. Comece a viver e a dar forma a seus anseios!”

Myrtle Shay

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1. Estripulia. Escreva corretamente! Com “u”, não com “o”.

2. “É importante que se o diga.” O pronome se e o pronome o nunca devem vir juntos (se + o). Escreva simplesmente: “É importante que se diga.” Esse “o” na frase acima ­ a título de objeto de direto ­ está sobrando. A frase equivale a: “É importante que seja dito” (voz passiva).

3. Toalete é palavra francesa do gênero feminino: A toalete.

4. Degolar e decapitar. Quando se diz degolar, faz-se referência ao pescoço (collum, i ­ em latim). Quando se diz decapitar, faz-se referência à cabeça
(caput, itis ­ também em latim). Ambas são sinônimas.

5. Cotidiano e quotidiano. Ambas as grafias são corretas.

6. a) Maçom (ou franco-maçom) e mação (ou franco-mação).
b) Garçom e garção.

Todas essas formas são corretas.

7. “Bahia de todos os santos.”

O topônimo é Bahia, mas o adjetivo correspondente é baiano (sem “h”).

8. Batavo (tá)! Pronuncie corretamente. Paroxítona.

9. “O Superior Tribunal Federal julgou inconstitucional essa lei nova à”

Algo errado aí? Sim. Muitos jornalistas confundem e misturam as siglas STF (Supremo Tribunal Federal) e STJ (Superior Tribunal de Justiça).

10. Lemos em jornal: “O Profissionalismo à serviço do Cinema Arte.”

Que mania de pôr acento grave em tudo quanto é “a”! Lembre-se: Crase não ocorre antes de palavra masculina! E “serviço” é masculina. Logo… tire esse
acento grave daí!

11. NECROLOGIA é a denominação que se dá às seções em que se informam os falecimentos, na imprensa. Em grego, nekrós
quer dizer “morto”; logos quer dizer “estudo”, “tratado”. Numa tradução livre, seria: relação dos mortos.

12. DIÁSPORA quer dizer “dispersão dos judeus”. Do grego, “diáspora”, que significa simplesmente “dispersão”.

13. “Quero meu contra-cheque, agora!”

Não há hífen, aí. O certo é “contracheque”.

14. Observe: “De pijama, sim, senhor!” com duas vírgulas. A palavra “senhor” é vocativo e explica a necessidade da vírgula antes de si. Vale lembrar que, na enunciação, não se faz pausa alguma, ali. Pronuncia-se como se não houvesse a segunda vírgula: “De pijama, sim senhor!”

Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras; Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e
professor universitário aposentado.

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“Desperta! Levanta-te! Não te detenhas até encontrar a meta!”
A.J.Alexander
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1. a) “Ele adentrou a casa.”
b) “Eles adentraram-se na floresta.”
c) “Ela adentrou na sala.”
Todas as formas são corretas. A terceira forma (adentrar em) é abonada por Celso Luft. Influência, com certeza, do verbo entrar, cuja regência é entrar em.

2. Observe: “No que tange às leis brasileiras, a afirmação é correta”.
Aí, o verbo tanger, no sentido de dizer respeito a, é transi-tivo indireto. Portanto, a frase não merece reparo algum.

3. Neoliberal, neorrepublicano, extraoficial, ultrassom, in-fravermelho, autoescola (sem hífen!), protomártir. Observe que em vocábulos formados pelos prefixos auto, contra, extra, infra, intra, neo, proto, pseudo, semi e supra, só se em-prega o hífen, quando se lhes seguem palavras começadas por h ou pela mesma vogal em que o prefixo termina: anti-herói, anti-helênico, contra-almirante, anti-inflamatório, micro-ondas.

4. Réstia ou réstea? O correto é réstia: espécie de corda; feixe de luz.

5. Cabido e cabide.
Cabido é o conjunto de cônegos de uma catedral. Cabide é o pequeno móvel com braços onde se penduram roupas.

6. A abreviatura de Padre é: P. ou P.e . Tanto faz.
7. Escreva corretamente: campus: sem acento gráfico, pois se trata de palavra latina. O plural de campus é campi (puro la-tim).

8. Lemos em jornal: “Propaganda de medicamentos: qui prodest?”
O certo é “Cui (e não Qui) prodest?” Em latim, “qui” (pronun-cie “qüi”) é o caso do sujeito. “Cui” (pronuncie “cúi”) é o caso dativo, do objeto indireto, como deve ser no exemplo dado: “A quem interessa?”

9. Onomástica é o estudo explicativo dos nomes próprios.

10. Lótus é flor sagrada do Egito antigo.

11. “José dos Anzóis, abaixo-assinado, vem requerer a V. Ex.ª digne-se de…” Errado. Nesse caso específico, “abaixo assi-nado” não se escreve com hífen. Mas, quando substantivo: “Um abaixo-assinado (aqui, sim, com hífen!) com mil assinaturas foi entregue ao Prefeito”.

12. “Não trabalha nem tão pouco estuda.”
O certo aí é “tampouco estuda” (ou “nem estuda”)… Tem-se aí também uma redundância, porque “tampouco” já significa “nem”.
Logo: “Não trabalha, tampouco estuda” ou: “Não trabalha nem estuda”.

13. Precatório. No dia 2 de dezembro, a Comissão de Consti-tuição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou a pro-posta de emenda à Constituição que muda as regras de paga-mento dos precatórios e permite a estados e municípios re-alizar leilão no qual o credor poderá propor descontos para receber os valores.

“Precatório” tem origem no latim ‘precatorius, a, um’, que designa um documento no qual se pede ou solicita algo, sendo no caso acima uma requisição de pagamento de determinada quantia.

Não confundir com carta precatória ou, simplesmente, pre-catória, que é modalidade de correspondência entre juízes de comarcas diversas, em que um solicita ao outro a realização de atos processuais: de citação, de interrogatório ou de execução.

Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras; Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“O homem ignorante não é o homem sem instrução; é aquele que não conhece a si próprio.”
Krisnamurti
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1. Alto-falante ­ Escreva e pronuncie corretamente. Não se confunda auto (do grego: por si próprio, de si mesmo, como automóvel, autogestão (sem hífen) com alto.

2. Observe: o gene (unidade fundamental), a gênese (origem), o gênesis (bíblia: o livro do gênesis).

3. Eu ponho, tu pões, ele põe, nós pomos, vós pondes, eles põem. Veja aí a conjugação do presente do indicativo (voz ativa) do verbo pôr. Esse verbo continua com o acento circunflexo diferencial.

4. Irmãos colaços (do lat. collacteus = cum + lacteus, “de leite”). Você sabe o que significa? São crianças amamentadas pela mesma mulher, embora filhas de mães diferentes. Ex.: O irmão colaço (irmão de leite) de Pedro é Paulo.

5. a) Tudo o que ele fez.
b) Tudo que ele fez.
Ambas as formas são corretas.

6. a) Placebo (do lat. placebo = “eu agradarei”, do verbo placere). Remédio inócuo, ministrado em substituição a um medicamento, a fim de avaliar a reação do paciente.
b) Chancela quer dizer carimbo, assinatura, selo.

7. “Não venha você tentar me pôr em cheque!”
O que há de errado, aí, é a palavra “cheque” que, com esse significado, escreve-se “xeque”. O mesmo sentido que é usado no jogo de xadrez, em ataque sofrido pelo rei: “xeque-mate”.

8. “Posso lhe ajudar em alguma coisa?”
O certo é: “Posso ajudá-lo(-la) em alguma coisa?”
Assim é porque o verbo ajudar é transitivo direto e, por isso, pede o objeto direto: ajudar alguém (ajudá-lo)…

9. Duzentas e cinqüenta pessoas…
Correto. O numeral “duzentas” deve concordar com o substantivo “pessoas” (feminino plural). Com maior razão, “duzentas pessoas”! Diferente seria dizer: Dois milhões de pessoas. E não “duas milhões de pessoas”! Mas: Dois milhões e duzentas mil pessoas.

10. Porta-voz. Essa palavra é substantivo de dois gêneros que tem sua origem na junção dos termos ‘porta‘ (do verbo ‘portar‘) e ‘voz‘. Ela designa a pessoa que fala oficialmente em nome de alguém, de um grupo ou de uma instituição. Plural: “porta-vozes”.

11. Curto-circuito. Essa palavra designa, num dado circuito elétrico, o contato de resistência zero entre dois pontos de potencial distinto. Em sentido figurado, “curto-circuito” é colapso imprevisto no funcionamento de algo, causando problemas, interrupção, desorientação. Ex.: Curto-circuito do sistema econômico. Plural: curtos-circuitos.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“Sejamos bons e, depois, seremos felizes…”
Rousseau
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1. Precito significa réprobo; condenado; maldito. Castro Alves, como bom baiano, gostava, às vezes ou muitas vezes, de usar preciosismos como esse. Veja-se, por exemplo, o gosto baiano: o vocábulo “soteropolitano” (altamente precioso e, sejamos honestos, presunçoso). Antenor Nascentes chama essa formação (soteropolitano) de helenização da expressão Cidade do Salvador.

2. “Ele é um perfeito cavalheiro.” Por que não se usa o feminino correspondente? Simplesmente porque a língua optou por dama. Ex.: “A menina comportou-se como uma verdadeira dama (e não cavalheira)”. Nem sempre é explicável ou mesmo lógica a opção do falante… Lembra-se de “cavalgar” um camelo? E “embarcar” num avião? Que dizer de “piscina” (= lugar onde se criam peixes) ?

3. Lograr (conseguir). O verbo lograr liga-se a lucro ( < lucrum). Lograr tem ainda o sentido de enganar, burlar. Talvez porque, freqüentemente, quem logra (Fulano me logrou!) visa lucro, vantagem.

4. Relembrando… Recém é forma apocopada de recente, usada junto ao particípio: recém-nascido; recém-formado; recém-admitido. No entanto, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, usa-se recém livremente (e sem hífen): Recém almocei. Recém chegaram. Não podemos condenar tal regionalismo. Mas, não se cometa a herezia de pronunciar como paroxítona (récem).

5. Cavoucar ou cavucar?
A forma normal, culta, é a primeira: cavoucar. A segunda (cavucar) é apenas uma variante da primeira.

6. Lemos no jornal: “Estamos aguardando o parecer do Juiz”.
Ora, o Juiz não emite parecer: ele decide. O Ministério Público é quem opina, exara parecer. Na linguagem forense, “parecer” é também opinião manifestada por jurisconsulto sobre matéria controvertida.

7. Insólito quer dizer “contrário às regras”, “não habitual”.

8. Tandem (que vem do latim através do inglês tandem) significa, originariamente, “um depois (ou atrás) do outro”. Significa também “bicicleta de dois lugares” (um depois do outro).

9. “Este livro é mais bem escrito do que aquele.” Absolutamente correto.

10. Ter de… ou ter que fazer alguma coisa?
Ambas as formas são corretas.

11. A colunista escreveu: “Abemos presidente”…

Ora, ainda que se queira fazer uma alusão jocosa, é preciso observar certos princípios, como o da lógica e da verossimilhança. Quando a chaminé do Vaticano expele a fumaça branca, indicando que o sacro colégio cardinalício acaba de eleger o novo papa, a expressão estereotipada é: “Habemus papam”. Logo, teria sido adequado dizer: “Habemus (com “h”) presidente” ou, num rompante de erudição, “habemus presidentem”. Assim é porque o verbo habere (latino) resultou em haver (português).

11. Engodo. Recentemente, uma apresentadora e uma emissora de TV foram condenadas pela justiça por propaganda enganosa, sendo consideradas uma e outra participantes do engodo.

A palavra “engodo” tem origem obscura. O termo designa, no sentido figurado, aquilo que se usa para enganar alguém.

a) Isca para pegar peixes, pássaros etc.

b) Aquilo que se usa para enganar (chamariz); cilada; engano. Ex.: A promessa de aumento foi um engodo para interessá-lo no projeto.
(Definição do “iDicionário Aulete”).

12. Braile. O colunista Ancelmo Gois publicou em sua coluna na segunda-feira, 26 de outubro, que a OAB nacional prepara uma ação civil pública para estabelecer que todo o dinheiro circulante no país permita leitura em braile (com um “l” apenas).

a) Sistema de escrita e leitura tátil para deficientes visuais, consistindo em um conjunto de seis pontos em alto-relevo, que permitem 63 combinações diferentes para representar as letras do alfabeto, os acentos, a pontuação, os números, símbolos matemáticos e químicos e notas musicais. Anagliptografia: alfabetização em braile. O termo se origina do sobrenome do inventor do sistema, o deficiente visual Louis Braille (1809-1852).

b) Referente a esse sistema (alfabeto braile, notações braile).

(Definição do “iDicionário Aulete”).

Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“Somente quando for cortada a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, é que as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro.”
(Provérbio indígena)
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1. a) Ele preside ao país.
b) Ele preside o país.
Ambas as formas são corretas. Assim é porque presidir tem duas regências. Justamente essas aí.

2. a) A vitória implica muito trabalho.
b) A vitória implica em muito trabalho.
Observação. Com esse sentido, a linguagem culta exige a primeira regência. Já na linguagem coloquial, aceita-se essa segunda forma (implicar em), por influência de sinônimos como redundar (em), reverter (em), resultar (em), importar (em). Não nos esqueçamos de que esse verbo tem outros sentidos (e outras regências), como: Ele implicava com a irmã. Parentes o implicaram num crime.

3. “Esse candidato à Academia não escreveu livro algum.”
Você já observou que, no português moderno, o indefinido algum, quando posposto, tem sentido negativo, tornando-se mais forte do que nenhum?

4. Relembrando… O grau diminutivo pode ter valor de superlativo: Ande devagarinho. Fale baixinho. Acordou cedinho.

5. Invigilância! Você conhecia essa palavra? Pois ela existe, sim senhor! Significa falta de vigilância, negligência. Pode usá-la à vontade!

6. Lemos no jornal: “Mau menor”.
O certo é mal menor. O substantivo mal se opõe ao substantivo bem: “Bem maior”. Mau é adjetivo, que se opõe a bom.

7. “Esse personagem é um ante-herói.”
O que há de errado, nesse frase, é o prefixo “ante” que, aí, não faz sentido. O certo é: “anti-herói”. O prefixo ante quer dizer “antes”: antenupcial, que significa antes das núpcias, pré-nupcial. Já o prefixo anti quer dizer contra, contrário.

8. Complacência. No domingo, 8 de novembro, uma universidade de São Paulo publicou nota em vários jornais com o título “educação se faz com atitude, não com complacência”, onde anunciava a expulsão de uma aluna, envolvida recentemente num incidente polêmico em um dos campi da universidade.
“Complacência” tem origem no latim complacentia ou na adaptação do francês complaisance. Sinônimos: Benevolência; condescendência: ‘… (Antônimo: malevolência). (“iDicionário Aulete”).

9. Desfalque. Para a partida contra a Inglaterra, no sábado, dia 14, a seleção brasileira, às vésperas do jogo, teve um desfalque inesperado: o zagueiro Luisão, que precisou passar por uma cirurgia de emergência, devido a uma apendicite. “Desfalque” é um deverbal (palavra originada de um verbo) de “desfalcar”. Ação ou resultado de desfalcar.
10. Jactância. Essa palavra tem origem no latim jactantia e designa o atributo ou atitude de quem se julga superior e faz alarde de suas qualidades e proezas.
Sinônimos: altivez, arrogância. Antônimos: humildade, modéstia.
(“iDicionário Aulete”)

11. Chip. Na última semana, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) adiou, de 2011 para 2014, o prazo de implementação do sistema de monitoramento por chip para identificação de veículos de todo o país.
A palavra “chip” é um termo emprestado da língua inglesa e designa um circuito integrado, isto é, um complexo conjunto de componentes eletrônicos miniaturizados e suas interconexões, montado em pequena pastilha de material semicondutor, geralmente silício. (“iDicionário Aulete”)

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Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“Querer vencer significa já ter percorrido metade do caminho da vitória.”
Paderewsky
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1. À BEÇA

Segundo Deonísio da Silva, a origem dessa expressão é atribuída à profusão de argumentos utilizados pelo jurista alagoano Gumercindo Bessa, ao enfrentar Rui Barbosa, em memorável disputa pela independência do então território do Acre, que seria incorporado ao Estado do Amazonas. Com o tempo, o sobrenome famoso (Bessa) perdeu a inicial maiúscula, enquanto os dois esses foram substituídos pela letra cê com cedilha.

2. Paulatino (do lat. paulatim) quer dizer feito em etapas, gradualmente.

3. Hediondo (do espanhol hediondo = fedorento) significa nauseabundo, horrendo, repulsivo. Crime hediondo: crime revoltante.

4. Ápodo ou ápode = desprovido de pés.
Não confundir com apodo (paroxítona), que significa gracejo, zombaria, comparação demeritória.

5. Hecatombe (do grego, através do latim “hecatombe”). Na antiguidade, denominava-se o sacrifício de cem (hekatón) bois (boús). Hecatombeias, na Atenas clássica, eram festas em que se sacrificavam cem bois, em homenagem a Zeus. Hoje, é sinônimo de grande desgraça, massacre de grande número de pessoas.

6. Lemos em jornal:
a) Para deixar às portas abertas.
b) Vão ajudar a manter às portas abertas.
Errado! Ora, tanto o verbo deixar como manter são transitivos diretos (deixar o quê? manter o quê?). Logo, não há razão para aquele acento grave em “às”. O certo é: deixar as portas; manter as portas.

7. Você sabia que hirto quer dizer sem flexibilidade, retesado, duro? Pois é!

8. Óbolo (do grego obolós), “pequena moeda grega”, é sinônimo de esmola.

9. Ênclise com o infinitivo impessoal:
“É preciso arrepender-se de seus pecados.”
“Nesse caso, é adequado exigir-se uma explicação.”

OBSERVAÇÕES:

a) Não confundir o infinitivo impessoal com o futuro do subjuntivo, cujas formas são iguais nos verbos regulares:
“Se você o reconhecer…” e não: “Se você reconhecê-lo…”
“Se você a quiser, pode vir buscá-la” e não: “Se você quisé-la(!), pode vir buscá-la.”

b) Quando o infinitivo está acompanhado de palavra que exerce atração do pronome oblíquo, pode-se usar indistintamente ambas as posições:

“A renitência em não devolver-lhe a coisa gerou o conflito.”
“A renitência em não lhe devolver a coisa, gerou o conflito.”
Ambas as formas estão corretas.

c) Existem autores que afirmam que se deve dar sempre preferência à atração exercida pelo infinitivo. Quer dizer: na concorrência entre o infinitivo e outra palavra atrativa, há de prevalecer sempre o infinitivo, que exige a ênclise (“A renitência em não devolver-lhe…”).

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Dicas para se falar e escrever bem o português

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“Um grama de exemplos vale mais que uma tonelada de conselhos.”
Adágio popular

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1. O verbo pôr, único verbo em ­or, era, no português arcaico, poer, do latim ponere. Alguns gramáticos o classificam numa quarta conjugação. O acento circunflexo diferencial (para distinguir de por = preposição) continua.

2. Nisto, ele entrou.

Você já observou que a palavra nisto pode significar então, nesse momento? Veja o exemplo acima e confira.

3. a) Circunspecto – circunspeto
b) Circunspecção ­ circunspeção

Observe que todas as formas são corretas, mas as primeiras (com a sequência “cç”) são mais usadas. É o que diz o último acordo ortográfico.

4. Sinecura ­ (lat. sine + cura = sem cuidado) ­ significa emprego rendoso que exige pouco trabalho.

5. Estro ­ quer dizer engenho poético, inspiração, talento.

6. Lemos no jornal: “Fazer as vias de guarda de trânsito.” O certo é: “Fazer as vezes… (e não “fazer as vias…”)

7. Você sabia que armistício é uma trégua na guerra?

8. Sabia também que noa (do lat. nona) é a hora canônica correspondente às três da tarde?

9. “Inês é morta.” Essa Inês que deu origem ao provérbio, ganhou, depois de morta, de Dom Pedro (oitavo rei de Portugal) o título de rainha. O nome dela é Inês de Castro.

10. Ela deu à luz uma linda menina.

Nada de errado. A regência é assim mesmo: “dar à luz…” (com crase). E não: dar a luz…

11. Preboste quer dizer “preposto do soberano”.

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“Tratando os outros com mais amor e alegria, descobrimos mais alegria de viver.”
Unidade
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1. a) Santo Tomás de Aquino
b) São Tomás de Aquino

Ambas as formas são corretas. Mas, é bom observar que, antes de nomes começados por vogal e “h”, usa-se Santo. Ex.: Santo Agostinho, Santo Antônio, Santo Hipólito. Antes de nomes iniciados por consoante, usa-se São. Ex.: São João, São Pedro, São Geraldo. Temos, contudo, uma exceção: Santo Tirso, quando deveria ser São Tirso, já que começa por consoante. Aliás, duas exceções, já que se admite também, como foi dito, Santo Tomás de Aquino.

