O empresário Luiz Renato Ribas surpreendeu seus amigos e clientes nessas últimas semanas. Sempre se espera dele uma boa surpresa, uma inédita idéia de negócio. Foi assim quando criou a primeira videolocadora de Curitiba, a Vídeo Um. Ainda hoje é a campeã da simpatia na cidade, cujo faturamento faz seu dono sorrir de felicidade e da concorrência.
Antes disso, o Ribas já tinha dado boas gargalhadas quando era o maior e melhor fornecedor gráfico para agências e produtoras gráficas. No meio publicitário, quem não se lembra do tempo que pra fazer um anúncio, “ai não fosse as fotoletras da Digital”? Os mais novos não lembram, pois agora têm memórias mais para computadores.
Mas bem antes disso, a maior obra de Luiz Renato Ribas foi a revista TV Programas, criada por ele em 1961. Com seus insuperáveis 23 mil assinantes, era a bíblia dos senhores telespectadores paranaenses. Na década de 60, você até podia ser televizinho, mas com certeza lia e guardava seu próprio exemplar da TV Programas. E de jeito nenhum emprestava pra vizinhança.
Bão, pois não é que no século seguinte o Luiz Renato resolveu surpreender todo mundo? Pois sim! Quando se esperava dele uma idéia nova, ele aparece bem faceiro com uma velha boa idéia nova: acaba de relançar o Guiatur.
Você não sabe o que foi o Guiatur? Então deixe, não está mais aqui quem escreve, o próprio Luiz Renato conta:
“No início de 1972, já no ocaso da mais bem-sucedida revista paranaense, a TV Programas, começamos a pensar, eu e os jornalistas Célio Heitor Guimarães e Hermes Astor Soethe, numa nova publicação semanal para Curitiba, voltada para os equipamentos de animação da cidade. Em março de 1973, surgia Guiatur. A primeira revista brasileira semanal de turismo, com circulação e distribuição paga pelos principais hotéis daqui e que ainda, 30 anos depois, continuam hospedando fidalgamente nossos visitantes: o Lancaster, do Noel e do Lenz Cesar; o Mabu, do Abujamra; o Plaza, o Del Rey, dos Fatuch, entre outros. Os restaurantes Île de France, Colibri, Bologna, Palazzo, Pizzicato, A Landerna, Baviera e a maioria dos de Santa Felicidade estão belos e faceiros ainda hoje. Dos antigos cinemas e boates, nenhum resistiu. Guiatur resistiu até 1987. Mas o sonho não acabou.”
O sonho insiste 16 anos depois, com o lançamento do Guiatur Gastronomia. Luiz Renato que “de bobo não tem nada”, sabe que a cidade mudou. Com seus três milhões e quatrocentos mil habitantes anuais, entre curitibanos e turistas, é um potencial que não pode ser desprezado como mercado.
Daí o rabicho novo do nome: gastronomia. Quer dizer, Guiatur volta com muita fome e sede desta nova Curitiba eleita por três vezes consecutivas a cidade onde são feitos os melhores negócios do Brasil. Volta com o velho conceito editorial de 1973 – “Aqui ninguém paga pra dizer que é bom” – e com uma circulação dirigida para 25 mil apartamentos de Curitiba.
Oficialmente ela circula dia 3 de julho, mas, na noite da última quinta-feira, Renato reuniu não mais de vinte velhos amigos para batizar as edições-teste. Numa delas, com o maior prazer, fiz a ilustração da capa. E para as próximas também, pois o Luiz Renato me fez uma proposta indecente: em troca de ilustrações, tenho crédito ilimitado na Vídeo Um, onde sou cliente pioneiro.
Aceitei a proposta indecente.
Até quarta-feira, Célio Heitor Guimarães, feroz articulista na página cinco deste jornal, um advogado que nas horas vagas diagramava a revista TV Programas e Guiatur, cujo logotipo é de autoria de Zeno José Otto.