Montevidéu – O sábado do dia 10 de agosto de 2019 parecia que nunca ia chegar para os uruguaios. Os fãs de MMA esperavam por essa data há um bom tempo. Era a primeira vez que o UFC, o maior evento de lutas do mundo, desembarcaria na capital do Uruguai. E quando o dia amanheceu, já era possível ver um clima diferente na cidade. No tradicional Mercado del Puerto, um dos pontos mais visitados de Montevidéu, já havia muita gente com algum tipo de acessório relacionado às artes marciais.

Nos arredores da moderna Antel Arena, o letreiro do UFC marcava presença e se tornava também um ponto turístico. O povo que passava por ali fazia fila pra tirar uma foto ao lado das três letras gigantes. Quando o as horas foram se passando, o sol foi baixando e o relógio marcou 18h, o interior do ginásio já estava completamente lotado – todos os ingressos foram vendidos.

Durante todo o evento, os uruguaios se mostraram muito empolgados e respeitosos com os lutadores. O público era diferente do que estamos acostumados no Brasil. Não tinha todo aquele barulho e os gritos de “Uh, vai morrer”. Mas, quando algum atleta acertava um golpe em cheio, a vibração era grande.

Dentro do octógono, apenas um representante do Uruguai. Na verdade, Luiz Eduardo Garagorri é meio brasileiro, meio uruguaio. “Sou de Livramento-RS, mas minha mãe é uruguaia, a cidade também fica bem na divisa e eu me considero um pouco uruguaio também”, brincou o novo contratado do UFC, que foi o mais reverenciado pelo público, é claro. O peso-pena fez uma luta equilibrada contra o peruano Humberto Bandenay e levou a vitória na decisão unânime dos árbitros.

O povo uruguaio também fez questão de apoiar outros atletas da América do Sul. Entre eles, o brasileiro Vicente Luque, que fez a penúltima luta da noite, e travou uma batalha sangrenta contra o americano Mike Perry. O triunfo do brasiliense só veio na decisão dividida dos árbitros. O destaque deste confronto, que ganhou o bônus de “Luta da Noite”, foi a maneira como ficou o rosto do gringo. O seu nariz estava completamente torto.

No card preliminar, a grande batalha envolveu o curitibano Rogério Bontorin. O atleta da Gile Ribeiro sofreu, logo de cara, um golpe que levantou uma “bola” em seu rosto. O amapaense Raulian Paiva acertou em cheio já no primeiro round. O combate teve que ser interrompido para que o curitibano fosse visto por um médico. Assim que foi liberado, Bontorin partiu pra cima do rival e desferiu um golpe que abriu completamente o supercílio de Paiva. Não deu outra, o médico não liberou e a vitória do lutador da Gile Ribeiro veio por interrupção.

Por fim, o destaque negativo ficou mesmo com a luta principal da noite. A campeã peso-mosca Valentina Shevchenko pouco fez para vencer a americana Liz Carmouche, que também não esboçou reação. O confronto de cinco rounds foi muito vaiado pelo público e o título seguiu com Valentina. Logo depois, quando foi se pronunciar sobre a luta, a campeã foi aplaudida de pé pelos uruguaios, que deram um show na arquibancada da Antel Arena.