2. Soroptimistas

Não se sabe por quê, mas faz um século que foi criado esse clube feminino (no Brasil, faz cerca de 30 anos) e até hoje o termo não foi aqui dicionarizado. Vem do latim sóror, que quer dizer “irmã” e optimus, que quer dizer “o melhor”. Teríamos, então, “o melhor para as irmãs ou para as mulheres”.

3. Lemos em jornal: “Cum grana salis”… O que é isso? À primeira vista, parece um erro de impressão, já que a “frase feita” é: cum grano salis (com um grão ou pitada de sal, com algum tempero ­ em sentido figurado). Mas, se o autor queria fazer uma graça, passando a frase para o plural (grãos de sal…) teria de ser: “Cum granis (ablativo) salis”. E não como constou, pois grana é do gênero neutro, do caso nominativo (do sujeito) ou acusativo (do objeto).

4. a) Subtendido ou
b) Subentendido ?
A forma correta é a segunda: subentendido.

5. a) Caráter (ou carácter) ­ feitio moral
(e também tipo de imprensa).
b) Caractere ­ tipo de imprensa.
c) Caracteres ­ plural de caráter e de caractere.
6. Lemos em jornal, com letras garrafais: Já fazem dez anos!
O correto é: Já faz (singular) dez anos!

7. Lemos também em jornal:
“A rodovia é fechada durante à tarde”. O certo é sem o acento grave: “… durante a tarde”.

8. a) Você sabia que poma é o mesmo que seio de mulher?
b) Sabia também que ermida é capela construída em lugar ermo?

9. Comitê ­ do inglês “committee”, pelo francês “comité”:
a) Grupo de pessoas que se reúne para determinado fim.
b) Lugar onde se reúne esse grupo.

10. Tabu – do inglês “taboo”.
a) Que tem caráter sagrado.
b) Que é proibido.

11. Observe a diferença:
a) “Ninguém sabe por que ele não explicou”.
b) “Ninguém sabe porque ele não explicou”.
No primeiro caso, entende-se que “ninguém sabe o motivo por que ele não explicou”. Já no segundo caso, “ninguém sabe justamente pelo fato de não ter ele explicado”.

12. Note também:
a) Estava à toa na vida… (advérbio, que modifica verbo).
b) Ele era um homem à toa (adjetivo, que modifica substantivo). Pois é. Você está sentido falta do hífen, aqui, não é mesmo? Mas, segundo o novo Dicionário Ortográfico da Língua Portuguesa, nem o adjetivo, nem o advérbio levam mais o acento.

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“Não desanimes! Frequentemente, é a última chave do molho que abre a fechadura.”
Troty
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1.    Observe o hífen: meio-dia, meia-noite, meia-tigela, meio-fio, meio-soprano, meio-termo, meio-tom.
    Nota: Deve-se repetir o hífen, para maior clareza, quando ele ocorre no final da linha: ………………………………….meio-
    -dia.

2.    a) Cardial ou cardíaco (adjetivo) ­ relativo ao coração.
    b) Cardeal (substantivo) ­ prelado pontifício.
 
3.     a) Senário (adjetivo) ­ refere-se a seis unidades.
    b) Cenário (substantivo) ­ conjunto de materiais e efeitos cênicos.

4.    a) Senatoria (rí) ­ substantivo ­ mandato de senador.
    b) Senatória (tó) ­ adjetivo feminino ­ referente ao senado. Também se diz senatorial.

5.    a) Bem-me-quer (com hífen).
    b) Malmequer (sem hífen).
    Nota: Em bem-me-quer, foi necessário o hífen, diante da sequência “m” e “m” (bem-me…). Em malmequer, não.

6.    Lemos em jornal: Piloto (de avião) intemerato. O certo (no contexto) é: … intimorato! O termo empregado (intemerato) significa “íntegro”, “puro”. No contexto, o autor queria significar “destemido” e, portanto, intimorato.

7.    Você sabia que tael é moeda chinesa? Faz o plural: taéis.

8.    “Não se substime, mulher!” Algo errado, aí? O certo é: “Não se subestime, mulher!” O verbo é subestimar.   
 
9.    Você sabe o que quer dizer “pendão”?  Significa “bandeira”. Lembra do Hino à Bandeira: “Salve lindo pendão da esperança…”

10.    Lembre-se: Agora “pão de ló” não se escreve mais com hífen. Nem     “pão de milho”. Mas “pão-de-leite” se escreve com hífen.

11.    Tsunami ­ estrangeirismo emprestado da língua japonesa, que significa onda volumosa, com grande poder de destruição, quando chega à costa. Pode alcançar a velocidade de 800km/h.

12.    Ultimato ­ do latim ultimatum, significa declaração final e irrevogável; últimas propostas ou condições.
 
Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo! Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor  universitário aposentado.

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“Devemos ser bons… Não existem esforços inúteis, quando empregados em prol da coletividade.”

Getúlio Vargas

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1. a) Meu livro está aqui.
b) O meu livro está aqui.
Observe as duas modalidades possíveis. O emprego do artigo antes do possessivo ( O meu) é mais frequente em Portugal e menos frequente no Brasil. Aqui, nós consideramos mais elegante omitir o artigo, nesses casos. Exemplos: Em minha opinião, em meu poder, a seu bel-prazer, por minha vontade. Nos casos seguintes, em se tratando de partes do corpo, é absolutamente dispensável o possessivo: Vou lavar as mãos (e não “as minhas mãos”). Estou com dor nas costas (e não “em minhas costas”).

2. a) Onde está você?
b) Aonde você vai?
Use onde para designar “o lugar em que”. Use aonde para designar “o lugar a que”, “para onde”.

3. a) O professor mandou que o aluno trouxesse o livro.
b) O professor mandou o aluno
trazer o livro.
c) O professor exortou o aluno a que lesse o livro.
d) O professor exortou os alunos a continuarem a leitura.
*** Observe, acima, as diversas possibilidades de expressão.

4. “Ela trabalha de (ou como) empregada.” Está certo? Celso Luft e Houaiss registram ambas as regências: não há como taxar qualquer delas de errada.

5. “A poeta”… ? Você já encontrou isso aí em algum dicionário? A resposta é não, porque não existe! Então, por que continua usando?

6. “Verdugo” significa, entre outras coisas, “carrasco”.

7. “Ela, viúva, convolou novas núpcias com o príncipe.” Algo errado, aí? Sim. Faltou a preposição “a” ou “para”! Com esse sentido (mudar de estado civil), a regência do verbo convolar é de transitivo indireto, com o sentido de “passar para”. Logo, o certo é: “… convolou a (ou para) novas núpcias”. Na linguagem forense, usa-se também esse verbo, com regência de bitransitivo, com o sentido de “transformar um ato judicial em outro”. Ex.: “Convolou o arresto em penhora”.

8. A moeda oficial da Índia (como também do Nepal, da Indonésia, das Malvinas e de outros países) é a rupia (í).

9. “Após a vitória, foram confraternizar-se num belo restaurante.” Algo errado, aí? Sim. O verbo confraternizar não é pronominal. Não existe confraternizar-se. Logo: Após a vitória, foram confraternizar num belo restaurante.

10. “Japoneses e brasileiros são, por sua origem, antípodas.” Antípodas, aqui, significa “habitantes que se encontram em lugares diametralmente opostos, em relação ao globo terrestre”; antíctones; contrários. Usa-se, normalmente, no plural.

11. Vereador ­ Essa palavra está ligada à palavra vereda (caminho, orientação, rumo). Vereda > verea > vereia. Daí, o verbo verear = governar, fazer justiça no respectivo concelho (com “c”), cidade ou vila; reger como vereador; mostrar o rumo a seguir. Portanto, vereador é aquele que vereia, que governa.

12. Prefeito ­ A palavra vem do latim: prae + fectu(m). O prefectus é aquele que está à frente de… (prae). Notar que o “c”, antes do “t”, se transforma em “i”. Foi o que aconteceu, por exemplo, em: fructu(m) > fruito > fruto.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo! Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor  universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“O que bem identifica o caráter de um homem é a maneira como trata as mulheres.”
Emerson
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1. Estados Brasileiros que admitem o artigo:

O Acre, o Amazonas, a Bahia, o Ceará, o Espírito Santo, o Maranhão, o Mato Grosso do Sul, o Pará, a Paraíba, o Paraná, o Piauí, o Rio de Janeiro, o Rio Grande do Norte, o Rio Grande do Sul.

Portanto, devemos dizer: Estou no Acre, no Amazonas, na Bahia etc. Vou ao Acre, ao Amazonas, à Bahia…

2. Não admitem o artigo:

Alagoas, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe.

Para Alagoas e Minas Gerais admitem-se as formas poéticas: “As Alagoas” e “as Minas Gerais”.

Portanto, devemos dizer: Estou em Alagoas, vou a (sem crase) Alagoas; (estou em Santa Catarina, vou a (sem crase) Santa Catarina…

3. Não confundir “insipiente” com “incipiente”. A palavra insipiente (com “s”) designa aquela pessoa que não é sapiente; ignorante. Incipiente (com “c”) significa que está no começo; principiante.

4. Osteoporose ­ Rarefação anormal de osso. Pronuncie bem (os-te-o-po-ro-se)! E não, como ouvimos no rádio: ostoporose.

5. Lavamo-nos, lavais-vos. No primeiro caso, o “s” foi assimilado pela nasal (“n” de “nos”). No segundo caso, não. Simplesmente, permaneceu.

6. a) Enganar alguém.

b) Enganar-se com alguém.

Observe a diferença entre as duas regências verbais.

7. a) Farinha de primeira (indica superioridade).

b) Farinha de segunda (indica inferioridade).

8. Dia primeiro de maio. Para o primeiro dia do mês usa-se o ordinal. Muita gente escreve: “Curitiba, 01 de maio de 2004”. O certo é “…1.º de maio…” Ninguém diz: Hoje é “um” de maio! Usam-se os cardinais nos outros dias do mês, assim como para indicar as horas e os anos.

9. Tropo (do grego “tropos” = desvio) quer dizer emprego da palavra com sentido figurado.

10. Sebe quer dizer “cerca de arbustos”.

11. Chácara ­ pequena propriedade campestre.

12. Xácara ­ narrativa popular em verso.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo! Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia
Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“Eu não me envergonho de corrigir meus erros e mudar minhas opiniões, porque não me envergonho de raciocinar e aprender.”
Alexandre Herculano

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1. a) Escreve a carta.
b) Não escrevas a carta.
Use essas formas do modo imperativo, quando você empregar o pronome
pessoal “tu”.
c) Escreva a carta.
d) Não escreva a carta.
Use as duas últimas formas, quando empregar o pronome pessoal “você”.

2. a) Pedro caiu e quebrou uma costela.

Nesse caso, temos o pretérito perfeito simples ­ que indica uma ação que existiu em certo momento do passado.

b) Tenho escrito muitas cartas.
Nesse caso, temos o pretérito perfeito composto ­ que exprime a repetição de um ato e sua continuidade até o presente.

c) Perdoai nossas dívidas, assim como perdoamos a quem nos tenha ofendido.
Aqui, temos o subjuntivo ­ que exprime casualidade ou dúvida.

3. Observe:

a) a parede ­ o paredão
b) a porta ­ o portão
c) a mulher ­ o mulherão.
O aumentativo em “-ão” tem, normalmente, o gênero masculino, mesmo que a palavra da qual deriva seja feminina.

4. a) Trimestral ­ que se realiza de três em três meses.
b) Trimensal ­ que se realiza três vezes por mês.

Não confundir esses termos!

5. a) Ele carece de dinheiro. Quer dizer: Ele precisa de dinheiro.
b) Ele carece de razão;
o caso carece de importância. Quer dizer: Ele não tem razão; o caso não tem importância.

6. De ponta-cabeça é brasileirismo. Significa de cabeça para baixo. A expressão de pernas para o ar, que também empregamos com o mesmo sentido, é usual em terras lusas.

7. a) Prelo ­ prensa, máquina impressora.
b) Prélio ­ luta, combate.

8. Mascate (cidade portuária situada na Península Arábica, na Ásia) é capital de Oman. É daí que deriva o termo “mascate”, que significa “mercador ambulante de quinquilharias”. Tem a ver também com a histórica “Guerra dos Mascates”, em Pernambuco.

9. Estrato, em Meteorologia, quer dizer “nuvem baixa e cinzenta”.

10. “Última Flor do Lácio”.
Trata-se das primeiras palavras do soneto de Olavo Bilac, cujo verso completo ­ o primeiro do soneto ­ é: “Última flor do Lácio, inculta e bela”, publicado em 1918, no livro que tem por título “Tarde”. Como é sabido, chamou-se Lácio o território às margens do rio Tibre, na Itália, onde foi fundada a cidade de Roma, onde se falava o latim: Latium < latim. O português foi a última das línguas românicas ou neolatinas (além do francês, do espanhol, do italiano etc.), reconhecida somente no século XII como língua autônoma. Deixou, então, de ser apenas o “romance”, ou seja, falar ao modo romano (= romanice loqui). Daí, a expressão poética: “A última flor (no sentido de fruto) do Lácio”.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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Os homens fariam maiores coisas, se não julgassem tantas coisas impossíveis.”

JMalesherbes

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1. a) Pediu para que o irmão viesse.
b) Pediu para ela sair.
c) Disse para que o irmão viesse.
d) Disse para ela sair.

Todas essas formas são corretas.

2. Costas, no sentido de “dorso”, só se usa no plural: “dor nas costas”. Vieira emprega a palavra “costa” (no singular) no sentido de “costela”, assim: “A costa de que se havia de formar Eva…” Podemos, assim, deduzir que “costas”, no sentido de “dorso”, nos remete à palavra “costa”, no sentido de “costela”.

3. Precavemo-nos, precaveis-vos (presente do indicativo). Precavei-vos (imperativo). Precavi-me, precaveste-te, precaveu-se, precavemo-nos, precavestes-vos, precaveram-se (pretérito perfeito do indicativo). Pode-se dizer também: Eu me precavi, tu te precaveste, ele se precaveu, nós nos precavemos, vós vos precavestes, eles se precaveram.
Observe que esse verbo nada tem a ver com o verbo “ver” ou “vir”. É defectivo. Só tem as formas arrizotônicas (que têm a sílaba tônica fora do radical).

4. Chuí e Barigui. Em Chuí, há um hiato. Em Barigui, há um ditongo. Note que caiu o trema de Barigui; no entanto, a pronúncia continua a mesma. Nunca é demais repetir que a recente reforma é gráfica, não fonética.
5. a) Em Portugal, púdico, rúbrica (proparoxítonos).
b) No Brasil, pudico, rubrica (paroxítonos).
Observação: A pronúncia brasileira está de acordo com a do latim, donde tais palavras são derivadas.

6. a) No Brasil, chiclete.
b) Em Portugal, pastilha elástica.

7. Auto (por automóvel), foto (por fotografia), moto (por motocicleta), pneu (por pneumático), quilo (por quilograma). São palavras abreviadas que assumiram o sentido da palavra plena. Entre os jovens, ouve-se, atualmente: Fac (por faculdade), Profe (por professor ou professora).

8. Zângão ou zangão? Ambas as formas são corretas. O plural, porém, é que difere: zangão faz zangãos e zangões. Zângão faz zângãos.

9. Você já ouviu falar em “súcubo”? Segundo a crença popular, é demônio que adota a forma feminina. Pode também designar homem maricas, sem vontade própria. O antônimo (contrário) é íncubo.

10. Mavioso significa harmonioso, afetuoso, comovente.

11. Encíclica ­ carta circular papal sobre algum dogma ou doutrina católica.

12. De Portugal, Marco de Oliveira, nosso gentil leitor d’Além-Mar, nos envia mensagem de congratulações com a coluna e observa algumas divergências entre nosso falar e o falar deles, lembrando que, lá, eles escrevem “Singapura” e não “Cingapura”; “bilião” e não “bilhão”. Lembra, também, que, naquele lado do Atlântico, não é “correcta” a forma “dar-se o trabalho” ­ que nós, cá, estamos a admitir, como admitimos também “bilião”, ao lado de “bilhão”. Pois é, caro Marco. Existem, sim, algumas diferenças. Vocês aí dizem Senhora General, Senhora Juiz, Senhora Cônsul. Nós, cá, dizemos: Senhora Generala, Senhora Juíza, Senhora Consulesa. Para nós, dizer como vocês dizem é puro lusitanismo…

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

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Dicas para se falar e escrever bem o português

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“Os dias prósperos não vêm por acaso, nascem de muita fadiga e muita persistência.”
Henry Ford
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1. a) Dar-se ao trabalho.
b) Dar-se o trabalho.

Ambas as formas são corretas. Celso Luft observa que a sintaxe originária é a primeira: dar-se ao trabalho, dar-se ao luxo. Mas, atualmente, a segunda forma é usada por bons escritores.

2. a) Fluido (ú) (substantivo ou adjetivo). Ex.: Os fluidos (ú) classificam-se de outra forma.
b) Fluído (í) (verbo fluir). Ex.: O precioso líquido tem fluído em abundância.

Observe que as duas formas existem, mas têm sentidos diferentes.

3. a) Uma velha (substantivo) preta (adjetivo).
b) Uma preta (substantivo) velha (adjetivo).

Observe a diferença.

4. Factótum (literalmente, em latim: fac (faz) + totum (tudo): pessoa incumbida de realizar todos os negócios de outra; pessoa indispensável. A palavra está aportuguesada e, portanto, deve ser acentuada.

5. Você sabe o que é hibridismo? Em gramática, é a palavra formada por elementos de diversas línguas. Ex.: automóvel = auto (do grego) + móvel (do latim). Alguns filólogos condenam tais formações de palavras, afirmando que os elementos formadores devem ser da mesma língua.

6. a) TAP (= Transportes Aéreos Portugueses);
b) ONU (= Organização das Nações Unidas).

Observe que, no Brasil, a pronúncia é “ÔNU” (paroxítono) e, em Portugal, “ONÚ” (oxítono). Dissemos “pronúncia”, não “grafia”. A redução de longos títulos constituída das letras iniciais das palavras que os compõem denomina-se sigla.

Assim, “ONU” e “TAP” são siglas.

7. Palavras cruzadas. “Ad hoc” quer dizer: “para essa finalidade específica” e não “de propósito”, como vimos em palavras cruzadas, por aí.

8. O termo “patíbulo” significa:

a) pequena pata de certos artrópodes;
b) pequena base sobre a qual se coloca a patena, durante a missa;
c) estrado onde os condenados sofrem a pena capital;
d) apêndice de certos invertebrados.

9. Uma leitora manifesta dúvida com referência às palavras “alguém” e “ninguém”. É que em coluna anterior fizéramos alusão ao vocábulo “outrem”, que antigamente era grafado e pronunciado como oxítona (“outrém”), por analogia a “alguém” e “ninguém”. Mas, atualmente, grafa-se e se pronuncia OUTREM (paroxítona). ALGUÉM e NINGUÉM são oxítonas e levam o acento gráfico.

10. Obelisco ­ do grego “obeliskos” (pequeno espeto). Monumento quadrangular que termina em ponta, com forma de pirâmide. Antigamente, era feito de uma só pedra. Hoje, é feito de alvenaria comum ou de concreto armado.

11. Alvissareiro ­ que traz alvíssaras, boas novas ou dá esperanças. Vem do árabe.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo! Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“A vida se tornaria insuportável, se não proporcionasse mudanças.”
Joseph Murphy
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1. Quarta-feira de cinza ou de cinzas?

Preferimos o singular. Aliás, Vieira dizia:
Quarta-feira de cinza (no singular).

2. a) Conivência – é cumplicidade, colaboração.
b) Conveniência – é proveito, interesse, vantagem; aquilo que é útil.
Não confundir os termos acima!

3. Vimos na televisão: Renée Descartes. Trata-se de nome próprio masculino. Por isso, escreve-se assim: René (francês), do gênero masculino. O equivalente em português é Renato. Já com dois “ee” (“Renée”), é Renata (feminino).

4. Lemos em jornal: “Tratam-se de questões…” Errado. Ora, o verbo “tratar-se de” é transitivo indireto, que não admite voz passiva. E quando se diz “tratam-se” é porque se quer retratar a voz passiva sintética.

5. Ouvimos em rádio: “distingüir”. Esse verbo não existe. O que existe é distinguir (sem pronúncia do “u”). Como o trema caiu, nem pensar na grafia: “distingüir”.

6. a) Donativo vultoso – de grande vulto.

b) Indivíduo vultuoso – com as faces avermelhadas e com os olhos salientes.
Cuidado, para não usar um pelo outro.

7. “Nosso Guga estreiou mal no saibro.”

