Já pensou entrar o Ano Novo sabendo que este será o último porque você vai partir desta para melhor? Cruz credo! Vire essa boca para lá, você diria. E não sem razão. Por incrível que pareça tem gente que gosta de saber o que lhe espera no exercício seguinte, mesmo que o futuro seja um caixão.

 São os austríacos. Eles se reúnem à meia noite e derramam chumbo derretido em uma tigela com água e depois observam as figuras que vão se formar. Se aparecer uma bola, é sinal de boa sorte. Mas se aparecer uma âncora a pessoa vai precisar contar com a ajuda dos outros no ano seguinte. Agora, se o formato da figura for de uma cruz, a crença é que esta pessoa vai morrer no próximo ano.

 Descobri esta forma inusitada de passar o Réveillon dos austríacos ao pesquisar como outras culturas festejam a Confraternização Universal e encontrei outros costumes no mínimo curiosos. No Equador, por exemplo, nesta data existe o hábito de queimar fotos e imagens de coisas que eles não gostam e que desejam tirar de suas vidas. Já pensou se a moda pega por aqui, ia ter fogueira para todo lado!

 A maioria das tradições tem tanto pragmatismo que chegam a ser rudes. Por exemplo, em Belarus (país da Europa do Leste que faz fronteira com a Rússia e a Ucrânia), um dos costumes da virada do ano é tentar desencalhar mulheres solteiras. Elas participam de jogos em que as vencedoras serão as primeiras a se casar no ano que se inicia, segundo a crença. Um dos jogos consiste em fazer montes de milho na frente de cada uma das mulheres. Em seguida, os organizadores soltam um galo para que ele escolha um dos montes de milho. De acordo com a superstição, a dona do monte de milho escolhido vai encontrar o amor por primeiro.

 Já no Camboja, não tem nada disso de sair caçando marido. Eles aproveitam a data do festival de Ano Novo, comemorado em abril, para reforçar laços com a família. As crianças lavam os pés dos seus pais e avós para demonstrar respeito aos mais velhos e receber bênçãos em troca. Pela manhã, os cambojanos borrifam água nos rostos uns dos outros e à noite nos pés. Lá a comemoração de Ano Novo dura três dias e nesse período as pessoas derramam água colorida em amigos e parentes, ato que simboliza os desejos para o futuro.

 No Brasil, a superstição é vestir roupas brancas na virada do ano e isso também tem uma explicação. O costume chegou ao país com a escravidão. O branco simboliza a paz e a purificação. Na África, os devotos também vestem a cor para homenagear a Deusa do Mar com oferendas no Ano Novo.

A crença de pular as sete ondas do mar, tão popular por aqui também é uma tradição africana ligada à Umbanda e ao Candomblé. E por que pular sete ondas e não seis ou oito? Porque o número sete é considerado espiritual, são sete dias da semana e sete chacras. Segundo esta crença é preciso pular este mesmo número de ondas para invocar os poderes de Iemanjá e assim ter forças para vencer os obstáculos de 2015.

Quer mais números? Não se esqueça de comer as 12 uvas na virada do ano. A tradição começou em 1909 na Espanha, quando houve uma grande produção da fruta no país. Se quiser fazer direito precisa comer um bago de uva para cada batida do relógio. E aí é que vem a parte que dá um certo suspense para a brincadeira: a doçura da fruta simboliza como será o mês da pessoa. Por exemplo, comeu três bagos de uva doces em sequência, terá um primeiro trimestre muito bom. Mas se o quarto bago da uva for azedo significa que tempos difíceis virão. Não tente manipular os resultados. Lembre-se de que a natureza sempre nos prega peças.

 Quer começar o Ano Novo com o pé direito, não deixe de comer lentilha. Segundo a superstição, a leguminosa simboliza moedas. Um bom prato de lentilha no espoucar dos fogos seria a garantia de um ano cheio de fartura, segundo a crença. Mesmo que não funcione, esta é uma das tradições mais saudáveis. A lentilha, segundo os nutricionistas, pode reduzir o risco de doenças cardíacas, contribui para estabilizar o açúcar no sangue, além de ser rica em ferro, proteínas, vitaminas do complexo B e ainda ajuda a controlar o colesterol.

 O melhor de tudo é não ficar grilado se as simpatias vão funcionar ou não porque isso pode fazer mal para saúde. Mas se for seguir o receituário, o importante é ter alto astral. E na hora de repor as energias, mande ver na lentilha.

P.S. O ano terminou e com ele finda também minha interinidade neste espaço. Agora é com o Edilson Pereira, titular desta seção. Foi um prazer contar com a sua companhia. Feliz 2015 a todos!