Algo errado, aí? Sim. O verbo estrear só recebe a inclusão do “i” nas formas do radical (rizotônicas): Eu estreio, tu estreias, ele estreia, nós estreamos, vós estreais, eles estreiam. Que eu estreie, que tu estreies, que ele estreie, que nós estreemos, que vós estreeis, que eles estreiem. Estreando, estreado, estrear.

8. “Muito obrigada do almoço! Estava ótimo.” Algo errado aí?

Se for uma mulher falando, está certo, em parte. O erro é somente a regência de obrigada. O certo é: “Obrigada (ou obrigado, se for homem) pelo almoço”.

9. Representar ao Ministério Público.

Respondendo a algumas consultas, informamos que o verbo representar tem várias regências. Essa aí é uma delas, significando dirigir uma representação a alguém. Faz parte da riqueza da língua, que, às vezes, cria algum embaraço ao falante. A frase está certa.

10. Residente na Rua XV de Novembro…

Entendemos que os operadores do Direito estão certos ao grafar o “r” de “rua” com maiúscula, ao nomear logradouros, praças e avenidas. É recomendação do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da ABL. Confira lá, por favor! Ah! E não se esqueça de que “Novembro”, aí, é nome próprio e há de ser grafado com inicial maiúscula. E não com minúscula, como algumas pessoas escrevem. Vale a ressalva, porque, de fato, em português, o nome de meses é grafado com minúscula. Exceto, por óbvio, quando a norma gramatical exige maiúscula, como no caso.

11. Residente na Rua XV de Novembro, 715 (ou n.º 715). Quanto ao uso da palavra “número” (abreviado ou não) depois da vírgula, no exemplo acima, não temos um critério para taxá-lo de errado. Se serve de consolo, podemos testemunhar que o mais comum é omitir-se a palavra “número”, nesse caso: Rua Desembargador Motta, 1010. Lembre-se, porém, que, tratando-se de caixa postal, não tem cabimento a vírgula: Caixa postal 25. É o mesmo que dizer: “caixa postal vigésima quinta”.

Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“Somente quando for cortada a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, é que as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro.”
Provérbio indígena
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1. Ínterim é proparoxítona. Não se admite a acentuação oxítona (interím).

2. Outrem é paroxítona. Não diga (nem escreva!) “outrém”. Acentuar como oxítona é arcaísmo. De fato, antigamente, acentuava-se “outrém”, tal como “alguém”, “ninguém”. Hoje, não. A pronúncia é “ôutrem”.

3. a) Fui eu quem fez o trabalho.
b) Fui eu que fiz o trabalho.
c) Quem fez o trabalho fomos nós.
d) Fomos nós que fizemos o trabalho.
e) Fui eu o professor que fiz o trabalho.
f) Fui eu o professor que fez o trabalho.

Por mais estranho que possa parecer, todas essas formas são corretas. Mas, você não é obrigado a usá-las indistintamente. Escolha aquela que lhe pareça mais agradável aos ouvidos.

4. a) Há muito tempo que não o vejo.
b) Há muito tempo não o vejo.
c) Não o vejo há muito.
d) Desde há muito, não o via.
e) De há muito não o vejo.
f) Até há pouco, eu o via por aqui.
g) Até há pouco, ele esteve aqui.

OBSERVE: Todas essas modalidades são corretas. Você escolhe a forma que mais lhe agrade.

5. a) Ele falou a cerca de mil ouvintes.
b) Há cerca de trinta dias, foi feita a proposta.
c) O professor falou acerca do progresso do Brasil.
São três formas diferentes de se expressarem ideias diversas.

6. a) Deve-se promulgar as leis.
b) Devem-se promulgar as leis.
Ambas as formas são corretas. Preferimos, porém, a primeira, em que “as leis” figura como objeto direto do verbo “promulgar”. No segundo caso, “as leis” funcionam como sujeito.

O verbo “devem-se”, nesse caso, é entendido como voz passiva sintética, devendo-se desdobrar assim: “As leis devem ser promulgadas”.

7. “Ela foi ao clube ao invés de ir à praia.” Algo errado, aí?

O que há de errado é “ao invés”, que significa “ao contrário”. É claro que tal oposição não ocorre no exemplo dado. O correto é: “Ela foi ao clube
em vez de ir à praia.” É preciso atentar para o fato de que a expressão “em vez de” pode ser usada em qualquer circunstância. Já “ao invés de” só pode ser empregada no caso de contradição. Exemplos: Ao invés do branco, usou o preto. Ao invés de chorar, riu a bandeiras despregadas. Ao invés de surrar, abraçou o moleque.

8. Síncope. Em medicina, é desmaio, perda dos sentidos, por deficiência na irrigação de sangue no cérebro. Vem do grego (syncopé) por meio do latim. Já em linguística, síncope é a eliminação de fonemas no interior da palavra. Ex.: pra, em vez de para.

9. Monossílabos tônicos terminados em a(s), e(s), o(s).
Para que não haja dúvidas, queremos dizer que esses monossílabos (palavras de uma única sílaba) continuam acentuados, mesmo depois do acordo ortográfico:

a) – pá, já, má, lá, trás, más, chás
b) – pé, fé, Sé, mês, três, rés
c) – pó, só, dó, cós, sós, nós.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

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Dicas para se falar e escrever bem o português

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“Os médicos mais notáveis são aqueles que sabem incluir fé e esperança na receita de seus clientes.”
O.S. Marden
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1. O verbo ser vem do latim sedere, que significa estar sentado. Assim foi a evolução fonética: sedere > seer > ser. O interessante é que, em latim, o correspondente de nosso “ser” é “esse” (leia-se ésse – aberto) do qual nada resultou em português.

2. “Não encontrei coisa alguma.” Observe que o pronome indefinido algum, quando posposto, significa nenhum.

3. a) Eu lhe deixei levar tudo consigo.

b) Eu o deixei levar tudo consigo.
Por mais estranho que possa parecer, ambas as formas são corretas.

4. Benvindo – é nome próprio de pessoa.

Bem-vindo (com hífen) – é adjetivo.

5. a) Prefiro o livro ao caderno.

b) Prefiro o lápis à caneta.
c) Prefiro estudar a não fazer nada.

Observe: Com o verbo preferir, use sempre a, ao, nunca do que. E jamais se usa “prefiro mais isso…”

6. Lemos em jornal: “O PT evocou a si as responsabilidades…” O certo é: ” … avocou a si…” , quer dizer, chamou a si, atribuiu-se… Ora, “evocar” é outra coisa.

7. Quem nasce em Singapura é singapuriano? É, talvez seja, ou talvez fosse, porque “Singapura” (com S) não existe. Mas, quem nasce em Cingapura é Cingapuriano.

8. “Ele é mal-humorado, mesmo.” Algo errado aí? Não, está tudo certo. O uso do hífen se mantém.

9. A repetição enfadonha de certas expressões, totalmente divorciadas do contexto, chama-se “cacoete”: “né”; “pois é, né”; “e daí” etc. O cacoete pode referir-se a certa mania, tanto de gestos, como de palavras. Não é comum, mas acontece de aparecer, em certas narrações verbais, a intercalação de palavra completamente estranha. Conhecemos uma pessoa que intercalava, sem mais nem menos, a expressão “o negócio” em todas (ou quase todas) as frases que dizia. Mais ou menos assim: “Certa noite… ‘o negócio’… eu vinha dirigindo meu carro… ‘o negócio’… quando avistei a namorada de meu irmão… ‘o negócio’… aos beijos e abraços com um desconhecido… ‘o negócio’…” Esse foi o mais estranho cacoete de que já tivemos conhecimento.

10. Permanece o acento em: Piauí, teiú, teiús, tuiuiú, tuiuiús.

11. Permanece ainda o acento em: baía, balaústre, amiúde, ciúme.

12. Caiu o acento em: baiuca, feiura.

12. Caiu também o acento em: Eu arguo (ú), tu arguis (ú), ele argui (ú), eles arguem (ú).

13. Puérpera – do latim: puerpera, ae. Quer dizer “mulher que acabou de dar à luz”; parturiente.

14. Parlapatão – do verbo parlar. Significa “pessoa que gosta de contar vantagens ou de mentir para se promover”; gabola. Collor de Mello chamou o Senador Pedro Simon de “parlapatão”.

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Dicas para se falar e escrever bem o português

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“Muitas pessoas devem a grandeza de sua vida aos problemas e obstáculos que tiveram de vencer.”
Spurgeon
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1. “Seria bem bom que (ou se) ela viesse visitar-me.” Você sabia que o advérbio “bem” pode também significar “muito”? Pois pode, como no exemplo acima.

2. “Quantas vezes não te vi distraído!”
Observe que nem sempre o advérbio de negação “não” tem sentido negativo.

3. “Esta criança está doente. Vamos logo chamar o físico.” Você sabia que, no português arcaico, a palavra “físico” tinha o sentido de médico?

4. Cães (do latim canes a, e); cristãos (do latim christianos a, o); sermões (do latim sermones o, e). Como se vê, dependendo da origem latina, a palavra tem o plural em: – ães, – ãos ou ões.

5. Ouvimos em rádio: “O orador falava perante a muitas pessoas.” O correto é: “O orador falava perante muitas pessoas.” Sem aquele intruso “a”!

6. Vimos em televisão: “Chuvas provocam muito trânsito em São Paulo.” Ora, o trânsito independe das chuvas. O que elas podem provocar são “problemas de trânsito”…

7. a) Era perto de cinco horas.
b) Eram perto de cinco horas.
Qual a forma correta? Ambas as formas são corretas.

8. “O ambiente está cheirando a rosa.” Algo errado aí?
Tudo certo. “Este sabonete cheira a jasmim”. Nesses casos, nunca pôr acento (grave, ou qualquer outro) no “a”!

9. Alguns nomes próprios locativos aceitam o artigo, outros, não. Veja: Vou a Paris (sem acento grave no “a”). Vou a Belém (também sem acento). Vou a Morretes (sem acento). Mas: Vou à França (com acento!). Vou à Lapa (com acento!). Damos uma dica: Faça uma substituição, assim: Vou a (?) Espanha = Estou na Espanha. Então: Vou à Espanha. Outro exemplo: Vou a Mônaco = Estou em Mônaco. Logo: Vou a Mônaco (sem acento!). Entendeu bem? Se, na substituição, aparecer a contração “na”, haverá crase. Se aparecer só a preposição “em”, não haverá crase.

10. O correto é: “Proibida a entrada” ou “É proibida a entrada”. Estão erradas as formas: “Proibido a entrada” e “Proibido à entrada”. Mas, pode ser também: “Proibido entrada de crianças” (sem o artigo “a”).

11. Hipotermia é a queda da temperatura do corpo abaixo dos 35º (trinta e cinco graus), com consequente prejuízo do metabolismo.
Gratos a todos pela colaboração.
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Dicas para se falar e escrever bem o português

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“A estrada do sucesso pode ter vários quilômetros, mas é na mente que se começa a contar os primeiros passos.”
F.R.C.
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1. “Matou à pau.” Errado! Palavra masculina (pau) jamais admite crase. O certo é:
“Matou a pau”; “matou a cacetadas”; “matou a tiros”.

2. “A capella” (do italiano) significa “sem acompanhamento instrumental”. Repare bem como se escreve: sem acento grave no “a” e com dois “eles” em capella.
Em francês, diz-se “à chapelle”.

3. Ouvimos em rádio: “É uma questão de dias” (com pronúncia do “u”). Não é uma questão pacífica. Usualmente, não se pronuncia o fonema “u”, nesse caso. De qualquer forma, não existe trema, aí. Aliás, o trema desapareceu quase por completo, com exceção apenas de palavras estrangeiras e derivadas. Além do mais, pronuncia-se “questionamento”, e não “qüestionamento”. Também não se pronuncia, normalmente, o “u” em “questionar”, “questionário”, “questiúncula” etc.

Encontramos, porém, no Houaiss o registro da pronúncia “qüestão” (e seus derivados), talvez numa tentativa de retratar possível tendência (predominante no falar carioca) da evolução fonética do termo. Aliás, é bom lembrar que o Aurélio, na edição de 99, não registra a pronúncia “qüestão”. Mas, na edição de 98, ele a registrava. A Academia Brasileira de Letras registra ambas as pronúncias. Repita-se: Estamos falando de pronúncia, não de grafia. O trema caiu, com o novo acordo ortográfico.

4. a) Dezanove.
b) Dezasseis.
c) Dezassete.
Gente do interior e gente antiga usam tais expressões. E também em Portugal. Deve-se a divergência a duas possíveis origens: do latim “decem et septem”, “decem et sex”, “decem et novem” e “decem ac septem”, “decem ac sex”, “decem ac novem”.
5. a) Quem é ele?
b) Quem são eles?
Observe que o pronome “quem” pode referir-se a mais de uma pessoa.

6. a) Sem papas na língua.
b) Sem palpas na língua.
A forma correta é a alternativa “a”. Não existe a expressão: “palpas na língua”. Talvez se faça aí uma analogia com “palpos (apêndices) de aranha”.

6. “O país deve um bilião de dólares.”
Nada errado. Diz-se indiferentemente “bilhão” ou “bilião”.

7. Assinale a alternativa correta:
a) Fui à Curitiba.
b) Vou à Goiânia.
c) Visitei a Bahia.
A correta é a alternativa “c”. Curitiba e Goiânia não admitem o artigo e, em consequência, não admitem a crase. Veja: “Estou em Curitiba, estou em Goiânia”. Se admitissem o artigo, diríamos: “Estou na Curitiba, estou na Goiânia”.

8. “Curitiba à 30km”. O que há de errado é o acento grave no “a”. Mesmo porque “quilômetro” é palavra masculina, que repele a crase. Diferente de: “Curitiba à distância de 30km”. Aqui, tudo bem.

9. Apesar da orientação vacilante dos dicionários, entendemos que “malha-fina”, “pente-fino” e “maus-tratos” devem escrever-se com hífen. Ora, todos os termos, aí, representam um único sintagma, uma expressão específica. O V.O.L.P. registra “pente-fino” e “maus-tratos”. Mas, não sabemos por quê, não registra “malha-fina”.

10. Influenza. Trata-se de doença infecciosa aguda, de origem viral, que ataca as vias respiratórias. O termo vem do italiano e significa “gripe”.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo! Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

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“Os homens fariam maiores coisas se não julgassem tantas coisas impossíveis.”
Malesherbes
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1. “Risco de morte” ou “risco de vida”?

É curioso observar como, na evolução lingüística, o falante (a pessoa) esquece, às vezes, a origem da palavra ou da expressão e se envereda por caminhos totalmente opostos. É o caso, por exemplo, de “piscina”, que deveria ser o tanque onde se criam peixes, e “aquário”, um simples tanque com água. Hoje os sentidos são trocados: “piscina” é um tanque (por assim dizer) com água; e “aquário”, um tanque onde se criam peixes. No exemplo dado, o lógico seria “correr risco de morte”. Se eu digo “perigo (ou risco) de morte”, estou dizendo que pode advir morte. Se digo “perigo (ou risco) de vida”, estou dizendo que a vida pode sofrer perigo. Costuma-se dizer também: “perigo (ou risco) de infecção”

(= pode acontecer infecção). Depende do que a pessoa quer ressaltar: se o “risco de perder a vida” ou o “risco de acontecer a morte”. Ainda que não tenha lógica, é possível que a expressão “risco de vida”, mais usual, venha a suplantar a outra, tida como lógica: “risco de morte”. Não há erro, aí. Ambas as formas são aceitáveis.

2. Lemos em jornal: “Estou de volta à Curitiba”. Errado. Não há crase, porque Curitiba não admite o artigo (a). Logo, não se justifica o acento grave. Veja: “Estou em Curitiba.” Se admitisse o artigo, seria: “Estou na Curitiba”.

3. “Noite feliz! Noite feliz!…” Nesse cântico de Natal, cantado por toda gente, quase sempre se comete uma falha. Assim: “Ó Senhor…” O correto é: “O Senhor…” Ora, o termo “senhor” é sujeito do verbo “nasceu” (… nasceu em Belém…) E não, vocativo (Ó Senhor)!

4. a) Livro que contém ilustrações.
b) Livro com ilustrações.
Ambas as formas são corretas. Evite o galicismo: “Livro contendo ilustrações”.

5. a) Trabalhei por convencê-lo.
b) Trabalhei para convencê-lo.
São dois modos corretos de expressar a mesma ideia.

6. Como se denomina o cidadão natural de Trinidad e Tobago?

Resposta: O natural de Trinidad e Tobago (República da América Central) tem várias denominações: tobaguiano; trinitário; trinitino; trinitário-tobagense.

7. “Envio, em anexo, os documentos solicitados.” Afinal, a locução adverbial “em anexo” é correta ou não? Napoleão Mendes de Almeida condena o uso dessa expressão. Ele entende que o termo “anexo” só se emprega como adjetivo: “Enviei, anexos, os documentos solicitados”. Mas, nem ele nem seus seguidores apresentam um argumento convincente. Alguns autores afirmam, simplesmente, que a locução “em anexo” não tem tradição na língua portuguesa. Faraco e Moura defendem o uso dessa expressão adverbial, sem qualquer restrição. Ora, se alguns condenam a locução “em anexo”, como então explicar essas outras análogas: “em separado”; “em suspenso”; “em aberto”; “em branco”…? Ora, a analogia é um fenômeno lingüístico, tão respeitável quanto os demais! Em conclusão, nada temos contra o uso da locução adverbial “em anexo”.

8. Afinal, o certo é “pego” ou “pegado”?

É claro que você não vai encontrar o uso de “pego” entre os clássicos do idioma. Trata-se de formação analógica recente, de emprego coloquial tão insistente, que bons dicionaristas a registram. Não se pode codená-la como “erronia”, mas deve-se evitá-la em contexto erudito. De qualquer modo, evite-se a pronúncia aberta: “pégo”. E também não se cometa, por analogia, o erro de dizer: “Ele ainda não tinha chego (em vez de chegado)”. O verbo chegar não é abundante, não tem essa forma de “chego”, no particípio.

9. Ouvimos em rádio: “Duzentas milhões de cópias”. O correto é: “Duzentos milhões de cópias”. Acontece que “milhão” é do gênero masculino.

10. Lemos em jornal: “beneficiência”. O correto é: “beneficência”.

11. a) Ter de fazer alguma coisa.
b) Ter que fazer alguma coisa.
Ambas as formas são corretas.

12. a) “Pedir a mão de alguém em casamento.”
b) “Pedir a mão de alguém.”

A segunda opção é a correta. Diga, simplesmente: “Pedir a mão de alguém.” Já está implícito que o pedido é de casamento.

13. Observe a pronúncia correta: obséquio (z); subsídio (sí); utensílio (sí).

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo! Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“Dentro de você existe um gênio. Desperte-o!”
Anônimo
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1. “Viagem é bom.” “É bom que viajem.”

Repare que o substantivo é com “g”: A viagem foi boa. Já o verbo é com “j”: Ainda que os deputados viajem de graça, digo, à custa do contribuinte…

Entendeu bem? Sempre que for verbo, escreve-se com “j”: Eu viajo, tu viajas, ele viaja… (Nem poderia ser diferente: “eu viago”… pois o fonema representado pelo “j” precisa ser mantido). Veja também: Que eu viaje, que tu viajes, que ele viaje, que nós viajemos, que vós viajeis, que eles viajem.

2. RetroCEDer – retroceSSo

InterCEDer – interceSSão
CEDer – ceSSão
ExCEDer – exceSSo
ConCEDer – conceSSão
Anote em sua agenda essas palavras. Relacione o radical CED dos verbos com a terminação dos nomes correspondentes, em SS.

3. ProGREDir ­ progreSSo e progreSSão

ReGREDir – regreSSo e regreSSão
AGREDir – agreSSão
Anote também essas palavras derivadas de verbos com o radical GRED. Uma hora dessas, você pode precisar delas.

4. Faça o mesmo com os seguintes grupos de palavras:

a) ComPRIMir – compreSSão
RePRIMir – repreSSão
SuPRIMir – supreSSão

b) ReMETER – remeSSa

SubMETER – submiSSão e submiSSo

c) DiscuTIR – discuSSão

RepercuTIR – repercuSSão
PermiTIR – permiSSão

5. “Naquela tarde, eu estava à-toa, mesmo.” Algo errado aí?

Sim. Atualmente, com a reforma, a expressão não leva mais o hífen. Seja advérbio, como no caso acima, seja adjetivo: “Era uma mulher à toa”. Napoleão Mendes de Almeida, citando Laudelino Freire, afirma que não se justifica a crase aí. Mas, os dicionários consultados, inclusive o V.O.L.P., registram a expressão com acento grave
(que denota a crase).

6. “Quero um copo d’água de côco.” Algo errado aí?

Sim. O acento circunflexo, que não existe, na palavra “coco”.

7. “Entregue-lhe logo a chave, se não estamos perdidos.” O que há de errado é a palavra “senão” (= do contrário), que, com esse sentido, escreve-se junto e não separadamente, como está.

8. “Por que páras na estrada, ó caminheiro?” Errado. Não existe (nunca existiu) acento em “paras” (2.ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo parar). Com a reforma, caiu também o acento diferencial em “para” (do verbo parar). O certo é: Ele para (sem acento) no meio do caminho.

9. Estrepolia ou estripulia? Ambas as formas são corretas e significam peraltice, traquinagem, confusão.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo! Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“O ponto, que ontem era invisível, é hoje o ponto de chegada. Amanhã, será o de partida…”
Macaulay
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1. Pajé escreve-se com “j” e não “pagé” (com “g”). Origina-se do tupi pa’yé.

2. Vou indo… ­ Curiosamente, o verbo “ir” pode ser auxiliar do próprio verbo “ir”, tal como no exemplo dado. O mesmo se diga do verbo “vir”. Lembram-se? Ele vem vindo…

3. Entre mim e ti… Esse é o emprego correto dos pronomes. O correto é dizer: “Entre você e mim, entre mim e você”. Não diga: “Entre eu e tu, entre você e eu”…

4. Lemos em jornal: “Pessoas aventurosas”. O certo é: “Pessoas aventureiras”. “Ventura” é que deriva “venturoso”. Ambas ­ ventura e aventura – têm algo em comum: “coisas que hão de vir” ou “estão por vir” – implícita, aí, uma conotação otimista (coisas boas).

5. Lemos também em jornal: “O cal extraído de nossas minas… O correto é: “A cal (feminino!)…” Deve-se a erronia provavelmente à analogia que se faz com o vocábulo “caule”, que é masculino (o caule da planta).

6. a) “Pedro é mais alto que Paulo.”
b) “Pedro é mais alto do que Paulo.”
Ambas as formas são corretas.

7. Você já reparou que os meses, em português, não aceitam o artigo? Veja: janeiro (não o janeiro); março (não o março).

8. Observe a presença do hífen, por força do acordo ortográfico: ar-condicionado, arco-íris, ano-luz, decreto-lei, médico-cirurgião, tenente-coronel, tio-avô, amor-perfeito, guarda-noturno, norte-americano, guarda-chuva, guarda-pó, guarda-sol, conta-gotas, conta-corrente, azul-escuro, azul-claro.

9. Curiosidade sobre o uso do hífen: malmequer escreve-se assim, sem hífen. Mas, bem-me-quer se escreve com hífen.

10. Observe a presença do acento agudo em: ciúme, egoísmo, faísca, miúdo, paraíso, ruína, saída, sanduíche, graúdo, balaústre, baía, cafeína, (eu) atraí, (tu) atraíste .

11. “Ela prefere mais ir à praia a trabalhar.” Algo errado aí?

Resposta: Sim. A regência do verbo preferir é: preferir uma coisa à outra.

O certo é: “Ela prefere ir à praia a trabalhar”. Não se diz: Prefiro mais uma coisa à outra. Mas: Prefiro uma coisa à outra. Aquele “mais”, ali, está sobrando. Errado também é dizer: “Ela prefere ir à praia do que trabalhar”.

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Dicas para se falar e escrever bem o português

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“A vida se tornaria insuportável, se não proporcionasse mudanças.”
Joseph Murphy
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1. Observe: ruim (sem acento) ­ ruína (com acento);
juiz (sem acento) ­
juíza (com acento);
juízes (com acento).

2. Mel ­ plural méis ou meles. Observe: colmeia, ideia, panaceia. Por que méis tem acento e ideia, não? Pelo acordo ortográfico, somente as paroxítonas com os ditongos abertos ei e oi perderam o acento (antigos éi e ói). As oxítonas e os monossílabos (com tais ditongos), não. Compare com: heróis, anéis, caracóis (que continuam com o acento).

3. Grão-mestre ­ plural grão-mestres; grã-cruz ­ plural grã-cruzes.

4. Comerás do pão e beberás do vinho.

Observe, aí, o valor “partitivo” expresso pela preposição “de”.

A propósito, lemos em jornal de grande circulação nacional: “Nessas condições, você pode comer tudo”. Gramaticalmente, poderia estar certo, já que o verbo comer é transitivo direto.

De acordo com a lógica, porém, está errado, pois ninguém consegue comer tudo, mas, na melhor das hipóteses, de tudo.

5. Lemos, novamente, em jornal: “As mestres de cerimônia…” Repetimos: O correto é: “As mestras de cerimônias…” Observe a flexão de “mestres” para o feminino (“mestras”) e de “cerimônia” (singular) para o plural (“cerimônias”). Mesmo no singular, diz-se:
“A mestra (ou o mestre) de cerimônias”. Observe que a expressão perdeu o hífen. Tiraram também o hífen de mestre de obras. Uma barbaridade!

6. Lemos no título de um livro: “Quem ama, educa.” Não pode ser! Não se pode colocar vírgula entre o sujeito (Quem ama) e o predicado (educa). Logo, o certo é: “Quem ama educa”!

7. “Saddam Hussein foi encontrado, com barba por fazer, escondido num buraco, como um rato assustado.” Algo errado aí?
Quem viu a foto de Saddam Hussein, ao ser capturado, deve ter reparado que ele estava “barbudo” ou “barbado” e não, apenas, “com barba por fazer”, ou seja, só um pouco crescida.

8. O certo é “bem-vindo” (com hífen) e “bem-vindos (plural).

9. “Protocolar” ou “protocolizar”? O uso de “protocolar”, como verbo, decorreu de derivação do substantivo “protocolo”. Alguns estudiosos repudiam o uso de “protocolizar”. Outros contestam o emprego de “protocolar” como verbo. Mas, dicionaristas como Houaiss e Aurélio registram ambas as formas. Entendemos que o uso consagrou ambas. Mas, é preciso atentar para o fato de que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa registra apenas protocolizar, como verbo (“Vou protocolizar a petição”). E protocolar, como adjetivo (“Obedeceu aos trâmites protocolares”).

10. Lemos em jornal de grande circulação nacional: “A torcida e o povo é quem pagam a conta…” O certo é: “… quem paga a conta”. Acontece que o pronome quem deve ser desdobrado em “o que”, “aquele que”. Por aí se vê que o verbo ficará sempre no singular, qualquer que seja a pessoa e o número do sujeito da oração principal. Ex.: Eu e você somos quem paga a conta..

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo! Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“A felicidade existe, não fora de nós, onde em geral a procuramos, mas dentro de nós, onde raras vezes a encontramos.”
Huberto Rohden
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1. Barbaria (í) ou barbárie. Ambas as formas são corretas. Prendem-se ao grego “bárbaros”, pelo latim “barbaru”, que significa “estrangeiro”.

2. Habitat ­ Pronuncie corretamente: “hábitat” (proparoxítono), não esquecendo o “t” mudo final.
O Aurélio sugere o plural “habitats”.

3. a) Barigui (sem trema).
b) Chuí.

Observe que ambas as palavras são oxítonas, mas apenas a segunda leva o acento gráfico. Na primeira, há um ditongo (uí). Na segunda, existe um hiato (u-í). Veja outros exemplos: Irati, Parati, Ibaiti, que não se acentuam. Já: Assaí, Paranavaí, Carambeí são acentuadas. Lembre-se da queda, por força do acordo ortográfico, do trema em Barigui, Tingui. Muda a escrita, com a queda do trema, porém a pronúncia continua a mesma.

4. a) O futuro da nação (danação)…
b) Nosso hino (suíno)…
c) Vou-me já…
d) Ontem, eu vi ela (viela)…
e) Ele ainda busca gado no Mato Grosso…
São cacófatos (sons desagradáveis ou ridículos) que devem ser evitados.

5. a) Os jogos que não foram adiados serão realizados amanhã (= denotativa). Subentende-se que alguns jogos foram adiados.
b) Os jogos, que não foram adiados, serão realizados amanhã (= explicativa). Subentende-se que nenhum jogo foi adiado, apesar de algumas pessoas pensarem o contrário, por alguma razão.
Percebam a diferença que faz a vírgula, nos exemplos acima. Ambas as frases estão corretas, mas têm significação diferente.

6. a) Corcunda
b) Carcunda
c) Cacunda
A origem dessas palavras não tem opinião uniforme. Napoleão Mendes de Almeida entende que o certo é “carcunda”, muito embora “corcunda” seja a forma mais usual. Já “cacunda”, usual no Nordeste, vem do kimbundo “kakunda”. Não seria demais adotar a hipótese de ter havido, aí, um hibridismo de “cacunda” e “corcova”, com o resultado “corcunda”.

7. Quem nasce no Vietnã (Ásia) é:
a) vietname
b) vietnense
c) vietnamita
d) vietnãense
A resposta certa é a alternativa “c”: vietnamita
(a forma mais usada). Ou, também, vietnamense ou vietnamês.

8. Feraz e feroz não são sinônimos.
a) Feraz quer dizer “fértil”, “fecundo”. Do latim: ferax, acis.
b) Feroz é o que apresenta instinto de fera, bravio. Do latim: ferox, ocis.

9. De onde vem a expressão “quiproquó”? Vem do latim “qui pro quo”
(quid pro quod). Significa confusão, imbróglio.

10. “Os lápis custam dois reais cada.”
Errado. Não se usa o pronome cada isoladamente, como nesse exemplo. Deve vir acompanhado sempre de um substantivo ou de outro pronome. Assim: “Os lápis custam dois reais cada qual (ou cada um).” “O pão nosso de cada dia.” “Cada macaco em seu galho.”

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo! Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

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“Não compro bilhetes. Já ganhei na loteria quando nasci.”
Roberto Irineu Marinho

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1. Lemos em jornal: “Relevados a segundo plano…” O certo é: “Relegados a segundo plano…” (= postos em segundo plano, desprezados).

2. Estesia ­ Você sabe o que significa?
Então, anote lá: é o sentimento do belo, sensibilidade. Vem do grego e tem a ver com estética: percepção.

3. Reclame (anúncio publicitário) ou reclamo? Por mais que os dicionaristas registrem a forma “reclamo”, esta jamais conseguiu desbancar “reclame” (por influência francesa), que existe ao lado de “anúncio”.

4. Vir < venire (lat.). Estranho verbo!
a) Vindo é gerúndio e particípio:
Ex.: Ontem, ele já tinha vindo (particípio).

Encontrei o colega vindo (gerúndio) a Curitiba.

b) Vir e ver ­ pequena diferença morfológica:
Ex.: Ele vê (do verbo ver).
Eles veem (do verbo ver).
Quando ele vir (do verbo ver = enxergar).
Ele vem (do verbo vir).
Eles vêm (do verbo vir).
Quando ele vier (do verbo vir).

c) Ele vem vindo. Curiosamente, o verbo “vir” pode ser auxiliar do próprio verbo “vir”, como no exemplo supracitado. Não tenha medo de usar essa forma, que é correta.

5. a) Passará o céu e a terra… b)Passarão o céu e a terra…

Ambas as formas estão corretas. O verbo precede o sujeito composto e, assim, pode ficar no singular ou no plural.

6. Personagem. Apesar da oposição de Napoleão Mendes de Almeida, o vocábulo “personagem” é comum de dois gêneros (= a personagem, o personagem). Assim o registram os bons dicionaristas. Napoleão recomenda o uso só no feminino: a personagem.

7. Você sabe o que significa “morganático”?

“Morganático” é o casamento de uma pessoa nobre com outra plebeia.

8. Amenista é aquele que diz “amém” a tudo.

9. Ele pensava consigo: “Isto é injusto!”

Nada há de errado aí. O pronome consigo é reflexivo, ou seja, só se usa com referência ao sujeito. Não se pode dizer: “O Diretor quer falar consigo” (= com você). Entendeu? Não se pode usar o pronome consigo referindo-se à pessoa com quem se fala, mas somente à pessoa de quem se fala.

10. O feminino de “camaleão” é “camaleão fêmeo”. Como a palavra é formada a partir de “leão”, cujo feminino é “leoa”, costuma-se usar o feminino “camaleoa” ­ que, a bem da verdade, não existe. Trata-se de substantivo epiceno. Portanto, dir-se-á, no feminino, “o camaleão fêmeo” ou “a fêmea do camaleão”. Não se dirá, de forma alguma: “a camaleão”! Muito menos: “camaleão fêmea”.

Gratos a todos pela colaboração.

Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

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Dicas para se falar e escrever bem o português

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“Retire de sua vida tudo o que lhe dá trabalho e preocupação desnecessários.”
Anônimo
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1. “Ele perdeu o auto-controle.”

Está certo? Não! Escreve-se: autocontrole (sem hífen).

2. “Seja benvindo!”

Não. Escreve-se: bem-vindo (com hífen). O nome próprio de pessoa é que se escreve assim: Benvindo (com “n” e sem hífen).

3. a) Política neoliberal.

b) Injeção intramuscular.
c) Notícia extraoficial.

É assim mesmo, sem hífen. Nas três alternativas.

4. “É um trabalho subumano”.

Pode ser assim, ou com hífen: sub-humano. Ambas as formas são consideradas certas. Já a palavra “co-herdeiro” (com hífen e “h”) não existe mais. Escreve-se tão somente “coerdeiro” (sem hífen e sem “h”). Consulte o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

5. Lemos em jornal: “Primos-irmão”. O certo é: “Primos-irmãos”, que é o plural de “primo-irmão” (com hífen).

6. “O Juiz procedeu à leitura da sentença.” Certo. Observe a crase. A regência do verbo é “proceder a alguma coisa”.

O uso desse verbo como transitivo direto (Procedeu a leitura…) é observado na comunicação coloquial e jornalística. Até na linguagem forense, não é incomum tal regência, mas apenas na voz passiva: Procedidas as diligências de praxe… Rigorosamente, não seria possível, pois somente os verbos transitivos diretos podem ser usados na voz passiva.

7. “Ela já está ao par de tudo.”

Algo errado aí? Sim. O certo é a par de…

8. “É muito são!”

Observe. Não há nada errado. A expressão quer dizer: “É muito saudável, sadio…” Entendeu?

9. a) “Ela deseja que vamos com vocês ao cinema.”
b) “Não queremos que vocês vão conosco.”

Acreditamos ser esses os dois únicos casos de coincidência entre a 1.ª e 3.ª pessoas do plural do indicativo, e essas mesmas pessoas do plural do subjuntivo. Veja: Nós vamos para casa ­ Eles querem que nós vamos. Eles vão para casa ­ Nós queremos que eles vão. Compare: Nós trazemos – Eles querem que tragamos. Eles trazem ­ Nós queremos que eles tragam.

10. “Não deves por o carro na frente dos bois!”

Há algo errado. Falta o acento circunflexo (^) no verbo pôr. Homógrafa tônica (pôr) que se distingue, pelo acento gráfico, da homógrafa átona (por ­ preposição). Trata-se de exceção, ao lado de pôde (passado), que é acentuado para distinguir-se de pode (presente).

11. Vacina. No dia 12 de junho, foi anunciada a produção do primeiro lote de uma vacina contra a gripe suína, que será usado para avaliações clínicas. Alvíssaras! Desta vez, o Brasil sai na frente.

Vacina é um substantivo feminino que designa uma substância, feita de micro-organismos patogênicos fracos ou mortos, que se introduz no organismo humano ou animal a fim de suscitar uma reação imunológica, que protegerá o organismo da doença transmitida por esses micro-organismos, quando ativos. O termo vem do latim vaccina, que significa ‘de vaca‘, uma vez que as primeiras vacinas foram produzidas a partir dos vírus da varíola presentes em vacas, em pústulas em tetas de vacas.

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“Quando você cultiva tristezas, a felicidade vai bater noutro lugar.”
Anônimo
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1. ESTELIONATO ­ é crime que consiste em enganar alguém com o objetivo de obter vantagem, geralmente financeira.

2. a) Não tenho medo de mau-olhado. Certo, com hífen.
b) Ele está de mau humor (não “mal humor”). Sem hífen.
c) Ele está mal-humorado. Certo, com hífen.
c) Ele é um mau-caráter (não “mal-caráter”). Com hífen.

3. “Parou por quê?” Certo.

4. “Seu mal é viver do passado.” Certo.

5. Hieróglifo ou hieroglifo? Tanto faz.

6. Lemos em jornal: “A associação … está pedindo ajuda para o caso da bebê…) O uso consagrado, no Brasil, é no masculino: “o bebê!” Ex.: “Mariazinha é nosso lindo bebê”.

7. Lemos também em jornal: “O soprano Mônica de Tal se apresentará…”
A palavra “soprano” é comum de dois gêneros. Assim, se é mulher, deve-se fazer a concordância: “A soprano Mônica de Tal se apresentará…”

8. Voltamos a repetir: A poeta, não: a poetisa! A cônsul, não: a consulesa! Assim é no português falado no Brasil. Qualquer colegial sabe disso. É assim que se ensina na escola. E se você encontrar algum dicionário que registre de forma diferente, avise-nos, por favor!

9. Quem nasce em Moscou é:

a) moscouense
b) moscovense
c) moscovita
d) moscouano

Resposta certa: alternativa “c”: MOSCOVITA.

10. “Minha senhora, esse rapaz não possue bens!”

O erro está em possue. Tal forma não existe nos verbos em “-uir”. O certo é possui, assim como estatui, conclui, influi, institui, constitui etc.

11. Observe e responda se há algo errado aqui:
a) Ele acariciava toda a mulher.
b) Ele acariciava todas as mulheres.

Resposta:

a) Ele acariciava toda a mulher. Nada errado, se a intenção é dizer “… a mulher inteira”. Se a ideia é significar “qualquer mulher”, então deve-se dizer: “… toda mulher” (sem o artigo). Tal problema só ocorre no singular.

b) Ele acariciava todas as mulheres. Nesse caso, no plural, não há nada errado. Não ocorre o perigo da ambiguidade.

12. “Requeiro à Vossa Excelência digne-se…”
O erro está no acento grave, que não existe, aí. Assim é porque não existe crase antes de pronomes de tratamento.

13. Petrobrás ou Petrobras?

Um leitor questiona a grafia de “Petrobras” (sem acento), o que contraria a norma de acentuação gráfica. De fato, tem-se aí uma sigla de publicidade, que costuma gozar de certas “regalias” em matéria de desobediências gramaticais.

A propósito, existe, por aí, um tal “Sabão Portuguez”, que com a grafia errada, pretende chamar a atenção para a marca. Golpe de mercado!

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire é juiz aposentado, é da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“O caráter dá esplendor à juventude e respeito à velhice.”
Émerson
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1. Asfixia – A perícia concluiu que a causa da morte daquela criança foi uma asfixia provocada por estrangulamento. A palavra “asfixia” tem sua origem no termo grego asphyksía, as e designa a interrupção da respiração e da circulação sanguínea por estrangulamento, submersão etc. Por extensão, asfixia pode significar também falta de condições para o exercício de uma atividade, faculdade etc.: O despotismo causa a asfixia das liberdades individuais.

2. Tão só ­ tão somente. São duas formas de igual sentido. E atenção! Elas perderam o hífen. A grafia, segundo o acordo ortográfico, é sem hífen.

3. Verbo implicar. Observe as regências diversas:
a) Ter implicância com. Ex.: Ele está implicando com a empregada.
b) Comprometer-se, enredar-se. Pede a preposição em.: Ela costumava implicar-se em situações embaraçosas.
c) Trazer como consequência, acarretar (transitivo direto): Aprender bem um idioma implica muito estudo e paciência.

4. Subsídio. Subsistir. Utensílio.
Note que a pronúncia correta é: subsídio (sí, e não zí); subsistir (sis, e não zis); utensílio (sí, e não zí).

5. A abreviatura de general é gal.? Não, senhor! Gal é o nome da cantora! A abreviatura de general é gen. A abreviatura de coronel é c.el.

6. O correto é privilégio, e não “previlégio”.

7. Nós nos adequamos às novas regras. Eu me adequava. Eu me adequei. Até aqui, tudo bem. Mas, adequar é verbo defectivo, só se usa nas formas arrizotônicas (que têm acento tônico fora do radical). Não se pode, por exemplo, dizer: “Ele não se adequa a nosso jeito”. Use, em seu lugar, um sinônimo, como “adaptar” ou “ajustar”. O único gramático que defende o ponto de vista contrário (regularidade do verbo adequar) é um gaúcho que se chama Adalberto Kaspary.

8. “Tais palavras não se podiam ouvir, quanto mais crer” (Vieira). Tal expressão é usual no falar cotidiano do brasileiro.

9. “Vamos cultivar a paz com nós mesmos.” Pode parecer estranho, mas é correto.

10. Malferido escreve-se assim mesmo, sem hífem. Quer dizer: seriamente, ou mortalmente, ferido. O verbo é malferir.

11. Mal-educado, mal-entendido, mal-empregado. Escrevem-se assim,
todos com hífen.

12. O plural de má-criação é más-criações. Significa grosseria, incivilidade. Não esquecer o hífen!

PEGADINHAS:

– a) Ele tem dois carros. Eles têm um carro.
– b) Ele intervém nas discussões.
Eles intervêm nas discussões.

Respostas:

– a) Correto. Mantém-se o acento diferencial circunflexo entre o singular e o plural, no verbo “ter” e seus derivados, no presente do indicativo.
– b) Correto. Mantém-se ainda tal acento nas mesmas condições, no verbo “vir” e seus derivados.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire é juiz aposentado, é da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“A melhor maneira de mudar o padrão de vida está em melhorar o padrão de pensamento.”
U.S. Andersen
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1. Dó. Afinal, é ou não substantivo masculino? Sim, desse modo é registrado nos dicionários. É a forma preconizada pelos puristas. Mas, em algumas regiões do Brasil, como no interior da Bahia, usa-se preferencialmente no feminino, talvez por influência dos sinônimos femininos: piedade, compaixão. Ex.: Tenho uma dó desse menino!

2. Amanhã, eu vou à Lapa. Em vez de: Amanhã, eu irei à Lapa.
Observe como, na língua coloquial, o futuro pode ser substituído pelo presente.

3. Ele apareceu de supetão. Observe a grafia correta: supetão (com u), e não sopetão (com o)! É o mesmo que: de improviso, de repente.

4. “O amor é tão forte quanto a morte.” A assertiva é do rei Salomão, filho do rei Davi. Este último é aquele mesmo que, segundo a Bíblia, matou o gigante Golias, com uma pedra lançada de sua funda, uma espécie de atiradeira.

5. a) Coser = costurar.
b) Cozer = cozinhar.
Essas palavras são homônimas
(= semelhantes) homófonas, ou seja, têm o mesmo som (foné), mas significação diferente.

6. Torre do Tombo. Donde veio o nome? Antigamente, tombos também significavam tomos, documentos, registros, inventários etc., que eram arquivados numa torre. O nome persiste em Portugal e, com o nome, a mesma finalidade do arquivo: Torre do Tombo.

7. Origem da palavra agora. Vem do latim hac+hora>agora. Nesse caso, o “c” (= “que”) se abrandou para “gue” (ag+ora).

8. “Ab imo corde”. Expressão latina que significa: “Do fundo do coração”.

9. Água salobra ou saloba? O certo é salobra.

10. Cante o hino nacional brasileiro e depois responda: O que foi que ouviram as margens plácidas do Ipiranga?
R. Ouviram o brado retumbante de um povo heróico.

11. Coisas da reforma ortográfica: Enxague novamente a roupa.
Veja bem. Se você pronuncia (dissemos: pronuncia!) “enxágüe” ­ e isso é possível ­ então é preciso acentuar dessa forma aí, sem trema (enxágue). Mas, se você prefere pronunciar “enxagúe” ­ e isso também é possível ­ então você deve grafar enxague (sem acentuo e sem trema). Entendeu?

PEGADINHAS:

– a) Os ex-alunos foram convidados para uma festa no colégio.
– b) Sou absolutamente contrário à reeleição!

Respostas:

– a) Correto. Com os prefixos “ex”, “sem” e “vice”, usa-se sempre o hífen. Ex.: ex-aluno, sem-terra, vice-presidente.
– b) Correto. Os prefixos “re” e “co” se juntam ao segundo elemento (sem hífen). Ex.: reeleição, coordenação, cooperação, reordenamento.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo! Albino de Brito Freire é juiz aposentado, é da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“O exemplo é a escola da humanidade; em nenhuma outra ela aprenderá.”
Edmund Burke
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1. “Supremo Tribunal Federal abre processo contra José Ignácio”… É assim que temos lido aqui e acolá, em jornais de grande circulação no País. Que coisa mais feia! É preciso ter mais cuidado com o idioma pátrio! Principalmente, quando se trata de linguagem forense, expressões técnico-jurídicas, como no caso referido. O certo é: recebe denúncia, em vez de abre processo.

Às vezes, lê-se também em jornais: “Supremo Tribunal de Justiça”, em vez de “Superior Tribunal de Justiça”. Esclareça-se: “STJ” é a sigla de Superior Tribunal de Justiça. “STF” é a sigla de Supremo Tribunal Federal.

2. Conspícuo. Esse é o tipo da palavra que se ouve de vez em quando, mas não se sabe, ao certo, o que significa. O sentido primeiro de conspícuo é: notável, insigne. Vem do latim conspicuus, a, um, com o sentido de “exposto à vista, notável, distinto”. Encontramos apenas no Houaiss o registro de uma concepção pejorativa de conspícuo, como sendo espalhafatoso, que chama a atenção pelo mau gosto. Com tal sentido, não é usual, ao menos no Brasil.

3. a) Os políticos de hoje parece que vivem na Roma antiga.
b) O próprio ministro dizem que se envergonha do que disse.

Parecem erradas e truncadas essas frases, não é? Pois são corretíssimas! Uma forma, aliás, de se imprimir excepcional realce ao texto. Essa figura de sintaxe denomina-se prolepse ou antecipação.

4. De um salto, o jaguar, antes num galho da árvore, já está embaixo, na relva. E ruge, e espuma, e exibe os afiados caninos, ante o confonto iminente, de vida ou morte.

Essa sequência de conjunções dá grande expressividade ao texto. Denomina-se polissíndeto. Há outra figura de sintaxe, que se caracteriza pela ausência de conjunções, que se chama assíndeto.

Nota: O emprego desses recursos de linguagem pode enriquecer seu texto. Aprenda a usá-los adequadamente.

5. De bruços (locução adverbial) = com o ventre e o rosto voltados para baixo, em posição horizontal. Dormir de bruços. Temos, na linguagem forense, um termo equivalente: “decúbito ventral”.

6. a) Semana que vem.
b) No mês que vem.
Nada temos contra a expressão: que vem = próximo. Mas, atenção! Não se diz: “No dia que vem…”

7. Maquinaria (rí) e maquinário (ná). Estas palavras significam “conjunto de máquinas”. Evite-se a pronúncia da primeira como maquinária.

8. Inexorável (zo). = que não cede, inflexível, desapiedado.
Evite-se a pronúncia: “incsorável”.

9. a) Mais de um apostador ganhou na mega-sena.
b) Mais de um deputado se agrediram mutuamente.
c) Mais de dois séculos são passados.
d) Mais de um mês se passou.

Observe:

a) No item “a”, não ocorre reciprocidade. Logo, pede o singular.
b) No item “b”, há reciprocidade (mutuamente). Logo, pede o plural.
c) No item “c”, a expressão é “mais de”, seguida de nome no plural (dois séculos). Portanto, pede o plural.
d) No item “d”, a expressão “mais de” é seguida de complemento no singular (um mês). E, por isso, pede o singular.

10. a) Ele visava (mirava, apontava) o braço do ladrão.
b) Ela visou o documento (passou o visto, autenticou).
c) Ele visava à vitória (aspirava a alguma coisa).
Observe as diversas regências do verbo visar, de acordo com os respectivos significados.

11. Ladrões. Antônio Vieira oferece uma curiosa etimologia da palavra ladrões. Segundo ele, eram ladrões aqueles que costumavam ficar ao lado (latus, eris) dos príncipes e que, bem posicionados, roubavam, como roubavam os príncipes.

PEGADINHAS:

– a) Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.
– b) Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.

Resposta:

A acentuação das palavras sublinhadas está correta. Permanece o acento circunflexo diferencial entre pôde (passado) e pode (presente). E também o diferencial entre pôr (verbo) e por (preposição).

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Albino de Brito Freire é juiz aposentado, é da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“A gratidão traz alegria à vida.”
Torres Pastorinho
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1. Etimologia da palavra ESCOLA:
a) Scholé, scholés (grego).
b) Schola, scholae (latim).
c) Schule (alemão).

Havia, na Grécia e na Roma antigas, espaços para banhos públicos que, às vezes, se estendiam, formando auditórios apropriados para palestras e leituras de poemas. Na parte extrema desses locais, havia, também, uma área destinada às pessoas que, encontrando lotada a parte dos banhos, ali esperavam sua vez. Donde veio o espaço de espera chamar-se scholé, que recebeu os mais diversos sentidos, chegando a escola com o sentido que, hoje, por escola entendemos. Em grego, com o decorrer do tempo, scholé passou s significar: dispor de tempo, folgar, não ter o que fazer, comentar, anotar, explicar, feriado, descanso, férias, vagarosidade, lazer, ócio, conversação, estudante, pedante.

2. Sobreiro. Sabe o que isso? É a árvore de cuja casca se faz a rolha. Essa árvore é abundante em Portugal e parte da Espanha. É interessante observar a importância da rolha e da garrafa para a disseminação da indústria vinícola pelo mundo afora, o que aconteceu apenas na segunda metade do século XVII. Leve-se em conta que o vinho deve ter sido descoberto há uns oito mil anos. Antes da garrafa e da rolha, o vinho era guardado em barris de madeira, e não podia durar muito tempo, devido ao “abre e fecha” para retirada do vinho. Assim, apenas as comunidades próximas dos vinhedos podiam consumir aquela bebida, em tempo suficiente para degustar as características de aroma e sabor. Com o engarrafamento, o vinho passou a ser distribuído para as mais remotas regiões do mundo, sem perder a qualidade.

3. Objeto e abjeto.

Objeto (substantivo) = coisa material que pode ser observada pelos sentidos.
Abjeto (adjetivo) = desprezível, baixo, ignóbil.
Trata-se de duas palavras parecidas na forma, mas diferentes no significado. São parônimas. O fato gramatical chama-se paronímia.

4. A obra de arte é velha, sem ser antiga, e, por isso, perde muito de seu valor.

5. Sintaxe. Como se pronuncia: sintaxe (ss) ou sintaxe (cs)? O Aurélio registra ambas as formas. Mas, preferimos acompanhar o Houaiss, Caldas Aulete e VOLP, que registram apenas a pronúncia “sintasse”.

6. Ad litteram (latim): ao pé da letra. Literalmente.

7. Embutir, embutido. Observe a grafia correta.

8. A omelete está uma delícia! É palavra feminina. Lembre-se de “fritada” (que é também feminino) de ovos. Em Portugal, diz-se omeleta, forma, aliás, recomendada pelos puristas.

9. Óbolo, e não óbulo, origina-se de obolós, pequena e insignificante moeda grega, que, com o tempo, passou a significar “esmola”, “donativo”.

10. Estender e extensão, extensivo. Memorize essas palavras. Note que, estranhamente, o verbo (estender) se escreve com “s”, e o substantivo (extensão) e o adjetivo (extensivo) se escrevem com “x”.

11. a) Eu, tu e ele seremos eleitos.
b) Tu e ele sereis bem-vindos.
c) Tu e ela chegáveis sempre atrasados.
Lembre-se: A primeira pessoa gramatical tem preferência sobre a segunda e a terceira. A segunda pessoa tem preferência sobre a terceira. Tal como nos exemplos acima.

12. Rebolício, reboliço, rebulício ou rebuliço?
O certo é rebuliço (o mesmo que rebulício). Significa agitação. Rebolício e reboliço têm a ver com rebolar.

PEGADINHAS:

– a) Ele nunca suspeitou que Maria o traísse.
– b) Ainda há juízes em Berlim…

Resposta:

As palavras “traísse” e “juízes” continuam a levar acento gráfico (agudo), porquê:
a) a letra “i” é precedida de uma vogal (“a”), com que não forma ditongo, e também não forma sílaba com a consoante seguinte (“s”) ­ tra-í-sse.
b) a letra “i” é precedida de uma vogal (“u”), com a qual não forma ditongo, e também não forma sílaba com a consoante seguinte (“z”) ­ ju-í-zes.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire é juiz aposentado, é da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“Não basta perdoar as ofensas. É necessário esquecê-las.”
Madame de Staël
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1. SOLECISMOS:
a) “Haviam muitas pessoas no baile”, em vez de “havia…”
b) “Fazem três semanas”, em vez de “faz…”
c) “Passou-me desapercebido”, em vez de “despercebido…”
d) “Prefiro antes chá do que café”, em vez de “prefiro chá a café…”
Solecismo é um vício de linguagem consistente em qualquer erro léxico ou sintático, como nos exemplos acima.

2. “Salvo pelo gongo.” Sabe de onde vem a expressão?

Houve uma época em que as pessoas tinham muito medo de ser enterradas vivas, por engano. Isso, porque em alguns casos de exumação do cadáver, verificou-se que havia arranhões na parte interna da tampa do caixão, feitos com as unhas do “defunto”, durante os estertores da morte. Então, iniciou-se uma prática de amarrar na mão da pessoa que ia ser enterrada um cordão cuja extremidade era presa em um sino ou gongo, colocado nas proximidades da cova, onde, por três dias, ficava um vigia. Assim, se o “defundo” acordasse, iria movimentar-se e, com isso, tocar o sino, podendo, então, ser… “salvo pelo gongo”.

3. ERRATA.

Numa de nossas colunas, erramos, ao escrever pé de moleque e água de cheiro com hífen. Por estranho que possa parecer, não têm hífen. É de se indagar: Por que pé-de-meia tem hífen e pé de moleque, não? Por que água-de-colônia tem hífen e água de cheiro, não? São os desacertos do acordo ortográfico…

4. De motu proprio ou de moto-próprio?

Quando o acordo fala em “moto-próprio” (forma aportuguesada, com hífen e com acento), refere-se ao documento expedido pelo papa (espécie de bula papal), que tem até o plural: “motos-próprios”. Não confundir com a expressão latina, com sentido abstrato: motu proprio ou de motu proprio, (sem acento, sem hífen e “motu” com “u”) sinônimo de sponte sua, que significa: por sua conta e risco, por sua própria iniciativa. Repetimos: Esta última expressão é puro latim, e não palavra portuguesa de origem latina. Daí, a diferença.

5. a) Verbos em oar. Abençoar: Eu abençoo, tu abençoas, ele abençoa.
Destoar: Eu destoo, tu destoas etc.

b) Verbos em uar. Acentuar: Eu acentuo, tu acentuas etc.
Note que os primeiros têm sempre “o” na sílaba acentuada. Já os segundos têm “u” naquela sílaba.

6. Cristãmente, irmãmente, sãmente, lãzudo (também lanzudo), maçãzita, manhãzinha, romãzeira. Observe como os vocábulos terminados em ­ ã transmitem essa representação do “a” nasal aos advérbios em ­ mente.

7. Corrimão: Corrimãos e corrimões. Observe a ortografia e as duas formas de plural.

8. a) Ele adentrou a casa.
b) Ele adentrou na casa.
c) Eles se adentraram na floresta.
Observe que, no primeiro caso, o verbo adentrar é transitivo direto. No segundo, transitivo direto ­ regência não aceita pelos puristas, mas registrada por Celso Luft. No terceiro, a forma é pronominal.

9. a) “In” indica movimento para dentro: imergir, imerso.
b) “Ex” indica movimento para fora: expressar, emergir.
10. “O que tem ele haver com isso?” Foi assim que escreveu o jornalista. O certo é: O que tem ele a ver com isso?

11. Mais melhor. Pode ser? Pode, mas somente nestas condições: Estudar muito! Quanto mais, melhor.

PEGADINHA:

– Posso levar a bandeja, doutor?
– Não, traga-me mais um cafezinho, Maria.
A colocação pronominal está correta?

Resposta:
A colocação pronominal está correta. Mas, dirá alguém, a negativa (não) não deve atrair o pronome oblíquo? A resposta é: nem sempre, porque a negativa, no caso, não se refere ao pronome oblíquo, mas a toda oração anterior: “Posso levar a bandeja, doutor?” Além do mais, verifique a existência da vírgula entre o advérbio (não) e o verbo (traga).

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

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“Só se aprende o que tem sentido, o que é prazeroso.”
Jean Piaget

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1. Dignitário ou dignatário? Alguns dicionaristas nem sequer registram a forma dignatário. No entanto, o VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), da Academia Brasileira de Letras, registra ambas as formas. Desse modo, não se pode considerar errônea a palavra dignatário.

2. Variz ou varizes? Variz é um vaso sanguíneo, dilatado e tortuoso, que perdeu a elasticidade. O plural é varizes.

3. Tença. Você sabe o que é isso?

É uma pensão. Pode designar ainda o direito de ter uma coisa como sua. Do latim vulgar “tenencia”, de “tenere”. No português arcaico, tivemos “teença”.

4. “Primus inter pares” (latim). Quer dizer: o primeiro
dentre os pares.

5. a) Édito (proparoxítona) = ordem judicial publicada por anúncios ou editais.
b) Edito (paroxítona) = lei, decreto.

6. Revel é o mesmo que rebelde, que se revolta, insurgente. Réu revel = aquele que, mesmo citado, não comparece à audiência.

7. Afinal, namorar alguém ou namorar “com” alguém?
Na língua culta, a regência correta é namorar alguém.
Mas, apesar da resistência de puristas, a forma
“namorar com alguém” é registrada por alguns dicionaristas. Na linguagem coloquial, tal regência é corriqueira.

8. a) No Brasil: O doente não fala mais.
Em Portugal: O doente já não fala.
b) No Brasil: O doente não se move mais.
Em Portugal: O doente já não se move.
Ambas as modalidades são corretas, mas com uso diversificado, como se vê acima.

9. Âmbar: resina fóssil proveniente de uma espécie extinta de pinheiro. Plural: âmbares. Ex.: Um colar de âmbar amarelo.

10. a) Todas as vezes que ele fala…
b) Todas as vezes “em” que ele fala…
A forma correta é a primeira. Não diga: “em que”…

11. Venha logo, senão (do contrário) estamos perdidos.
Correto. Assim mesmo, junto: senão.

PEGADINHAS:

a) Não sei porque ela não veio.
b) Será que elas não vêm?

Respostas:

a) Errado. O certo é: Não sei por que (separado) ela não veio. Trata-se de pergunta indireta: por qual motivo…
b) Está correto. O acento circunflexo deferencial permanece para distinguir o singular do plural (ele vem, eles vêm).

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“Pense como pensam os sábios, mas fale como falam as pessoas simples.”
Aristóteles

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1. Cacófato = som desagradável. Devem-se evitar expressões que formam esse som. Ex.: O nosso hino (suíno). A boca dela (cadela). É feita por cada aluno… (porcada). Rapaz, venha-me já aqui!

2. Inodoro (ó), inodora (ó) = sem cheiro, sem odor. Observe que essas palavras têm o “o” da sílaba tônica aberto. Já odor (ô) tem o “o” da sílaba tônica fechado.

3. Quem gosta gosta de alguma coisa. Portanto, é errado dizer: A música que eu gosto. Diga corretamente:
a) A música de que eu gosto.
b) A música da qual eu gosto.
c) A música que eu gosto de cantar.

4. a) O livro azul comparado ao vermelho…
b) O livro azul comparado com o vermelho…
c) O livro azul comparável ao vermelho…
d) O livro azul comparável com o vermelho…
São as regências nominais corretas de “comparado” e “comparável”.

5. Engolir ; caranguejo. Confira a grafia correta dessas palavras.

6. O que é uma agulha romba? É aquela cuja ponta não é, ou não está, devidamente fina, aguçada. Diz-se também rombuda.

7. Uma expressão antiga: O livro de que ele falou ficou no tinteiro (= não foi escrito).

8. a) O vaso está vazio. A etimologia, no caso, justifica o “s” e o “z”. Vaso vem do latim vas, vasis. Aí a letra “s” se mantém. Vazio também se origina do latim: vacinus, a, um. A letra “c”, nesse caso, evolui para “z”.

9. Lemos em revista: “A conclusão que eu cheguei…” Ora, quem chega chega a algum lugar. Portanto, o certo é: “A conclusão a que eu cheguei…”

10. Observe: Rua do Ouvidor. Praça da República. Rua São Francisco. Rua do Expedicionário. Praça Santos Andrade.
Como se vê, não há regra para o uso da preposição “de”, nesses casos. O uso é que prevalece.

11. Você sabe o que significa deslavar? Significa desbotar; perder a vergonha; retirar o sabor ou o sal. Ex.: João é um estudante deslavado. Mentira deslavada.

PEGADINHAS:

Você sabe o que significa “vera-efígie”?
E a palavra “derrelito”?

Resposta:

Vera-efígie (assim mesmo, com hífen!) quer dizer “retrato fiel”.
Derrelito quer dizer: “abandonado”.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire é juiz aposentado, é da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“O ignorante afirma, o sábio duvida e reflete.”
Aristóteles
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1. Mui e muito. Não existem regras para o uso de mui em lugar de muito. O mais adequado é atentar para a eufonia, principalmente em se tratando de um contexto poético. Ex.: Era uma deusa, ou quase, mui pouco faltava para isso…

2. A (preposição) e há (verbo).
a) Ela vai chegar daqui a pouco (futuro).
b) Ele chegou há pouco (passado).

3. Ele completará, em maio, seus vinte anos. Repare, no exemplo acima, como o futuro do presente (completará), acompanhado de um possessivo (seus), pode sugerir dúvida ou possibilidade.

4. Não confundir românico com romântico. Românico é relativo a Roma. Ainda romano, romão. Romântico = estilo artístico em que predomina o sentimento.

5. Observe: Eu fecho (ê), tu fechas (ê), ele fecha (ê), eles fecham (ê). O verbo fechar tem o “e” fechado na 1.ª, 2.ª e 3.ª pessoas do singular e a 3.ª do plural do presente do indicativo, assim como nas formas que daquelas derivam, como o subjuntivo: Que eu feche (ê), que tu feches (ê), que ele feche (ê), que eles fechem (ê). Ex.: Pedro, feche (ê) a porta, por favor. Não quero que feches (ê) a janela.

Observação: Seguem essa regra os verbos em ­elhar e ­ejar, como aparelhar, lacrimejar etc. Timbre fechado!

6. a) Não podia haver, na sala, alunos mais felizes.
b) Costuma haver aulas também aos sábados.
c) Vai fazer cinco dias que ele chegou.

Observe como, em orações sem sujeito, a impessoalidade do verbo se estende aos auxiliares (podia, costuma, vai) que, com ele, formam uma locução verbal.

7. Em grego, EVANGELHO quer dizer: “boa nova”, “boa notícia”. Mas, aí, o prefixo grego “EU” (com a idéia de bom, favorável, como em eugenia, eufonia, euforia), assume a forma “EV”.

8. a) Friíssimo (com dois “is”) e frigidíssimo.
b) Docíssimo e dulcíssimo.
c) Nobríssimo e nobilíssimo.

Como se explicam essas duas formas? Acontece que as primeiras (fri-o, doc-e, nobr-e) são formadas do radical da língua portuguesa; já as segundas (frigid-, dulc-, nobil-) originam-se do radical latino.

9. “A gente fica satisfeito quando a viagem corre bem.”
Quando a expressão “a gente” (que é feminina) refere-se a uma pessoa do sexo masculino que está falando, usa-se o adjetivo no masculino, como no exemplo acima.

10. Veja que horror: “Alexandre havia livrado-o da morte…” Foi assim que lemos em jornal de nossa cidade. Erro crasso é o uso da ênclise com o particípio, como no caso acima. O certo é: “Alexandre o havia livrado da morte…”

11. E esta outra: “Zeca o pediu para buscar Santinha.” Da mesma fonte que o item anterior. Errado. A regência do verbo pedir é: pedir alguma coisa (objeto direto) a alguém (objeto indireto). Logo, o certo é: “Zeca lhe pediu para buscar Santinha.”

PEGADINHAS:

Pé-de-moleque; pé-de-meia; cor-de-rosa; mais-que-perfeito; à queima-roupa; ao deus-dará; arco-da-velha; água-de-colônia; água-de-cheiro; pão-de-leite. Todas com hífen, de acordo com as novas normas ortográficas!

Resposta:

Tudo certo. Mas, não se esqueça: Essas aí são exceções, porque consagradas pelo uso! Normalmente, em locuções desse tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais, não se usa o hífen.

Ex.: Pão de ló; pão de milho; cão de guarda; fim de semana; sala de jantar; cor de açafrão; cor de café com leite; cor de vinho; quem quer que seja etc.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

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“Sábio é aquele que se espanta com tudo.”
André Gide
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1. Partículas atrativas versus infinitivo impessoal.
a) Sem nunca alcançá-lo… (E não: Sem nunca o alcançar…)
b) Por não amá-lo… (E não: Por não o amar…)
c) Decidiu não protegê-la mais. (E não: Decidiu não a proteger mais.)
d) Entendeu que mimar-me daquele jeito era um erro grave. (E não: Entendeu que me mimar daquele jeito…)

IMPORTANTE: Lembre-se de que partículas negativas, advérbios, pronomes relativos e conjunções subordinativas perdem sua força atrativa com relação aos pronomes oblíquos, diante do infinitivo impessoal. Eu disse: infinitivo impessoal, pois tal não acontece com o infinitivo pessoal (proteger – eu, protegeres – tu, proteger – ele, protegermos – nós, protegerdes – vós, protegerem – eles. Ex.: O melhor é me protegeres.) O infinitivo impessoal prevalece sobre todos. Essa, aliás, era a colocação preferida dos clássicos.
E pouca gente sabe disso… chegando mesmo a considerar erradas as colocações pronominais acima.

2. Através de. Evite o uso da expressão “através de” em frases como estas:
a) Através de recursos adequados…
b) Através de artifícios…
c) Excomunhão feita através do bispo…

Diga, simplesmente:
a) Mediante recursos adequados…
b) Por meio de artifícios…
c) Excomunhão feita pelo bispo…
A propósito, jamais use a expressão “através alguma coisa” (sem a preposição “de”), porque não existe tal regência nominal da palavra “através”.

3. Audiência tem acento? Tem, sim senhor! Paranoia, jiboia e assembleia é que perderam o acento agudo na sílaba aberta, por serem paroxítonas. Daí, a confusão que se está fazendo, por acreditar que todas as paroxítonas terminadas em ditongo perderam o acento gráfico, o que não é verdade.

Veja-se: evidência, divergência, odediência, cadência… Todas com acento gráfico!

4. Então, destróier não tem acento? Tem, sim senhor! Essa paroxítona termina em “r”. Logo, segue a regra geral:
As paroxítonas terminadas em “r” são acentuadas. Sem o acento, iríamos pronunciá-la como oxítona:
destroier (ér).

5. Observe: pacto, compacto, convicto, friccionar, pictural; convicção; adepto, apto, díptico, erupção, eucalipto, inepto, núpcias, rapto. Estas sequências: “ct”, “cç”, “cc”; “pç”; “pt” e “pc” são conservadas pelo acordo ortográfico, por serem enunciadas nas pronúncias cultas da língua.

6. Lapidar e delapidar.
a) Lapidar (adjetivo) = breve, preciso; primoroso, artístico.
b) Lapidar (verbo) = apedrejar, polir, aperfeiçoar (pedra preciosa).
c) Delapidar (verbo) = demolir, arruinar, dissipar.
Não esquecer que lapidar e delapidar originam-se de palavra latina lapis, lapidis que significa “pedra”.

7. Curiosidade: Como se chamava o mau ladrão, crucificado do lado esquerdo de Jesus? Chamava-se Jestas. E o do lado direito, Dimas.

8. a) Ele levantou os braços. E não … seus braços.
b) Arregaçou as mangas da camisa.
E não … da sua camisa.
c) Ela perdeu o juízo. E não… o seu juízo.
Observe que é mais elegante omitir, nesses casos, o pronome possessivo.

9. O isqueiro está sem FLUIDO (sem acento, e a pronúncia é “flúido”, com a tônica no “u”). Existe a forma verbal FLUÍDO (com acento gráfico no “i”), que é o particípio de FLUIR. Diga também GRATUITO (com a tônica no “u”, e não “gratuíto”, com acento no “i”).

10. a) Ele chegou à uma hora (= exatamente às 13h).
b) Ele chegou há uma hora (= faz uma hora).

PEGADINHAS:

Seu defeito é não dobrar-se ao poder da verdade.

Resposta:

Tudo certo. Como vimos acima (item “1”), há prevalência da atração do infinitivo impessoal sobre a da expressão negativa e sobre qualquer outra partícula normalmente atrativa.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire é juiz aposentado, é da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“Seja você mesmo a mudança que deseja ver no mundo.”
Gandhi

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1. USO DO HÍFEN. Mesmo sem trazer qualquer novidade, o Prof. Adílson Alves nos ofereceu, em sua coluna, uma sistematização interessante sobre o hífen, tendo obtido comentários favoráveis de leitores comuns de nossas colunas. Vamos tentar resumi-la.
1.º “Os semelhantes não se atraem.”

Se um prefixo termina em letra igual à que inicia o segundo elemento, usamos o hífen. “Neo” termina pela vogal “o”. A palavra “ortodoxo” começa pela mesma vogal “o”. Logo, temos: “neo-ortodoxo”. Outro: “hiper” termina pela consoante “r”. A palavra “realismo” começa pela mesma letra “r”. Assim, temos: “hiper-realismo”.

2.º “Os diferentes se atraem”. No caso, se juntam. Ex.: Neo + liberalismo = neoliberalismo; hiper + acidez = hiperacidez (sem hífen!).

3.º “O ‘h’ jamais se junta com prefixos”: super-homem; auto-hipnose; mini-homem; sub-humano (admite-se também subumano, sem “h” e sem hífen). No entanto, vale lembrar: antes, era co-herdeiro, mas agora é coerdeiro (cons. o V.O.L.P. mais recente).

4.º “Os prefixos acentuados graficamente exigem hífen”: pós-graduação, pré-escolar, pró-americano, além-túmulo, recém-casados. Além desses, temos os prefixos “sem”, “ex” e “vice”, que sempre exigem hífen: sem-terra,
ex-aluna, vice-presidente.

5.º Os prefixos “co” e “re” se juntam ao segundo elemento: coordenação, reeleição.

6.º Os prefixos terminados em “b” e “d” não se juntam ao “r”: ad-renal, sub-rogar. Observação: nos casos omissos ou de dúvida, consulte o dicionário.

2. Observe a grafia dessas palavras:

a) Com “s”: aceso, analisar, anestesia, artesão, asa, asilo, Baltasar, besouro, besuntar, blusa, brasa, brasão, Brasil, coliseu, defesa, duquesa, Elisa, empresa, frenesi (ou frenesim), frisar, guisa, improviso, jusante, liso, lousa, Luso (nome de lugar homônimo de Luso, nome mitológico), Meneses, narciso, obséquio, ousar, pesquisa, transe, trânsito, vaso, portuguesa, presa, raso, represa, Resende, Sousa, surpresa, tisana.

b) Com “x”: exalar, exemplo, exibir, exorbitar, exuberante, inexato, inexorável.

c) Com “z”: abalizado, alfazema, Arcozelo, autorizar, azar, azedo, azo, azorrague, baliza, bazar, beleza, buzina, búzio, comezinho, deslizar, desliza, Ezequiel, fuzileiro, Galiza, guizo, lambuzar, lezíria, proeza, razão, urze, vazar, Veneza.
Nota: Compilamos esses exemplos para você, a fim de facilitar a memorização, distinguindo graficamente as letras interiores
“s”, “x” e “z”. Faça bom proveito!

3. Observe ainda: pacto, compacto, convicção, convicto, friccionar, pictural; adepto, apto, díptico, erupção, eucalipto, inepto, núpcias, rapto. Estas sequências: “ct”, “cç”, “cc” são conservadas pelo acordo ortográfico, por serem enunciadas nas pronúncias cultas da língua.

4. Lapidar e delapidar.
a) Lapidar (adjetivo) = breve, preciso; primoroso, artístico.
b) Lapidar (verbo) = apedrejar, polir, aperfeiçoar (pedra preciosa).
c) Delapidar (verbo) = demolir, arruinar, dissipar.
Não esquecer que lapidar e delapidar originam-se de palavra latina lapis, lapidis que significa “pedra”.

5. Curiosidade: Como se chamava o mau ladrão, crucificado do lado esquerdo de Jesus? Chamava-se Jestas. E o do lado direito, Dimas.

6. Artelho (ê) = articulação, junta que liga a perna ao pé, tornozelo.

7. a) Ele levantou os braços.
E não … seus braços.
b) Arregaçou as mangas da camisa. E não … da sua camisa.
c) Ela perdeu o juízo. E não…
o seu juízo.
Observe que é mais elegante omitir, nesses casos, o pronome possessivo.

PEGADINHAS:

a) Janaína estuda Medicina.
b) “A medicina é mais fraca do que a doença.”

Respostas: Tudo certo. No primeiro caso, Medicina é referida como ciência, curso e, por isso, deve ser grafada com inicial maiúscula. Na segunda alternativa, medicina, no entender de Cícero, é tida como tratamento, remédio, cura de doenças. Com essa concepção, escreve-se com inicial minúscula.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire é juiz aposentado, é da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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“Os anos ensinam muitas coisas que os dias desconhecem.”
Autor desconhecido

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1. Justapor, justalinear, misto, sistino. Essas, as formas corretas.

2. a) Aguarrás, aliás, anis, após, atrás, através, Avis, Brás, Dinis, Garcês, gás, Inês, Íris, Jesus, jus, lápis, Luís, país, português, Queirós, gris, retrós, revés, Tomás.
b) Cálix, Félix, Fênix, flux.
c) Assaz, arroz, avestruz, dez, fez, fiz, Forjaz, Galaaz, giz, jaez, matiz, petiz,
Queluz, Vaz.
Observe a grafia dessas palavras acima.

3. a) Cupido (pí) é o deus do amor (mitologia), normalmente representado com asas, por vezes de olhos vendados, com arco e flexas para atirar no coração das pessoas. Seu correspondente grego é Eros.
b) Cúpido (adjetivo) significa ávido, cobiçoso.

4. “Ele contava, na época, quinze anos.”

É assim que se diz.

5. a) V. Ex.ª ­ usa-se em tratamento direto.
Ex.: Remeto a V. Ex.ª os livros solicitados.
b) S. Ex.ª ­ usa-se para designar a pessoa de quem se fala.
Ex.: Naquele dia, S. Ex.ª, o Secretário da Educação,
visitava o colégio.

6. Por que é que a palavra obcecado se escreve com “c”? Porque é forma originária de cegar, tornar cego.

7. Arrepiar caminho = andar para trás, desandar.

8. Dois prefixos que expressam duplicidade:
a) Anphi (grego) = anfíbio, anfibologia.
b) Ambi (latim) = ambidestro, ambíguo, ambiguidade, ambivalente.

9. a) Juizforano = quem nasce em Juiz de Fora.
c) Potiguar = quem nasce no Rio Grande do Norte.
d) Hierosolimita = quem nasce em Jerusalém.
e) Afegão = quem nascem no Afeganistão.

10. a) Pudicícia = pureza, castidade.
b) Pudica = recatada, pura, casta.
Muito cuidado com a palavra pudica (dí), paroxítona, e não proparoxítona.

PEGADINHAS:

a) Onça macha.
b) Jacaré fêmeo.

Respostas:

Estranho, não? Estranho, mas correto. Ora, as palavras “macho” e “fêmeo” são adjetivos que concordam com o substantivo a que se referem. Gramáticos apressadinhos e distraídos costumam induzir em erro os estudantes, principalmente na hora da exemplificação. O certo é: gado fêmeo, pulga macha, cobra macha, palmeira macha, flores machas etc. Se isso lhe fere os ouvidos, então pode mudar para: O macho da cobra; a fêmea do jacaré; o macho da palmeira. Mas, não diga: cobra macho; jacaré fêmea; onça macho etc.

Gratos a todos pela colaboração.

Por hoje, é só.

Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire é juiz aposentado, é da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

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“Obstáculo é uma coisa que se vê quando se desvia o foco do objetivo.”
Autor desconhecido

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1. Fastígio, do latim fastigium, ii, significa cume, cimo, píncaro. Não tem nada a ver com fastio, que é falta de apetite, enfado, tédio.

2. Champanhe ou champanha? Tanto faz. Masculino (o) ou feminino (a)? Nesse caso, o gênero é estabelecido pela palavra oculta (vinho). Ex.: O (vinho) champanhe (ou champanha); o (vinho) madeira. Outros casos: o (charuto) havana; o (gato) angorá.

3. Em alguns casos, é elegante omitir o pronome possessivo. Ex.: Pedro foi à escola com o irmão (seu). Pedro levou os livros (seus) e a merenda (sua). Em outros casos, é inadmissível o emprego do possessivo, como quando se faz referência a partes do corpo humano. Ex.: “Vou lavar os pés, as mãos.” E não: Vou lavar meus pés, minhas mãos. “Vou escovar os dentes.” E não: Vou escovar meus dentes.

4. Marsúpio. É uma bolsa formada por dobra de peles que recobrem as glândulas mamárias das fêmeas de certos animais e que serve (a bolsa) de proteção para os filhotes recém-nascidos. Vem do latim marsupium, que significa bolsa; bolso. O marsupial mais conhecido é o canguru, encontrado em terras australianas.

5. a) Ortografia correta.
b) Caligrafia bonita.
Tais expressões, corretas, aliás, que se originam do grego, encerram, em si mesmas, um pleonasmo. Senão, vejamos:
a) Ortos (correto) + grafés (escrita) = ortografia. Essa palavra já encerra a ideia de “escrita correta” e, portanto, dispensaria
o adjetivo (correta).
b)Calos (bonito) + grafés (escrita) = caligrafia. Igualmente, essa palavra já contém a ideia de “escrita bonita” e, assim, dispensaria o adjetivo (bonita). Acontece que, com o passar do tempo, as pessoas foram perdendo a noção da etimologia e da composição dessas palavras e, dessa forma, nem se dão conta de que estão usando um pleonasmo.

6. a) Maria é o cônjuge de Pedro.
c) Pedro é o cônjuge de Maria.

É assim mesmo! Não é erro de imprensa, não. Trata-se de substantivo sobrecomum, isto é, só tem uma forma, a do masculino, tanto para homem, como para mulher. É sempre: o cônjuge! Não faça como alguns escribas de jornais que escrevem: “a cônjuge”!

7. Fizeram um concurso de feiura lá em Bocaiuva. Isso mesmo! Sem acento. O acordo deu sumiço no acento gráfico em tais situações.

8. Aguente firme, sem tremer! Trema somente em certas palavras estrangeiras e seus derivados: Müller, Bünchen, mülleriano, bünchiano.

9. Elas detêm o prêmio de melhores tenistas. Correto. Persiste esse acento diferencial circunflexo para distinguir o singular do plural, no verbo ter e compostos; ver e compostos.

10. a) Ele chegou super-rápido.
b) É uma fibra hiper-resistente.

Tudo certo! Em ambos os casos, a letra “r” do primeiro elemento é proveniente do prefixo (hiper, super, inter). É, sim, uma exceção.

PEGADINHAS:

a) Helena é minha poetisa preferida.
b) Maria é a consulesa de Portugal, em Curitiba.

Respostas:

Essas, as formas corretas. Procure em qualquer dicionário e ali vai encontrar a informação de que poeta e cônsul são palavras do gênero masculino. E os femininos respectivos são: poetisa e consulesa. Esta última, ainda que exerça o cargo, não perde sua feminilidade: é consulesa. É em terras lusitanas que se ouve: Senhora Cônsul, Senhora Juiz, Senhora General etc. Mas se estamos no Brasil…

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

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“Educar não é cortar as asas: é orientar para o voo.”
Autor desconhecido

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1. Excomunhão. Recentemente, um arcebispo excomungou (baniu da Igreja) a mãe de uma menina de 9 anos e os médicos que submeteram a criança a um aborto legal. A palavra excomunhão vem do latim eclesiástico excommunio, onis e significa “expulsão da Igreja Católica”.

2. Álibi. Do latim alibi, advérbio que significa em outro lugar. A pronúncia correta, em português, é como palavra proparoxítona. Em francês, pronuncia-se como oxítona (alibí). Na linguagem jurídica, é elemento de defesa do acusado, que alega não estar no local do crime, quando este se consumou.

3. Chácara ou xácara? Como se escreve essa palavra? A primeira, chácara, significa pequena propriedade campestre. A segunda, xácara, quer dizer narrativa popular em verso.

4. a) Ao invés de = idéias opostas. Ao invés de subir, desceu.
b) Em vez de = troca, substituição. Em vez de estudar, foi ao cinema.

Observe que, na dúvida, você deve usar “em vez de”, que pode se aplicar a qualquer circunstância. Já “ao invés de” só pode ser usada quando houver oposição, contraste: começo e fim, bem e mal, ir e vir, amar e odiar etc.

5. Nepotismo, hoje ilegal, foi sempre antiético, mas perdura em nosso País desde o tempo das Capitanias Hereditárias. Vem do latim, nepos, nepotis, que significa neto, sobrinho do papa. Serve para designar certo favoritismo para com irmãos, primos e parentes, de modo geral.

6. “Pedro é que nem o irmão Paulo.” Tida, embora, como demasiado coloquial, tal expressão, que nem, é serenamente empregada por bons autores portugueses.

7. “Carta de prego.” Você já ouviu falar nisso? Trata-se de uma carta fechada, contendo determinadas instruções, que é entregue ao comandante do navio e que só deve ser aberta por ele em certo momento da viagem.

8. Temos: erva, ervaçal, ervanário (sem “h”). Mas, também: herbanário, herbáceo (com “h”) ­ formas de origem erudita, que, ao contrário das primeiras, obedecem às normas da etimologia.

9. Ainda: desarmonia (des + harmonia); desumano (des + humano); inábil (in + hábil); lobisomem (lobis + homem); reabilitar (re + habilitar); reaver (re + haver). Com a aglutinação, desaparece o “h”.

10. Entretanto, o “h” inicial se mantém nestes casos: anti-higiênico, pré-história, sobre-humano. Mantém-se ainda o “h” final das
interjeições: ah! oh!

PEGADINHAS:

a) Você ligou o micro-ondas?
b) O antissemita ensinava o cosseno na autoescola.

Respostas:

Tudo certo.

No item “a”, usa-se o hífen, pois a segunda palavra (o – ondas) inicia com a mesma vogal que encerra a primeira (o – micro).
No item “b”: não se usa o hífen, pois, nos três casos, a segunda palavra (semita, seno e escola) inicia com “s” (poderia ser também “r”) e com vogal diferente (o ­ e) da que encerra a primeira.

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“Procure sempre ver o lado bom das coisas e dos contecimentos.”
Torres Pastorino

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1. “Gusmão & Filhos Ltda.” Você sabe como se denomina esse sinal “&” ? Em inglês, é ampersand, corruptela de “and per se and”, ou seja, “& sozinho é and”. Em português, podemos denominá-lo de “e” comercial.

2. Pedagogo. Do grego “paidagogós” (= que conduz crianças), por meio do latim. Primitivamente, designava o escravo que levava a criança para a escola. Depois, passou a significar o próprio professor.

3. “De pé descalço.” Pode usar tranquilamente essa forma. Nada temos também contra o plural: “De pés descalços.”

4. “Nós reavemos, vós reaveis.” Você sabe conjugar o presente do indicativo do verbo reaver? Pois é assim. Só existem, no presente, essas duas pessoas. Esse verbo só se conjuga nas formas em que ocorre o “v”. É derivado de haver. Outras formas: eu reouve, eu reavia, eu reouvera, eu reaverei. Portanto, não existe o subjuntivo presente: que eu “reaja”(?), nem o imperativo negativo ou mesmo afirmativo. Deste, só existe a segunda pessoa do plural: “reavei” (vós).

5. Trans ­ transpor, transbordar.
Tras ­ trasladar, trasmudar.
Tres ­ tresnoitado, trespassado.
Tra ­ traduzir, tradição.

Repare bem nesse prefixo latino (trans), que significa “passar além de”. Como se vê, ele se manifesta de quatro formas.

6. a) Ante (prefixo latino) ­ indica anterioridade, precedência.
b) Anti (prefixo grego) ­ indica oposição, contrário.

Exemplos:

a) Ante: antebraço, anteontem, antepor.
b) Anti: antipatia, antípoda, antídoto.

Tome cuidado com o uso de palavras com esses prefixos porque, embora parecidos, têm significação muito diferente.

7. Quarta-feira de Cinza ou Quarta-feira de Cinzas? Tanto faz. Hoje em dia, na Quarta-feira de Cinza (ou Cinzas), que é a que segue a terça-feira do carnaval, o sacerdote impõe cinza, fazendo uma cruz na testa dos fiéis, pronunciando as palavras bíblicas: “Lembra-te, homem, que tu és pó e que em pó te hás de converter”.

8. Você sabe o que é uma esquadra? É a totalidade dos navios de guerra de um país.

9. Recomenda a nova ortografia que os topônimos de línguas estrangeiras se substituam por formas vernáculas: Antuérpia, Cherburgo, Garona, Genebra, Milão, Turim, Zurique.

10. Por força da etimologia, emprega-se o “h” inicial em: haver, hélice, hera, hoje, hora, homem, humor.

11. “Ele acorda sempre de bom humor.” Está correto. Acorda, e não “acorda-se” ou “se acorda”. O verbo acordar não é reflexivo.

12. a) “Eles têm vergonha na cara.” Está correto. Persiste o acento diferencial entre singular e plural.
b) “Eles não veem isso do mesmo jeito.” Correto. Caiu o acento nessa sequência: “ee”, assim como na “oo” (voo). Tome cuidado, pois o computador ainda não sabe disso…

PEGADINHAS:

a) Você tem ideia do tamanho de uma jiboia?
b) Ele desceu de paraquedas e ficou preso no para-raios.

Respostas:

Tudo certo. No item “a”: Caiu o acento agudo nesses casos (paroxítonas). No item “b”, em paraquedas, perdeu-se a noção de composição; já em para-raios, não. Apenas, perdeu o acento agudo diferencial em para.

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1. Novo acordo ortográfico da língua portuguesa. Oito são os países que o assinaram (em ordem alfabética):
Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste.

2. Com o novo acordo ortográfico, nosso alfabeto passou a ter 26 letras, agora com a inclusão das consoantes “k”, “w” e “y”. Essas letras são usadas em casos especiais: em antropônimos originários de outras línguas e em seus derivados.
Ex.: Darwin, darwinismos.

3. Ouve-se, com frequência: “Pergunta difícil”. Ora, a pergunta, em si, nunca é difícil ou fácil. Difícil ou fácil pode ser a resposta.

4. Você já se deu conta que a palavra jornal se origina, remotamente, do latim diurnale (diário)? Mas, em latim, diurnale significava o salário devido ao operário por dia de trabalho. Chegou, segundo alguns, até nós pelo francês “jour”, que significa “dia”. Já segundo Nascentes, foi por intermédio do italiano “giornale” que chegou ao português com o sentido de publicação noticiosa diária.

5. Você pode dizer:
a) O mais das vezes
b) Os mais das vezes.

6. Jamais diga “apenasmente”. A palavra apenas já é um advérbio. Essa formação esdrúxula de dois advérbios justapostos não faz sentido.

7. A palavra ortografia é composta de dois radicais gregos: ortos = certo, correto, mais grafia (grafés) = escrita.

8. Antes, escrevia-se auto-estrada. Com a reforma, passamos a escrever: autoestrada (sem hífen). Assim como: autoescola, infraestrutura, autoajuda.

9. Antes, escrevia-se supra-sumo. Com a reforma, passamos a escrever: suprassumo, ultrassonografia, autorretrato, antirrugas.

10. “O ovo cozido foi, recentemente, reabilitado pelos nutricionistas.” Observe a grafia correta da palavra cozido (com “z”).

PEGADINHAS:

a) Os médicos tiveram de abrir a caixa toráxica dele.
b) Não se sabe por que esse aluno foi taxado de “cola-tudo”.

Respostas:

Dois erros:

No item “a”: o uso da palavra “toráxica”, que não existe. O certo é torácica.(com “c”, não com “x”).
No item “b”, o uso inadequado da palavra “taxado”. Com
“x”, taxar significa tributar. Com “ch”, tachar quer dizer acusar.

Gratos a todos pela colaboração.

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1. Parede-meia, parede e meia ou paredes-meias? Com hífen ou sem hífen? Napoleão Mendes de Almeida prefere o uso do plural: Viver paredes meias com alguém. Observe que ele não usa o hífen. Desaconselha, portanto, o uso de parede-meia e parede-e-meia (com ou sem hífen). Mas, os dicionaristas usam o hífen.

2. Má-criação (substantivo composto) faz o plural más-criações ou má-criações. Não existe malcriação, mas existem malcriado e malcriadez.

3. Faltar ao respeito a alguém. Observe essa construção interessante e correta.

4. a) Sério = seriíssimo.
b) Cheio = cheiíssimo.
c) Feio = feiíssimo.

Observe o superlativo absoluto dos adjetivos terminados em ­io. Eles apresentam dois is.

5. Irmão colaço = irmão de leite.
É um dos indivíduos que, embora filhos de mães diferentes, foram amamentados pela mesma mulher.

6. Espiga de milho. Você sabia que essa expressão também é conhecida como maçaroca?
7. Ele vai se haver comigo. Essa é a expressão correta.

8. Observe: embaixo de, em cima de, por baixo de, por cima de, abaixo de, acima de, de cima. São formas corretas.

9. Os filhos são tais quais os genitores. Essa é a forma correta.

10. Ela tem hogeriza a melodramas? Não! Ela pode ter ojeriza a melodramas…

PEGADINHAS:

a) Algum de nós seremos aprovados?
b) Assim, ele vai repetir de ano…

Respostas:

Tudo errado!

No item “a”, a concordância com o sujeito (algum) é de rigor: Algum de nós será aprovado?
No item “b”, a regência do verbo repetir não existe, como na frase. Nenhum dicionário a abona. O certo é: Assim, ele vai repetir o ano…

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1. “Por conta disso…” O modismo parece que veio para ficar!
Vê-se e ouve-se em toda parte. É na televisão, no rádio, nos jornais. Dia desses, ouvimos na tv: José de Alencar foi internado por conta de um câncer… Lembram daquele “a nível de”? Coisa horrível! Também uso do gerundismo: “Vou estar transferindo sua ligação…” Ora, a expressão “por conta de” não teria este sentido, mas o Houaiss já a registra, embora por extensão, com o significado de “por causa de”. Que fazer? Cremos que estão fazendo confusão com outra: à conta de… que (esta, sim) pode, em certa extensão, significar “por causa de”…

2. Poça (ô) d’água ou poça (ó) d’água? Ambas as pronúncias são aceitas.

3. P.S. = post scriptum (latim) = escrito depois (aquilo que se escreveu em uma carta depois de assinada).

4. p.s. = puro sangue (cavalo).

5. Argentino = relativo à República Argentina. O vocábulo argentino é oriundo de argentum, i, que, em latim, significa prata. Sinônimo: argênteo.

6. a) Parecido em tudo com o pai.
b) O caso é parecido ao de outra epístola.
c) Ele é muito parecido com o irmão.
Observe as três regências desse adjetivo.

7. Você sabe o que é epítome?
É sinopse, síntese, resumo. É do gênero masculino: o epítome.

8. a) Comemorativo da festa de aniversário.
b) Comemorativo de nossa Independência.
Observe que a regência desse adjetivo é ­ de.

9. Vamos cultivar a Paz com nós mesmos. Pode parecer estranho, mas é o correto.

PEGADINHAS:

a) Ele acordou de madrugada, e não pôde abrir os olhos.
b) Na qualidade de co-herdeiro, ele podia recorrer da sentença.

Respostas: Tudo certo.

No item “a”, o acento circunflexo diferencial permanece, para distinguir o presente (ele pode) do passado (ele pôde).

No item “b” a presença do hífen é excepcional, porque ao prefixo “co” junta-se uma palavra iniciada com “h”. Normalmente, tal prefixo (“co”) junta-se sem hífen à segunda palavra: coautor, corresponsável, cooperar, coordenar etc.

Gratos a todos pela colaboração.

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1. Cateter (tér). Faz o plural: cateteres (téres). Essa a pronúncia correta, de acordo com a etimologia da palavra. Assim se pronuncia em Portugal. Mas a pronúncia predominante, ao menos no Brasil, é catéter (paroxítona), que faz o plural: catéteres.

2. Pudico, impudico. A pronúncia correta é pudico (dí), impudico (dí).

3. Um lance de escada. (O mesmo que: um lanço de escada.) Anote essa expressão e não tenha receio de usá-la.

4. Degredado é exilado. Degradado é privado de grau: Ele foi degradado do posto de chefe.

5. Hindu = relativo à Índia. É adjetivo uniforme. Ex.: Homem hindu, mulher hindu.

6. Lúcifer faz o plural: lucíferes (cí). Lucifer (fér) faz o plural luciferes (fé).

7. a) O plural de cais é igual ao singular: os cais. b) O plural de cós é coses ou simplesmente cós: os cós.

8. Balão ­ balãozinho; balões ­ balõezinhos
Papel ­ papelzinho; papeis ­ papeizinhos
Colar ­ colarzinho; colares ­ colarezinhos
Cão ­ cãozito; cães ­ cãezitos
Pão ­ pãozinho; pães ­ pãezinhos.

É dessa maneira aí que se faz o plural dos diminutivos em ­zinho e ­zito. Ou seja: tira-se o “s” do plural e coloca-se um “s” depois de -zinho e ­zito.

9. Campus = área que compreende os edifícios e terrenos de uma universidade. O plural é campi. Observe a grafia, tanto no singular como no plural.

Isso aí é latim. Não leva acento gráfico!

PEGADINHAS:

a) Peço-lhe que enxágue (ou enxague) com cuidado essa roupa.
b) Pegarei o primeiro voo para a Bahia.

Respostas:

Tudo certo. No item “a”, o acento agudo deixa claro que optei pela pronúncia “enxágüe”, apesar da queda do trema. É também possível a pronúncia “enxagúe”. E nesse caso, NÃO leva acento: enxague (mas pronuncie “enxagúe”). No item “b”, caiu o acento circunflexo na sequência “oo”.

Gratos a todos pela colaboração.

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1. “Uma miríade de pequenos cargos…” Miríade é do gênero feminino. E não masculino, como lemos em jornal: “Um miríade de pequenos cargos…”

2. Não confunda poção com porção. O “r” faz a diferença. Poção é líquido para se beber; bebida. Porção é parcela; fração.

3. a) Ela pôs a mesa.
b) Maria fez a cama e não teve tempo de fazer as unhas.
c) João não fez a barba.

Observe esses idiotismos da língua portuguesa.

4. Maria, Paula e Joana, todas as três, foram ao cinema. Esse aposto funciona como uma espécie de realce.

5. a) Daí a pouco ele chegou.
b) Ele chegou há pouco.
c) Daqui a pouco ele chegará.

Observe que “a pouco” indica ação futura; “há pouco”, passado.

6. Atenção! O substantivo ícone é do gênero masculino: o ícone.

7. a) Plácido = manso, brando, suave.
b) Flácido = frouxo, mole, murcho.

Exemplos:

a) “As margens plácidas do Ipiranga…”
b) Borrachas flácidas.

8. Pneu é um substantivo monossílabo, com “p” mudo. Portanto, não se pronuncie como se fosse dissílabo (pineu).
Essa palavra vem do grego pneuma, que significa: ar, espírito, sopro, fôlego, vento. Veja-se: pneumático, pneumologia, pneumatologista.

9. “Trinta e dois mil pessoas.”

Foi assim que falou o apresentador na televisão.

O correto é: trinta e duas mil pessoas.

10. a) Ossário = depósito onde se guardam ossos em cemitério.
b) Ossuário = urna para ossos.

Nota: Alguns dicionários não fazem essa distinção, considerando-os sinônimos.

11. São Silvestre. Por que razão a corrida que se realiza no dia 31 de dezembro leva o nome de “Corrida de São Silvestre”? É porque o último dia do ano é o dia de São Silvestre.

PEGADINHAS:

a) “Na cozinha, quase não usamos o micro-ondas.”
b) “É resultado de uma paciente auto-observação.”

Respostas:

Tudo certo. Em ambos os casos, deve-se usar o hífen, porque o segundo elemento (ondas e observação) começa pela mesma letra (o) que encerra o primeiro elemento.

Gratos a todos pela colaboração.

Por hoje, é só.

Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire é juiz aposentado, é da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Dicas para se falar e escrever bem o português

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1. Arrebol: (substantivo masculino) = a hora em que o sol está surgindo ou sumindo no horizonte. Tem a ver com “rubor” (latim), que significa “avermelhado”.

2. Fragrância = aroma, perfume. Não confundir com flagrância, momento em que é registrado o flagrante (visto ou registrado no momento da realização do ato). Ex.: O malfeitor foi preso em flagrante.

3. a) Ele estava alerta.
b) Ela estava alerta.
c) Nós estamos alerta.
Alerta é advérbio. Por isso, é invariável, como se vê nos exemplos acima.

4. a) Aqueles animais parece estarem pastando.
b) Aqueles animais parecem estar pastando.
Ambas as modalidades são corretas.

5. a) Com certeza, ele virá (provavelmente).
b) Ele virá, com certeza (com segurança).
Como se vê, a expressão “com certeza” pode significar tanto provavelmente, como com segurança.

6. Como se denomina aquele que nasce no Rio de Janeiro? Fluminense, não é? Acontece que a palavra fluminense deriva do latim flúmen, inis, que significa rio.

7. Você sabia que o verbo assistir também pode significar morar, habitar? Pois, pode. Ex.: Ultimamente, ele assiste
em Caculé, na Bahia.

8. “Nós é que erramos, vocês acertaram.”A expressão idiomática “é que” só indica ênfase, não tem função lógica na frase. Tal como se vê no exemplo acima.

9. Dezassete. Em algum texto arcaico, você pode deparar-se com esse numeral. Antigamente, era assim mesmo.

10. a) Deus perdoa os pecados (objeto direto de coisa).
b) Deus lhe perdoou (objeto indireto de pessoa).
c) O colega lhe perdoou
o desaforo (objeto indireto:
de pessoa, e direto: de coisa).

PEGADINHAS:

a) “Fez tudo com cimento e areia.”
b) “É de uma feiura sem igual essa máscara que trouxeram de Bocaiuva.”

Resposta:

Tudo certo.
Na alternativa “a”: a palavra areia nunca foi acentuada.
Na alternativa “b”, desaparece o acento agudo, em ambos os casos, porque se trata de paroxítonas, em que a letra “u” vem depois dos ditongos “ei” e “ai”.

Gratos a todos pela colaboração.

Por hoje, é só.

Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire é juiz aposentado, é da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

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1. Vai-e-vem (plural: vai-e-vens), vaivém (plural: vaivens. Observe a grafia dessas palavras e o plural respectivo.

2. a) O livro é muito bom.
b) Ele é muito alto.
c) Ela é muito alta.
Observe como o advérbio (muito, no caso) é invariável.

3. a) Muitos alunos vieram.
b) Muitas alunas vieram.
c) Aqui, há muitas árvores.

Observe como o adjetivo (muito, no caso) combina em gênero e número (muita, muitas, muitos) com o substantivo a que se refere.

4. “No ano que vem, ele estará aqui.” Não tenham receio de usar esse bonito e legítimo idiotismo da língua portuguesa.

5. “A janela deitava para uma praça.” Deitar, aqui, tem o sentido de “estar voltado”, “ter vista”.

6. Penates, entre os romanos e etruscos, são os deuses do lar.

7. Nogueira. No latim clássico, nux, nucis. No latim medieval: nocaria (á) > nogaria (á) > nogueira.

8. a) “Mil vezes perguntava e mil vezes ouvia.” Camões.
b) Fizeram-lhe mil e uma perguntas.
Nem sempre os numerais indicam valores exatos, mas indeterminados, tal como se observa nos exemplos acima.

9. a) Eles foram retirando-se. Ênclise ao gerúndio.
b) Eles foram-se retirando. Ênclise ao auxiliar.
c) Eles se foram retirando. Próclise ao auxiliar.
Como se vê dos exemplos acima, três formas verbais perifrásticas são possíveis.

PEGADINHAS:

a) “… o heroico brado retumbante.”
b) “Ontem, nós cantámos
o dia inteiro.”

Resposta:

Tudo certo. Na alternativa “a”, desaparece o acento agudo, porque se trata de paroxítona com ditongo aberto “ói” (também os ditongos abertos “éu” e “éi”). Porém: herói, tabaréu, anéis (que são oxítonas).

Na alternativa “b”: É facultativo o uso do acento agudo para distinguir o presente (nós cantamos) do passado (nós cantámos, no passado).

Atenção! Não deixem de adquirir o livro DFT (Dicionário de Formas de Tratamento do português), em correspondência formal adaptado à nova ortografia. Autor: Professor Luiz Gonzaga Paul. Editora AGE. Observação: Não temos nenhum interesse comercial nessa obra. É um aviso de utilidade pública.

Gratos a todos pela colaboração.

Por hoje, é só.

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Albino de Brito Freire é juiz aposentado, é da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

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1. Cenáculo vem do latim e significa “sala de jantar”. Dia desses, vimos em um jornal o emprego inadequado dessa palavra, com o sentido de cenário. Não pode!

2. Abrir mão de = desistir, ceder, abandonar. Ex.: Ele abriu mão de seus direitos à herança.

3. Anáfora é a repetição da mesma palavra no começo de cada membro da frase. Ex.: Estudava de manhã, estudava de tarde, estudava de noite, estudava sempre.

4. “In extremis” (latim) = nos últimos momentos de vida. Ex.: A criança foi batizada in extremis (pron. in ecstremis).

5. “Foi gasto uma quantia pequena”. Dessa forma disse o locutor. O correto é: “Foi gasta uma quantia pequena”. Se ele tivesse invertido a posição do verbo, com certeza não teria cometido o erro de concordância: “Uma quantia pequena foi gasta”.

6. Canoro = que canta bem, melodioso. Tanto no masculino como no feminino tem o “o” aberto. Ex.: Ave canora (ó); pássaro canoro (ó).

7. Hífen (paroxítona terminada em “n”); hifens (sem acento gráfico); item (sem acento); itens (sem acento). Compare e observe o uso do acento gráfico nessas palavras acima. Aí, não houve qualquer mudança com o novo acordo ortográfico.

8. Rebuliço = grande agitação. Escreva corretamente.

9. a) Ele se tinha ajoelhado.
b) Ele tinha-se ajoelhado.

O pronome oblíquo jamais pode prender-se ao particípio. Observe acima as colocações possíveis. Não diga: Ele tinha ajoelhado-se (com o pronome “se” depois do particípio).

10. Extinguir, extinguível. Vamos pronunciar corretamente, sem enunciar o “u”. Não diga “extingüir”, “extingüível”.

PEGADINHAS:

a) “Essas criaturas vivem em condições subumanas.
b) “Foram descobertas novas jazidas na camada do pré-sal.”

Tudo certo, aí?

Resposta:

Tudo certo. Na alternativa “a”, desaparece o agá do segundo elemento, escrevendo-se junto. Na alternativa “b”: usa-se o
hífen com os prefixos tônicos acentuados graficamente: pré, pós, pró.

Gratos a todos pela colaboração.

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NOTA: No dia primeiro de janeiro fluente, entrou em vigor a nova reforma ortográfica. Até final do mês de dezembro de 2012, as formas antiga e nova coexistirão. Entretanto, a partir de agora, vamos adotar, em nossa coluna, a nova ortografia. Para facilitar seu trabalho, trouxemos para você um resumo das normas, de forma simples e concisa, procurando, como sempre, passar ao largo de gramatiquices. Guarde o resumo sobre sua mesa de escritório, para eventuais consultas.

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1. Com a inclusão de “k”, “y” e “w”, nosso alfabeto passa a ter 26 letras.

2. Linguiça, aguentar, frequente. Cai o trema. Porém, a pronúncia continua a mesma (lingüiça, agüentar, freqüente).

3. Enjoo e voo. Palavras terminadas em “oo” deixam de ser acentuadas graficamente.

4. Eles veem, eles creem, eles leem. Formas verbais com essa terminação perdem o acento circunflexo.

5. Assembleia, ideia, paranoia. As paroxítonas com ditongos abertos “éi” e “ói” perdem o acento agudo.

6. Feiura, baiuca, Sauipe. Desaparece o acento agudo do “i” e do “u” tônicos depois de ditongos.

7. Argui, arguem, delinque, delinquis; averiguem, enxague. Essas formas mantêm o “u” tônico, mas sem o acento agudo.

8. Para (verbo parar); pela (verbo pelar); polo (substantivo); pelo (verbo pelar ou substantivo); pera (fruta). Desaparecem alguns acentos diferenciais entre paroxítonas homógrafas, como se vê nos exemplos acima. Permanece, contudo, em pôde (pretérito perfeito do verbo pôr). É facultativo o acento em fôrma (substantivo) e em dêmos (presente do subjuntivo do verbo dar).

9. Nós amamos (presente) / nós amámos (passado); nós cantamos (presente) / nós cantámos (passado). É facultativo o uso do acento agudo, para diferenciar o presente do passado.

10. Econômico/económico; acadêmico/académico; fêmur/fémur; bebê/bebé. São aceitas as duas formas.

11. Mandachuva; paraquedas. Sem hífen, pois, nesses casos, perdeu-se a noção de composição.

12. Pré-história, super-homem, micro-onda (antes, microonda). Usa-se o hífen quando o segundo elemento começa por “h” ou quando inicia com a mesma vogal que encerra o primeiro termo, tal como nos exemplos acima. Exceções: desumano, inábil, coordenação, cooperação.

13. Contrarregra, antissemita, antirreligioso, antirrábica, autoestrada, antiaéreo. Não se usa o hífen quando o segundo elemento inicia com “r” ou “s” ou com vogal diferente da que encerra o primeiro termo. Exceção: Quando o “r” vem do prefixo hiper, inter, super, o hífen é mantido: hiper-resistente; inter-racial, super-responsável.

14. Títulos de livro: “O Menino de Caculé” ou “O menino de Caculé”. “A Virtuosa Matrona de Éfeso” ou “A virtuosa matrona de Éfeso”. A regra é a seguinte: Pode-se grafar os títulos com todas as iniciais maiúsculas (exceto monossílabas) ou apenas com o primeiro elemento e os nomes próprios em maiúscula.

15. Rua/rua; Igreja/igreja; Edifício/edifício; Sociologia/sociologia; Santa/santa; Secretário/secretário. O uso de maiúsculas é facultativo em áreas do conhecimento, cargos e locais públicos, como nos exemplos acima.

PEGADINHAS:

a) “As crianças vêm se chegando, devagar.”
b) “Elas não veem as coisas como nós as vemos.”
Tudo certo, aí?

Resposta: Tudo certo. Na alternativa “a”, permanece o acento agudo diferencial. Na alternativa “b”, cai o acento circunflexo na sequência “ee” e “oo”.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire é juiz aposentado, é da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

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“Trabalho é o amor tornado visível.”
Khalil Gibran
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1. “Após mais de 50 dias presa,
TJ manda soltar pichadora.”
Foi assim que lemos em jornal de grande circulação de São Paulo, que, aliás, prima pelo bom vernáculo. Está errado. O sujeito da oração subordinada, nesse caso, não pode ser diverso do sujeito da principal. Trocando em miúdos: Após mais de 50 dias presa, a pichadora foi solta por ordem do TJ (Tribunal de Justiça). O sujeito de ambas as orações é “pichadora”. Certo seria também dizer: “Depois de manter presa a pichadora por mais de 50 dias, o TJ manda soltá-la.” O sujeito, aqui, de ambas as orações é o “TJ”. O respeitável periódico comete o mesmo equívoco daquele que dissesse: “Logo depois que foi descoberta, em 1500, Cabral deu à nova terra o nome de Brasil.” Feitas as necessárias adaptações, ficaria assim: “Logo depois que foi descoberta, a nova terra recebeu de Cabral o nome de Brasil.”

2. Lemos em outro jornal: “Seguro obrigatório pago por carros e motos custará mais no próximo ano”. Não são os carros e motos que pagam seguro obrigatório, mas os respectivos proprietários.

3. Coronel ou coronela? Poeta ou poetisa? Cônsul ou consulesa? Em trâmite na Assembléia Legislativa projeto de lei que obriga o uso do feminino, quando houver (!), na comunicação oficial do Estado do Paraná. O projeto de lei nem sequer foi sancionado, e os intelectuais (?) de plantão já se posicionam, sem ao menos conhecer os respectivos termos. Alguns, pouco afeitos às questões culturais, consideram um absurdo que os deputados “percam seu tempo” com projetos dessa natureza…

Ora, o projeto tem por finalidade precípua dar segurança a quem escreve. Faz trinta anos que já nos telefonavam de órgãos públicos, perguntando se o certo é “a poeta” ou “a poetisa”, “a cônsul” ou “a consulesa”. Quando houver o feminino, o uso deste vai ser obrigatório na comunicação oficial do Estado. Veja bem: quando houver a forma feminina! Major,
por exemplo, não tem o feminino. Cabo, também não. Logo, essas palavras permanecem invariáveis.

Já coronel faz o feminino coronela. General faz generala. Tenente é uniforme, ou seja, não varia (a tenente). Sargento faz sargenta. Major, segundo Napoleão Mendes de Almeida, faz majora, soldado faz soldada, tal como no Exército da Salvação. E isso não deve causar-nos estranheza, porque segue a regra geral: senhora, Isadora, canora, inodora.

Já presidente é uniforme. Mas, existe a forma feminina presidenta. Em suma, posso usar tanto “a presidente”,
como “a presidenta” para designar o sexo feminino.

4. Você sabe o que é quizila? É repugnância, antipatia.

5. “A posteriori”. Vamos escrever corretamente, sem acento gráfico sobre o “o”.

6. Pica-pau faz o plural pica-paus. Trata-se de palavra composta por verbo (picar) mais substantivo (pau).

7. Comboio. Observe: No Brasil, pronuncia-se com “o” fechado (combôio). Em Portugal, com “o” aberto (combóio).

8. “Eu me consultei com o médico Fulano.” Por favor, não diga isso! Diga com toda a simplicidade e corretamente: Eu consultei o médico Fulano.

9. “Li, reli, tresli”. Tresler não tem nada a ver com o número três. Tresler significa ler de trás para diante, enlouquecer por ler demais; enganar-se, errar, ler mal, ler sem entender.

10. Isto é (= quer dizer) é uma expressão fixa, estereotipada, imutável. Não se admite, pois, a forma “isso é”, com esse sentido.

11. Defronte a ou defronte de? Ambas as regências são corretas: Defronte ao amigo. Defronte do amigo.

PEGADINHA:

Se diálogo é conversa entre duas pessoas, eu posso chamar de triálogo uma conversa entre três pessoas?
Resposta: Não. Essa palavra não existe em nossos dicionários.

Gratos a todos pela colaboração.

Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

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“Eleva tua alma a tal altura, que a ofensa não consiga atingi-la.”
Descartes

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1. a) Ele nem se deu o trabalho de levantar o braço.
b) Ele não se dá ao luxo de recusar a oferta.
Observe: No item “a”, temos: se = objeto indireto.
o trabalho = objeto direto.
No item “b”, temos: se = objeto direto.
ao luxo = objeto indireto.
Resumindo, ambas as formas são corretas.
2. O menino levou um tombo. Observe como é curioso o emprego do verbo levar, nesse caso. Aí, tem o sentido de sofrer, padecer, receber.
3. O pobre homem estava no cabo da vida.
A palavra cabo pode, também, significar final, assim como no exemplo acima.
4. Inflamável. O prefixo latino in- (ou im-, ou -i) indica negação. Pode também significar aquilo em que alguma coisa pode se transformar. Ex.: incinerar = transformar em cinza; inflamável = transformar-se em chama (flama, fogo).
5. Cabra montês. Os adjetivos terminados em -ês, na fase arcaica de nosso idioma, eram invariáveis quanto ao gênero gramatical: homem português, mulher português. A desinência única ainda permanece para o adjetivo montês: cabrito montês, cabra montês.
6. Você sabe o que é indez (ê) ou endez (ê)? É o ovo que se deixa no ninho como chamariz para as galinhas, mostrando-lhes onde devem botar os ovos.
Em Portugal, costuma-se usar a forma paroxítona: endes.
7. Observe: Verbo entupir: Eu entupo; tu entupes ou entopes; ele entupe ou entope; nós entupimos, vós entupis, eles entupem ou entopem.
O mesmo acontece (mesma irregularidade) com o verbo desintupir. Ambas as formas são aceitáveis e corretas.
8. O particípio irregular de repesar é repeso. Significa arrependido.
9. Sufixos latinos:
-ense e -ês; -ez e -eza.
Ense e ês ­ formam adjetivos de substantivos: Paraná > paranaense; Viena > vienense; montanha > montanhês; Portugal > português; corte > cortês. Ez e eza ­ formam substantivos de adjetivos: surdo > surdez; altivo > altivez; belo > beleza; certo > certeza.

PEGADINHA:

a) Como é que você diz: porcentagem ou percentagem?
b) Cigarro faz mal à sua saúde.

Resposta:

a) Tanto faz: porcentagem ou percentagem.
b) Antes de possessivos (meu, teu, seu, nosso, vosso), o uso do acento grave denotativo da crase é facultativo.

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“A verdadeira dificuldade não está em aceitar idéias novas, mas escapar das idéias antigas.”
John Maynard Keynes
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1. Cosmos, do grego (cosmos, ou), significa universo, mundo; adorno, enfeite. Daí, a palavra cosmético.
2. O plural de forno é fornos (ó – aberto). Essa mudança de ô para ó chama-se metafonia.
3. O verbo premiar. A forma da 3.ª pessoa do singular do presente do indicativo é premia. Mas, sempre que possível, evite-se empregar tal forma, a fim de evitar o final engraçado -mia. Se bem que a questão da cacofonia (mau som) é um tanto relativa…
4. a) Nós vimos – presente do indicativo do verbo “vir”. Ex.: “Donde vocês vêm?
Nós vimos da Bahia, de Caculé”. Mas não confundir: “De onde vocês vieram? Nós viemos da Bahia, de Caculé.” Aqui,
se refere a tempo passado.
b) Nós vimos – pretérito perfeito do verbo “ver”.
Ex.: “…E o que viram lá? Vimos o trem passar.”
Aqui, o tempo é passado.
5. Interjeição “hem”. Qual a diferença de sentido entre hem e hein? Nenhuma.
6. Chama-se abundante o verbo que tem duas ou três formas do mesmo valor e função: havemos e hemos; constróis e construís; constrói e construi; nascido, nato, nado (isso mesmo: nado).
7. a) Há oito dias.
E não: Há oito dias atrás.
b) Há oito dias.
E não: Há oito dias passados.
8. Modalidades corretas:
a) Paulo chamou-o inteligente.
b) Paulo chamou-o de inteligente.
c) Paulo chamou-lhe inteligente.
d) Paulo chamou-lhe de inteligente.
9. Recém = antepositivo apocopado de recente.
Vem do latim: recens, recentis. É sempre ligado por hífen à palavra prefixada sempre em particípio.
Ex.: recém-nascido; recém-formado; recém-casado.

PEGADINHA:

a) “Ele esteve aqui e comeu uns sanduíches.”
b) “Este é um acordo sino-nipônico.”
Qual a alternativa correta?

Resposta:

Ambas as alternativas estão corretas.
Na alternativa “a”, temos o artigo indefinido “um”, no plural.
Na alternativa “b”, temos um acordo entre a China e o Japão.

Gratos a todos pela colaboração.

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“Lembre-se: você é aquilo que pensa o dia inteiro. Por isso, pense apenas coisas boas.”
Lauro Trevisan

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1. Observe o plural: o xis, os xis; o giz, os gizes; a gravidez, as gravidezes (Estranho, não? Mas é assim mesmo!).

2. Você sabe o que é cefaléia?
É a dor de cabeça ­ do grego kephalaía.

3. É correto dizer: “Ele foi pego em flagrante”? Sim, pego é particípio irregular do verbo pegar. A pronúncia mais adequada nos parece a fechada (pêgo), embora Houaiss diga que se aceitam ambas as pronúncias, mesmo quando a palavra pego significa “merenda ligeira de trabalhadores”.

4. a) Nós podemos fazer isto (presente do indicativo).
b) Nós pudemos fazer isto (passado, pretérito perfeito do indicativo).

5. Observe como se dizia antigamente: O poeta Camões manquejava de um olho.

6. Índio = relativo à Índia, indiano; significa também indígena.

7. a) O cônjuge virago é inocente.
b) Paulo é uma pessoa educada.
c) Pedro é minha testemunha.
d) A vítima era o filho de Maria.
e) João é apenas uma criança.
Observação: As palavras sublinhadas são substantivos sobrecomuns, que tendo apenas um gênero gramatical, se aplicam tanto a homens como a mulheres.

8. Celibato = condição de adulto que não se casou e é sexualmente abstinente; solteirismo.

9. Temporal = temporário (adjetivo); mundano (adjetivo); tempestade (substantivo).

10. Arsenal = depósito ou fábrica de material bélico.

PEGADINHA:

a) “Substantivos próprios não levam acento gráfico.”
b) “Palavras escritas em caixa alta (maiúsculas) não levam acento gráfico.”
Qual a alternativa correta?

Resposta:

Ambas as alternativas estão erradas. Substantivos próprios se sujeitam às mesmas normas dos substantivos comuns. Assim como as palavras escritas em caixa ou alta ou baixa.

Gratos a todos pela colaboração.

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“Lembre-se: você se movimenta em direção daquilo em que pensa constantemente.”
Anthony Robbins

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1. Você sabe de onde deriva a palavra coleira? Deriva do latim collum, que significa pescoço. Outros exemplos: colar (substantivo); colarinho. Temos também a palavra colo, com o sentido de pescoço.

2. O advérbio embora é formado de em boa hora.

3. Duas formas corretas: embigo e umbigo. Em alguns Estados do Nordeste, ouve-se também imbigo.

4. Subsídio pronuncia-se “sub-cí-dio” e, assim, seus compostos, como subsidiar (sub-ci-diar). Seria bom se os radialistas ajudassem a difundir a pronúncia correta.

5. Plural de alguns latinismos: curriculum ­ curricula; memorandum ­ memoranda; corpus ­ corpora;
campus ­ campi.

6. Hibridismo, em termos lingüísticos, é a formação de palavras com elementos de idiomas diferentes.
Ex.: automóvel (auto ­ grego + móvel ­ português); televisão (tele ­ grego + visão ­ português).

7. Jamais use o artigo com: Nossa Senhora, Nosso Senhor, Vossa Excelência.

8. a) Fazer que aconteça.
b) Fazer com que aconteça.
Ambas as modalidades são corretas.

9. O pronome quem pode equivaler a ninguém que.
Ex.: Não há quem o possa substituir = Não há ninguém que o possa substituir.

10. a) Lactante = mulher que amamenta.
b) Lactente = aquele que mama.

PEGADINHA: Eu não lhe vi na lanchonete, ontem.

Resposta: Está errado, porque o verbo ver é transitivo direto. Não estaria certo também dizer: “Eu não vi ele…” A língua culta exige o pronome pessoal que funciona como objeto direto: Eu não o vi…

Gratos a todos pela colaboração.

Por hoje, é só.

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Albino de Brito Freire é juiz aposentado, é da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

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“Não veja tua mão esquerda o que faz a direita.”
Jesus de Nazaré

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1. Saudade ou saudades? Consulta-nos ilustre leitora se podemos usar a palavra no plural: saudades. Não vemos problema algum em fazê-lo. Geralmente, as pessoas confundem essa palavra com aquela espécie de vocábulos que exprimem noção de vícios ou virtudes. Por exemplo, ninguém diz: caridades, preguiças, prudências, ociosidades etc., em sentido abstrato. Só se usam no singular. Pois bem. Os clássicos, dentre eles Vieira, usavam no singular certas palavras que denotam sentimentos do espírito, como: pêsame, parabém, felicidade, felicitação. Hoje, tais palavras só se usam no plural, com a concordância necessariamente no plural. São denominadas “pluralia tantum”, ou seja, palavras que só se usam no plural. O mesmo fenômeno está acontecendo com a palavra “saudade”, cuja forma singular vem sendo, aos poucos, substituída pela forma plural: “saudades”. Napoleão Mendes de Almeida registra até o coletivo de “saudades”: arregaçada (de regaço) de saudades, que seria uma “braçada”, por assim dizer, de saudades. De qualquer modo, percebe-se que os falantes ainda não se decidiram: ora dizem saudade, ora saudades, para significar a mesma coisa. Veja-se o verso introdutório da inspiradíssima poesia: “Oh! Que saudades que tenho…” (Meus Oito Anos, de Casimiro de Abreu).

2. “Eles estão de olhos nas declarações dos contribuintes…”
Foi assim que lemos em revista de circulação nacional.
A expressão correta é: “estar de olho (singular) em…”
Não se usa no plural para não desnaturar a expressão idiomática.
3. Lemos em jornal: “Nas antes salas…”
A palavra correta é: ante-sala (com hífen), que faz o plural: ante-salas (não antes salas!).

4. Réptil (répteis) e reptil (reptis); projétil (projéteis) e projetil (projetis). Todas são formas corretas.

5. a) Ele não vem há (ou faz) dois anos.
b) Ele não vinha havia (ou fazia) dois anos.

6. a) Naquele momento, a gente ficava calado (homem).
b) Naquele momento, a gente ficava calada (mulher).

7. a) V. Ex.ª é muito bondoso (refere-se a homem).
b) V. Ex.ª é muito bondosa (refere-se a mulher).

8. Observe: cha-l-eira; chapéu-z-inho; pa-z-ada; pedre-g-ulho. As consoantes “l”, “z” e “g” são denominadas consoantes de ligação, que entram na formação de novas palavras para facilitar a pronúncia ou evitar o hiato.
Tal como se vê nos exemplos acima.

9. Você sabe o que significa assolar? Significa pôr por terra (solo), destruir. Ex.: O inimigo assolou a cidade inteira.

10. Distinguir: paizinho (pai) e paisinho (país).

11. a) Comparação de um homem com um pássaro.
b) Em comparação ao que ele gastou, o lucro foi pequeno.

PEGADINHA:

Vinte anos é muito pouco para castigar quem tirou uma vida.

Resposta:

Está certo, porque o predicativo, quando constituído das expressões: pouco, muito, muito pouco, nada, bastante, suficiente, leva o verbo ser para o singular.

Gratos a todos pela colaboração. Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire é juiz aposentado, é da Academia Paranaense de Letras. Leopoldo Scherner é da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

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